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YouTube/The Connect Faith

Etc|27 de junho de 2026

Produtora de “Dark Horse” contratou empresa de suposto membro do PCC

ICB de Karina da Gama subcontratou firma ligada ao presidiário Alex Leandro Bispo dos Santos em projeto de wi-fi da Prefeitura de São Paulo


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Subcontratação no WiFi Livre
2 Ligação com produtora de “Dark Horse”
3 Contrato previa até R$ 12 milhões
4 Histórico criminal é citado
5 Prisões e processos
6 Nome de vítima aparece em contrato
7 O que diz a defesa de Santos?
8 O que diz o ICB?
9 Meta foi reduzida
10 Prefeitura nega vínculo direto
11 Empresa não atua mais no projeto
12 Investigação sobre dinheiro do filme
13 Aberto para posicionamentos

Subcontratação no WiFi Livre

O Instituto Conhecer Brasil, presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, contratou uma empresa ligada ao presidiário Alex Leandro Bispo dos Santos para atuar no projeto de instalação de pontos de wi-fi em favelas de São Paulo. Segundo a Folha de S. Paulo, órgãos de inteligência da polícia apontam Santos como integrante relevante do PCC, o Primeiro Comando da Capital, no estado. A defesa dele nega qualquer ligação com a facção.

Ligação com produtora de “Dark Horse”

Karina da Gama ganhou projeção nacional como dona da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O nome da empresária também entrou no centro de questionamentos por causa de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a gestão do prefeito Ricardo Nunes para o programa WiFi Livre. A Polícia Civil investiga se parte dos recursos do contrato com a Prefeitura de São Paulo foi desviada para a produção do filme. A defesa de Karina nega a suspeita e afirma ter documentos para comprovar a origem dos recursos usados no longa.

Contrato previa até R$ 12 milhões

A empresa de Santos, a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., também conhecida como Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda., foi subcontratada pelo ICB no projeto municipal.

O contrato previa até R$ 12 milhões para a implantação de 2.000 pontos de wi-fi em comunidades das zonas oeste e sul da capital paulista.

Segundo a Folha, um extrato obtido pela reportagem mostra pagamento de R$ 2 milhões em 7 de julho de 2025.

Histórico criminal é citado

A reportagem informa que a ficha policial de Santos registra ao menos três condenações por roubo, que somam 34 anos de pena.

Ele passou por 13 presídios em quase 13 anos no sistema prisional. A defesa afirma que Santos jamais se declarou integrante do PCC e nega que ele tenha vínculo com a organização criminosa.

Prisões e processos

Também conhecido como Baianão, Santos acumula prisões e processos desde 2003, quando completou 18 anos.

A Folha informa que, entre 2012 e 2017, ele ficou na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade usada pelo governo paulista para concentrar presos apontados como lideranças do PCC. Nesse período, estava na unidade Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder da facção criminosa.

Nome de vítima aparece em contrato

Santos voltou a ser preso no fim de 2025, agora sob suspeita de feminicídio. Em novembro de 2025, segundo a investigação, ele teria jogado a namorada, Maria Katiane Gomes da Silva, da sacada do 10º andar de um apartamento na Vila Andrade, região do Morumbi. A reportagem também aponta que o nome de Katiane aparece como testemunha no contrato firmado entre o ICB e a empresa do presidiário.

Após o crime, ele voltou a ser encaminhado para uma unidade onde estão membros do PCC, em Iperó. A distribuição de presos por unidades ocorre após autodeclaração do preso sobre sua ligação com facções.

No inquérito sobre feminicídio, uma testemunha apresentou gravação de uma discussão entre Alex Santos e Maria Katiane, em que ele afirma: “tenho escorpião do PCC”, em referência a uma tatuagem.

O que diz a defesa de Santos?

O advogado de Santos, Eugênio Malavasi, afirmou que seu cliente “nega peremptoriamente ser membro do PCC”.

A defesa também alega inocência no caso de feminicídio e afirma que o cliente colaborou com as investigações, mas não poderia comentar o contrato com o ICB, porque atua apenas no processo criminal.

O que diz o ICB?

O Instituto Conhecer Brasil afirmou à Folha que a contratação da Favela Conectada foi feita pela própria entidade, sem indicação da Prefeitura de São Paulo ou da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. Segundo o ICB, a escolha levou em conta critérios técnicos, operacionais e documentais, além da experiência da empresa em áreas de alta complexidade, como comunidades.

O ICB afirmou que não tinha conhecimento de qualquer vínculo de Santos com organização criminosa. “À época da contratação, o instituto não tinha conhecimento de qualquer vínculo dessa natureza, tampouco havia impedimento legal ou restrição formal que inviabilizasse a contratação da empresa ou de seu representante”, declarou à Folha.

A entidade disse que, na época da contratação, a Urban Connect apresentava documentação regular e já atuava em projetos de conectividade em Paraisópolis.

Meta foi reduzida

O instituto também disse que Santos não chegou a implantar os 2.000 pontos de wi-fi inicialmente previstos. Uma readequação feita pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia teria reduzido a meta global do projeto de 5.000 para 3.200 pontos, o que alterou a participação dos fornecedores.

Nesse novo desenho, a Urban Connect teria ficado responsável pela implantação, manutenção e monitoramento de 908 pontos.

Prefeitura nega vínculo direto

A Prefeitura de São Paulo afirmou que não há, nem houve, vínculo contratual direto entre o município e a Favela Conectada ou seu administrador.

Segundo a gestão municipal, sua relação jurídica ocorre exclusivamente com o ICB, entidade responsável pela execução da parceria e pela contratação, gestão e fiscalização de fornecedores e subcontratados.

Empresa não atua mais no projeto

A prefeitura também informou que a Favela Conectada não atua como parceira do ICB no Programa WiFi Livre desde dezembro de 2025, após a acusação de feminicídio contra Santos.

Em nota, a gestão Ricardo Nunes afirmou que “qualquer associação entre a Prefeitura de São Paulo e o crime organizado é irresponsável e leviana”.

A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia declarou ainda que os pontos contratados e pagos ao ICB foram instalados e seguem em funcionamento, e que não há irregularidades confirmadas até o momento nas investigações em andamento.

Investigação sobre dinheiro do filme

O contrato entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo é alvo de uma investigação ativa da Polícia Civil.

A apuração mira suspeitas de irregularidades no programa WiFi Livre, incluindo a possibilidade de que recursos públicos tenham sido desviados para custear “Dark Horse”.

A defesa de Karina da Gama nega desvio e sustenta que os gastos do filme têm comprovação documental. Ela não pode, porém, mostrar os documentos, alegando a existência de NDAs, cláusulas de confidencialidade com multas severas.

Aberto para posicionamentos

O caso segue em apuração. Até o momento, não há decisão judicial que confirme desvio de recursos da Prefeitura para o filme, nem comprovação pública de irregularidade na subcontratação da empresa de Santos pelo ICB.

Os bastidores do filme “Dark Horse” têm gerado repercussão há mais de um mês. O tema está em constante atualização e o espaço segue em aberto para posicionamentos, declarações e reparos das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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