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Divulgação/Disney

Filme|18 de junho de 2026

Guia da Pipoca: “Toy Story 5” é o principal lançamento de cinema

Animação da Disney/Pixar domina o circuito cinematográfico em semana de poucos lançamentos, entre eles duas produções brasileiras sobre adolescentes

O quinto filme da franquia animada “Toy Story” tem o lançamento mais amplo desta quinta (11/6), numa semana com poucas novidades. Entre os quatro títulos que completam a programação, destacam-se duas produções brasileiras sobre adolescentes. Confira todos os títulos da semana.


 
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1 🎞️ TOY STORY 5
2 🎞️ QUINZE DIAS
3 🎞️ CINCO DA TARDE
4 🎞️ A VIDA À PARTE
5 🎞️ AS CORRENTES

🎞️ TOY STORY 5

▶ Assista ao trailer

 

A 5ª aventura de “Toy Story” coloca Woody, Buzz, Jessie e os demais brinquedos diante de uma ameaça real da vida moderna: a atenção que as crianças passaram a dar para as telas. A nova antagonista é Lilypad, um tablet infantil em formato de sapo que entra na vida de Bonnie e joga os brinquedos para escanteio. A premissa desloca a crise de obsolescência que move a franquia desde 1995 para um problema contemporâneo: a infância mediada por dispositivos, aplicativos e aprovação social.

Andrew Stanton (“Procurando Nemo”, “Wall-E”), um dos nomes centrais da Pixar desde o primeiro “Toy Story”, dirige o filme com codireção de McKenna Harris, que estreia na função após trabalhar em “Luca” e “Wi-Fi Ralph: Quebrando a Internet”. A trama dá mais espaço a Jessie, novamente dublada por Joan Cusack (“Escola de Rock”), enquanto Woody, Buzz Lightyear e Garfinho voltam como parte do núcleo que tenta entender se ainda há lugar para brinquedos convencionais num quarto dominado pela tecnologia. No elenco original, Tom Hanks (“O Pior Vizinho do Mundo”) retorna como Woody, Tim Allen (“Last Man Standing”) como Buzz e Greta Lee (“Vidas Passadas”) estreia como voz a Lilypad. Para completar, o apresentador Conan O’Brien (Oscar 2026) interpreta Smarty Pants, brinquedo educativo que amplia o conflito entre utilidade, infância e imaginação.

Apesar do ceticismo em torno de mais uma continuação, o filme mantém a qualidade que encanta tanto o público infantil quanto os críticos há mais de 30 anos, justificando sua integração à franquia inaugural da Pixar. O debate sobre excesso de telas é apresentado como um questionamento existencial relevante e não apenas como piada para atualização tecnológica da marca, trazendo a discussão de forma inteligente e acessível para as crianças conectadas de hoje e seus pais.


 

🎞️ QUINZE DIAS

▶ Assista ao trailer

 

A adaptação do best-seller juvenil de Vitor Martins leva ao cinema um romance de formação centrado no desconforto de existir fora do padrão esperado na adolescência. O estreante Miguel Lallo vive Felipe, um garoto gordo, tímido e gay que sofre bullying na escola e espera as férias como refúgio: sem colegas, sem exposição e com tempo para se fechar no quarto com livros e séries. O plano cai por terra quando Rita, sua mãe, interpretada por Débora Falabella (“Avenida Brasil”), avisa que Caio, vizinho por quem Felipe teve uma paixão na infância, passará quinze dias hospedado em sua casa.

A presença de Caio, vivido pelo também novato Diego Lira, desmonta a rotina defensiva de Felipe. O que começa como pânico de convivência se transforma numa aproximação marcada por insegurança, desejo e reconhecimento, com o protagonista obrigado a lidar com a própria imagem e com o medo de ser rejeitado antes mesmo de se permitir viver uma experiência amorosa. O filme trata bullying, gordofobia, homofobia e descoberta afetiva sem deslocar o conflito para grandes eventos externos: a tensão se passa no confinamento do lar, no quarto, na mesa de casa, nas pequenas conversas e no modo como um adolescente aprende a ocupar o próprio corpo.

Daniel Lieff (“Últimas Férias”) dirige o roteiro de Ray Tavares (“De Volta aos 15”) e Vitor Brandt (“As Five”) e o elenco inclui Mariana Santos (“Minha Mãe É uma Peça”), Silvio Guindane (“Mussum, o Filmis”), Bel Moreira (“As Aventuras de Poliana”), Augusto Madeira (“O Filme da Minha Vida”) e Fernando Caruso (“Vai que Cola”).


 

🎞️ CINCO DA TARDE

▶ Assista ao trailer

 

A atriz Bárbara Luz (“Ainda Estou Aqui”) volta a trabalhar com o cineasta Eduardo Nunes, seis anos após sua estreia no cinema com “Unicórnio” (2017). O novo drama, uma coprodução entre Brasil e Portugal, tem registro em preto e branco como a própria estreia do diretor, o premiado “Sudoeste” (2011), e retoma sua investigação sobre adolescência, perda e percepção subjetiva.

Bárbara interpreta Anabel, jovem de 19 anos abalada pela morte da avó, que retorna ao apartamento onde a ausência ainda parece ocupar espaço físico. A partir desse luto, ela se aproxima de Meiko, vizinha tímida vivida por Sharon Cho, numa relação construída por hesitações, silêncio e reconhecimento mútuo.

A ligação entre as duas nasce menos de confidências diretas do que de uma convivência delicada, marcada por solidão, pertencimento e experiências que elas descobrem compartilhar. Enquanto Anabel tenta compreender a perda, uma presença estranha no apartamento da avó desloca o drama íntimo para uma zona ambígua, em que memória e imaginação se confundem sem romper o registro realista. O filme evita explicações ao acompanhar a protagonista no tempo suspenso que se abre depois da morte.


 

🎞️ A VIDA À PARTE

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O cineasta italiano Marco Tullio Giordana (“Os Cem Passos”) adapta o romance best-seller de Mariapia Veladiano em um drama familiar ambientado em Vicenza entre os anos 1980 e 2000. A história começa quando Maria, vivida por Valentina Bellè (“Medici”), dá à luz Rebecca, menina que nasce com uma grande mancha vermelha no rosto. A marca física vira escândalo íntimo dentro de uma família burguesa, porque a mãe não consegue aceitar a filha que não corresponde à imagem idealizada da maternidade.

A rejeição de Maria desloca a criação de Rebecca para Erminia, tia pianista interpretada por Sonia Bergamasco (“A Melhor Juventude”). É ela quem reconhece o talento musical da menina e oferece uma forma de existência fora do olhar de vergonha que domina a casa. A música deixa de ser ornamento dramático e passa a organizar a relação da protagonista com o mundo: um caminho de disciplina, identidade e afirmação diante de uma família que transformou o silêncio na sua herança.

O roteiro é assinado por Giordana em parceria com o veterano Marco Bellocchio (“O Traidor”) e Gloria Malatesta (“O Jogo de Mignon”), com produção também ligada a Bellocchio. O elenco também destaca Paolo Pierobon (“O Traidor”) como o pai de Rebecca.


 

🎞️ AS CORRENTES

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A premiada diretora argentina Milagros Mumenthaler retorna ao cinema após uma década com um drama psicológico sobre uma mulher que perde o eixo depois de um ato impulsivo. Lina, estilista argentina de 34 anos interpretada por Isabel Aimé González-Sola (“Happy Birthday”), está no auge da carreira e acaba de receber um prêmio em Genebra quando atravessa uma experiência-limite que decide ocultar ao voltar para Buenos Aires. O segredo não fica no passado: altera sua relação com o marido, a filha, o trabalho e o próprio corpo.

O filme acompanha essa fratura sem transformar o mal-estar em explicação imediata. Lina tenta retomar a vida doméstica e profissional, mas passa a perceber tudo de longe, como se a rotina tivesse perdido aderência. Esteban Bigliardi (“A Prática”) interpreta Pedro, marido que percebe a mudança sem conseguir nomeá-la, enquanto Claudia Sánchez integra o núcleo de relações que cercam a protagonista. A água, presente desde o incidente inicial, funciona como imagem recorrente de deslocamento, culpa e memória reprimida.

Coprodução entre Argentina e Suíça, “As Correntes” foi escrito e dirigido por Mumenthaler, que venceu o Leopardo de Ouro em Locarno por “Abrir Portas e Janelas”. O filme passou por festivais como Toronto, San Sebastián e Nova York, e recebeu atenção da crítica internacional por sua construção sensorial e elíptica, marcada menos por revelações diretas do que por ruídos, silêncios e gestos mínimos de uma personagem em desagregação.

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