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Instagram/Deolane Bezerra

Etc|19 de junho de 2026

Deolane Bezerra vira ré em denúncia por lavagem de dinheiro do PCC

Justiça aceitou denúncia do MPSP que aponta ligação da influenciadora com esquema financeiro do crime organizado


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Denúncia aceita
2 Quem também virou réu?
3 O que diz o MPSP?
4 Valores em imóveis
5 Defesa nega vínculo com crime
6 Irmã contesta acusação
7 Empresas em nome de Deolane
8 Acusação contra Marcola
9 Família Camacho nega acusações
10 Como começou a investigação?
11 Operação Lado a Lado
12 Aberto para posicionamentos

Denúncia aceita

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou ré a advogada e influenciadora Deolane Bezerra por lavagem de dinheiro e organização criminosa. A acusação aponta que ela integraria um esquema financeiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Quem também virou réu?

A denúncia foi apresentada pelo Gaeco e pelo promotor Lincoln Gakiya, conhecido por investigações contra o PCC. Além de Deolane, também se tornaram réus Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção; Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão dele; Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola; e Everton de Souza, conhecido como Player ou Temer, apontado como operador financeiro do grupo.

Deolane permanece presa preventivamente no Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A defesa tem prazo de dez dias para responder à acusação.

O que diz o MPSP?

Segundo a denúncia obtida pelo Metrópoles, Deolane teria atuado como receptora de valores ilícitos provenientes da Transportadora Lado a Lado, apontada como empresa usada para lavar dinheiro do PCC.

A investigação afirma que uma conta bancária da influenciadora recebeu depósitos fracionados da empresa. Relatórios financeiros também apontaram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada por Deolane, no valor de R$ 27.002.774,72.

Valores em imóveis

Áudios enviados a uma diarista também foram citados pelo MPSP como indício de que Deolane mantinha valores pertencentes ao crime organizado em seus imóveis e nos imóveis de seus filhos.

De acordo com a acusação, a influenciadora também teria em mãos um plano de reestruturação de empresas ligadas ao crime organizado, com transferência para fundos em Dubai, para internacionalizar a estrutura empresarial e facilitar aporte de capital estrangeiro nos negócios da facção.

Defesa nega vínculo com crime

Em nota, a defesa de Deolane, formada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, afirmou que tomou ciência do recebimento da denúncia.

“A defesa afirma que utilizará todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa, uma vez que sua cliente é inocente, seus rendimentos possuem origem lícita e regularmente declarada, e Deolane não possui qualquer vínculo com o crime organizado”, diz o comunicado.

Irmã contesta acusação

A irmã de Deolane, a advogada Dayanne Bezerra, também reagiu nas redes sociais. Ela afirmou que o Ministério Público não apresentou provas da ligação da influenciadora com o PCC.

“Ministério Público, qual o papel dele? Denunciar, né? Quer fazer justiça a todo custo. Até sem provas. Porque você entra no processo da Deolane e não tem provas”, declarou.

Segundo Dayanne, a movimentação financeira da irmã tem origem em publicidades nas redes sociais. “Só se tem a movimentação financeira dela, de publicidades que ela fez, que estão declaradas e têm contrato. Mas uma mulher pobre, nordestina, não pode ter enriquecido tanto, né? Isso afronta. Afronta muita gente”, afirmou.

Empresas em nome de Deolane

Dayanne também negou que Deolane tenha 35 empresas abertas em seu nome. “Tanto se falou pra gerar o efeito manada: ‘Deolane tem 35 empresas’. Gente, só fazer uma busca na Junta Comercial. Deolane tem cinco empresas ativas e duas inativas. Vá lá, faça uma busca simples”, disse.

A defesa de Deolane sustenta que os rendimentos da influenciadora são lícitos e regularmente declarados.

Acusação contra Marcola

Marcola também foi denunciado como beneficiário final dos repasses financeiros operacionalizados pela transportadora. Segundo o MPSP, depósitos foram documentados em favor dele, e manuscritos apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau indicariam que ele transmitia ordens sobre o esquema.

Atualmente, Marcola está preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Família Camacho nega acusações

O irmão de Marcola, Alejandro Juvenal, e os sobrinhos Paloma Sanches e Leonardo Alexsander também tiveram seus papéis descritos na denúncia. Segundo a acusação, Alejandro seria coproprietário oculto da Transportadora Lado a Lado e beneficiário central dos repasses, enquanto os filhos atuariam como mensageiros e intermediários do esquema.

Everton de Souza, o Player, é apontado como operador financeiro de Alejandro e elo entre a liderança do PCC e o gestor da empresa de fachada. Segundo a denúncia, ele coordenava repasses e indicou a conta de Deolane para receber R$ 14.500, fração de um total de R$ 29 mil que seria repartido entre irmãos ligados à cúpula da facção.

Em nota, Bruno Ferullo, advogado de Marcola, Alejandro, Paloma e Leonardo, negou as acusações. Ele afirmou que Marcola e Alejandro estão presos em presídio federal de segurança máxima, o que tornaria inviável qualquer participação nos fatos investigados. Em relação a Paloma e Leonardo, disse que “o mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa”.

Como começou a investigação?

A investigação começou em 2019, após policiais penais apreenderem bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos indicavam elementos sobre a dinâmica interna do PCC, a atuação de lideranças do crime organizado e possíveis ataques contra agentes públicos.

A Polícia Civil identificou menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques. A partir disso, os investigadores chegaram à transportadora que daria origem à segunda etapa da apuração.

Operação Lado a Lado

Deflagrada em 2021, a Operação Lado a Lado revelou, segundo as autoridades, a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, com movimentações consideradas incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.

Durante a operação, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane e vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.

De acordo com os investigadores, Deolane passou a ocupar posição de destaque no caso por causa de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e supostos indícios de conexão com o comando do PCC.

Aberto para posicionamentos

A prisão de Deolane Bezerra é parte de uma investigação em andamento com grande repercussão, mas sem condenações criminais. O tema está sujeito a constante atualização e o espaço segue em aberto para posicionamentos, declarações e reparos das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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