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Divulgação/Go Up Entertainment

Filme|21 de junho de 2026

Filme de Bolsonaro não comprova gastos após promessa de Flávio

Passados 30 dias, produtora só entregou perícia privada com discriminação genérica, sem apresentar notas fiscais nem contratos


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Prazo terminou sem contratos
2 Por que Flávio prometeu explicações?
3 O que a Go Up apresentou?
4 Por que faltou transparência?
5 Qual o orçamento real do filme?
6 Cobrança após áudio revelado
7 PF apura ligação com Eduardo
8 Aberto para posicionamentos

Prazo terminou sem contratos

Terminou na sexta (19/6) o prazo de 30 dias dado por Flávio Bolsonaro para que a Go Up Entertainment prestasse contas do financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A produtora entregou uma perícia privada com custo estimado em R$ 75 milhões num processo em São Paulo, mas não apresentou contratos, notas fiscais nem detalhamento das despesas.

Por que Flávio prometeu explicações?

O discurso do senador, realizado em 19 de maio ao lado de integrantes do PL (Partido Liberal), veio depois que o site The Intercept Brasil divulgou gravações em que ele aparece pedindo a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, o pagamento de parcelas atrasadas do patrocínio ao filme. Flávio reconheceu a veracidade do áudio, mas afirmou que os pagamentos feitos por Vorcaro eram legais, foram todos para o filme e não envolviam contrapartida. Para não deixar dúvidas, prometeu que a produtora prestaria contas em até 30 dias.

“Pedi à produtora para que se organizassem para fazer uma prestação de contas das despesas de todo mundo, de forma transparente”, disse Flávio em entrevista coletiva.

O que a Go Up apresentou?

Passado o prazo, o que veio à tona foi uma perícia privada indicando um orçamento de R$ 75 milhões: R$ 54 milhões gastos nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil. O documento, porém, não detalha despesas nem apresenta notas fiscais ou contratos.

A perícia também não foi divulgada como parte do esforço de Flávio Bolsonaro para se dissociar da polêmica. Ela integra um inquérito que investiga Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up, por suspeita de desviar dinheiro da Prefeitura de São Paulo para a produção de “Dark Horse”.

A suspeita envolve o Instituto Conhecer Brasil, entidade representada pela produtora e contratada por R$ 108 milhões pela gestão Ricardo Nunes para instalar pontos de wi-fi na periferia da capital. A Go Up e a Prefeitura de São Paulo negam irregularidades no contrato.

Por que faltou transparência?

Em sua defesa, a produtora afirmou ao Metrópoles que alguns dos maiores gastos da obra envolveram atores norte-americanos, o que teria elevado as despesas fora do Brasil. No entanto, os contratos teriam sido firmados com o chamado “non-disclosure agreement” (NDA). A chamada “cláusula de não divulgação” prevê processos milionários na Justiça dos Estados Unidos caso alguma das partes revele detalhes sobre os valores a serem pagos e as especificações do trabalho.

A principal estrela do elenco é o ator Jim Caviezel, que atuou em filmes como “Paixão de Cristo” e “Som da Liberdade”, mas está há anos fora do circuito dos grandes estúdios de Hollywood. No novo longa, ele interpreta Jair Bolsonaro. O resto do elenco é formado basicamente por atores do terceiro e quarto escalões, com algumas exceções pontuais.

Outros detalhes sobre os gastos da produção, fora do NDA, também não foram divulgados com os respectivos comprovantes. Na perícia privada apresentada no inquérito, os gastos aparecem em categorias genéricas, como desenvolvimento do projeto, pré-produção, filmagens no Brasil, filmagens nos Estados Unidos e pós-produção.

Qual o orçamento real do filme?

Na declaração de gastos, o orçamento inicial aprovado para “Dark Horse” era de US$ 16 milhões, equivalentes a R$ 89,7 milhões, o que o torna o filme mais caro já produzido no Brasil. Como comparação, “O Agente Secreto”, filme brasileiro que concorreu ao Oscar, teve custo total estimado em R$ 28 milhões.

Apesar de elevado, o valor é menor do que a quantia que teria sido negociada por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro em 2025, segundo o The Intercept Brasil. A reportagem citou diálogos sobre um fluxo de pagamentos que somaria US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões.

Cobrança após áudio revelado

A pressão pública sobre a prestação de contas aumentou a divulgação das gravações em que Flávio Bolsonaro aparece cobrando o dinheiro de Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga uma fraude bilionária ligada ao Banco Master no mercado financeiro.

Em áudio enviado a Vorcaro em 16 de novembro, Flávio demonstrou preocupação com parcelas atrasadas do patrocínio ao filme. “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”, disse o senador.

Na mesma mensagem, ele citou possíveis atrasos com integrantes da produção. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, completou.

Flávio Bolsonaro reconheceu a veracidade do áudio, mas afirmou que os pagamentos feitos por Vorcaro eram legais e não envolviam contrapartida.

PF apura ligação com Eduardo

Após a revelação de que Vorcaro enviou recursos para “Dark Horse” por meio do fundo Havengate Development, a Polícia Federal passou a investigar se o dinheiro foi usado para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O fundo tem como agente legal o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, do advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo.

Segundo o Metrópoles, o valor efetivamente pago ao filme por Vorcaro, por meio da empresa Entrepay, foi de US$ 10,6 milhões, o equivalente a R$ 61 milhões, até a prisão do ex-banqueiro e a interrupção dos repasses.

Aberto para posicionamentos

Os bastidores do filme “Dark Horse” têm gerado repercussão há mais de um mês. O tema está em constante atualização e o espaço segue em aberto para posicionamentos, declarações e reparos das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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