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Instagram/Clive Davis

Música|22 de junho de 2026

Clive Davis, que lançou Whitney Houston, Aerosmith e Springsteen, morre aos 94 anos

Executivo também revelou Janis Joplin, Santana, Patti Smith e Alicia Keys, moldando seis décadas da música americana à frente de grandes gravadoras


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Lenda da indústria musical
2 Quem Clive Davis revelou?
3 Impacto cultural
4 Do Direito à Columbia Records
5 Como entrou no mundo da música?
6 Carreira marcada pelo rock
7 De Aerosmith a Bruce Springsteen
8 Demissão e reconstrução
9 Nascimento da Arista
10 Whitney Houston mudou a gravadora
11 Parcerias com LaFace e Bad Boy
12 Retorno triunfal com Santana
13 J Records revelou Alicia Keys
14 Festa antes do Grammy virou tradição
15 Legado também chegou à educação
16 Vida pessoal

Lenda da indústria musical

Clive Davis, um dos executivos mais influentes da história da música americana, morreu nesta segunda (22/6) aos 94 anos, em sua casa em Manhattan. Ele havia sido hospitalizado recentemente por um problema respiratório.

Quem Clive Davis revelou?

Mais recentemente diretor criativo da Sony Music Entertainment, Davis comandou gravadoras como Columbia, Arista Records e J Records, venceu cinco Grammys e entrou para o Rock and Roll Hall of Fame. Ao longo de seis décadas, ajudou a lançar, reposicionar ou consolidar carreiras que atravessaram gerações.

A lista de artistas associados a Davis inclui Janis Joplin, Bruce Springsteen, Whitney Houston, Alicia Keys, Billy Joel, Santana, Aerosmith, Pink Floyd, Patti Smith, Earth, Wind & Fire, Barry Manilow, Dionne Warwick, Grateful Dead, Rod Stewart, Kelly Clarkson, Jennifer Hudson, Christina Aguilera, Kenny G, The Notorious B.I.G. e TLC.

Impacto cultural

Sua carreira atravessou transformações radicais na indústria, começando com álbuns de vinil, playlists de rádio, a ascensão e a queda da MTV, a chegada dos CDs, o sucesso dos reality shows e finalizando em plena era dos streaming, sempre com a mesma capacidade impressionante: identificar artistas capazes de mudar o mercado.

Patti Smith o definiu como alguém com “fraqueza por artistas únicos”, uma descrição que definiu sua imagem pública. Além de lançar grandes talentos da música, Davis também ajudou a transformar o perfil público do executivo musical. Deixou de ser apenas um administrador de catálogo para se tornar uma figura de bastidores reconhecida por artistas, imprensa e mercado.

Do Direito à Columbia Records

Clive Jay Davis nasceu em 4 de abril de 1932, no Brooklyn, em Nova York. Filho de Herman e Florence Davis, cresceu no bairro de Crown Heights, em uma família de classe média. Aos 18 anos, perdeu os pais em um intervalo de dez meses. A mãe morreu após uma hemorragia cerebral, e o pai sofreu um ataque cardíaco. Davis passou a morar com a irmã mais velha, Seena, enquanto estudava na Universidade de Nova York.

Como entrou no mundo da música?

Depois de se formar na NYU, recebeu bolsa integral para cursar Direito em Harvard. Formado em 1956, começou a carreira em escritórios pequenos de advocacia até aceitar, aos 28 anos, uma vaga no departamento jurídico da Columbia Records.

Davis chegou à Columbia sem histórico como colecionador de discos ou especialista em música. Para se adaptar ao setor, estudou à noite temas como direitos autorais, contratos e litígios.

Carreira marcada pelo rock

Na Columbia, Davis passou de advogado a executivo central. Foi conselheiro jurídico em 1961, vice-presidente em 1965 e presidente pouco depois.

A virada veio quando começou a participar de decisões criativas dentro da gravadora. Em 1967, ao assistir ao Monterey Pop Festival, na Califórnia, percebeu a força do rock que crescia fora do circuito tradicional das grandes gravadoras.

A apresentação de Janis Joplin com o Big Brother & the Holding Company virou um marco em sua carreira. Davis contratou a banda e ajudou a empurrar a Columbia para uma nova era, mais próxima do rock, depois de anos de foco em trilhas e repertório mais convencional. No mesmo ano, também fechou contrato com o Pink Floyd para distribuição nos Estados Unidos.

De Aerosmith a Bruce Springsteen

Em 1972, ele foi assistir a um show do Aerosmith em Nova York e ficou tão impressionado que os contratou imediatamente. Esse acordo resultou no lançamento do primeiro álbum do grupo, o autointitulado “Aerosmith”, em janeiro de 1973.

No mesmo ano, assinou com Bruce Springsteen. E uma das histórias mais repetidas por Davis envolve o cantor de Nova Jersey no início da carreira. O executivo dizia ter assinado com Springsteen por causa das letras, mas chegou a aconselhá-lo a se movimentar mais no palco.

Anos depois, ao reencontrá-lo em uma apresentação no Bottom Line, em Greenwich Village, Davis viu um artista completamente transformado, saltando e dominando o espaço. Nos bastidores, o cantor perguntou se havia se mexido o suficiente.

Demissão e reconstrução

A trajetória na Columbia terminou de forma turbulenta em 1973, quando Davis foi demitido em meio a acusações de irregularidades em despesas corporativas. Ele negou as acusações mais graves, e parte delas acabou descartada.

A saída, que abalou a indústria fonográfica, não encerrou sua influência.

Nascimento da Arista

Ele voltou ao centro do mercado rapidamente, ao criar a Arista Records em 1973, a partir da antiga Bell Records. O nome vinha da sociedade de honra de sua escola, a Erasmus Hall High School.

Na Arista, herdou Barry Manilow, contratou Aretha Franklin, Dionne Warwick, Carly Simon, Patti Smith e Grateful Dead, e abriu caminho para a fase mais popular de sua carreira como descobridor de talentos.

Whitney Houston mudou a gravadora

O maior símbolo da Arista sob Davis foi Whitney Houston. Ele assinou com a cantora em 1983, quando ela tinha 19 anos, e acompanhou pessoalmente a construção do primeiro álbum.

O disco de estreia, “Whitney Houston”, lançado em 1985, virou fenômeno com sucessos como “You Give Good Love”, “Saving All My Love for You”, “How Will I Know” e “Greatest Love of All”.

A parceria transformou Houston em uma das maiores vozes da música pop e R&B. Davis seguiu associado à artista ao longo da carreira e foi interpretado por Stanley Tucci na cinebiografia “I Wanna Dance With Somebody”, lançada em 2022.

Parcerias com LaFace e Bad Boy

No fim dos anos 1980, Davis se aproximou da LaFace Records, comandada por Antonio “L.A.” Reid e Kenneth “Babyface” Edmonds. A parceria ajudou a impulsionar nomes como TLC, Outkast e outros artistas ligados ao R&B e ao hip hop.

Mais tarde, o executivo também se associou a Sean “Puffy” Combs na Bad Boy Records, selo que lançou trabalhos de The Notorious B.I.G. e Faith Evans.

Essas alianças mostraram a capacidade de Davis de se adaptar a mudanças de linguagem, mercado e geração, mantendo presença em gêneros que iam do rock clássico ao pop, R&B e rap.

Retorno triunfal com Santana

Em 2000, Davis foi afastado da Arista pela BMG, que tinha comprado a gravadora e citou regras internas de aposentadoria. A saída coincidiu com um dos maiores triunfos de sua carreira.

Naquele mesmo ano, “Supernatural”, álbum de retorno de Santana produzido sob sua supervisão, venceu nove prêmios Grammy, incluindo Álbum do Ano, Gravação do Ano e Canção do Ano. Davis recebeu dois troféus como produtor.

O disco vendeu mais de 26 milhões de cópias no mundo e recolocou Santana no topo das paradas, com faixas como “Smooth” e “Maria Maria”.

J Records revelou Alicia Keys

Depois da saída da Arista, Davis criou a J Records em parceria com a BMG. O selo revelou Alicia Keys, que se tornou uma das artistas centrais do R&B dos anos 2000.

Na mesma fase, Davis ajudou a reposicionar Rod Stewart com a série “Great American Songbook” e manteve Barry Manilow em evidência para novas audiências.

Em 2002, assumiu o RCA Music Group e percebeu cedo o potencial comercial de “American Idol”. A partir do programa, trabalhou em lançamentos ligados a Kelly Clarkson, Jennifer Hudson e Leona Lewis.

Festa antes do Grammy virou tradição

Desde 1976, Davis organizava no sábado anterior ao Grammy uma das festas mais disputadas da indústria musical. O encontro reunia artistas, executivos e produtores e virou uma espécie de termômetro de poder do mercado fonográfico.

A festa de 2012 ficou marcada pela morte de Whitney Houston, encontrada em seu quarto no Beverly Hilton poucas horas antes do evento. Davis decidiu manter a noite, transformando o encontro em homenagem à cantora.

Legado também chegou à educação

Além das gravadoras, Davis deixou marcas institucionais. Em 2003, criou o Clive Davis Institute of Recorded Music, na Tisch School of the Arts, da Universidade de Nova York.

Ele também ajudou a estabelecer o Clive Davis Theater no Grammy Museum, em Los Angeles.

A trajetória foi revisitada no documentário “Clive Davis: The Soundtrack of Our Lives”, lançado em 2017, e em suas autobiografias sobre a indústria musical.

Vida pessoal

Davis foi casado duas vezes: com Helen Cohen, entre 1956 e 1965, e com Janet Adelberg, entre 1965 e 1985. Em sua autobiografia “The Soundtrack of My Life”, publicada em 2013, revelou ser bissexual.

O executivo deixa quatro filhos e uma influência difícil de medir apenas por números.

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