
YouTube/The Late Night with Stephen Colbert
Stephen Colbert se despede do “The Late Show” com Paul McCartney
Apresentador encerrou talk show noturno após 11 temporadas, após cancelamento ter gerado acusações de censura política
Despedida no Ed Sullivan Theater
O comediante Stephen Colbert comandou a última edição de seu talk show na noite de quinta-feira (21/5). O apresentador encerrou a trajetória de 11 temporadas à frente do programa com um bate-papo com o músico Paul McCartney, ex-membro dos Beatles, além de disparar piadas ácidas sobre sua saída forçada da grade de programação da emissora CBS.
Como foi o último programa?
A gravação de despedida começou com o comunicador expressando gratidão aos espectadores presentes no Ed Sullivan Theater, em Nova York, e ao público de casa. Colbert usou o monólogo de abertura para destacar sua abordagem editorial dos fatos cotidianos, marcada por duras críticas e sátiras políticas direcionadas ao presidente republicano Donald Trump.
“Estávamos aqui para sentir as notícias com vocês, e não sei quanto a vocês, mas eu com certeza as senti”, desabafou Colbert durante a transmissão.
O simbolismo da presença do ex-Beatle
A participação de McCartney acrescentou uma referência histórica à exibição. Foi naquele mesmo estúdio, em 1964, que a Beatlemania explodiu na cultura americana e mundial, graças às primeiras apresentações da banda transmitidas ao vivo na TV americana, durante participações no programa de Ed Sullivan.
Durante a entrevista, o cantor lembrou que, na época, os Beatles estavam “um pouco nervosos, mas éramos crianças e meio que cheios de nós mesmos”. Para completar, McCartney tocou o clássico dos Beatles “Hello, Goodbye”, acompanhado por Colbert, Elvis Costello, Jon Batiste e a banda da casa para um último momento de catarse.
Por que o talk show foi cancelado?
A decisão de retirar a atração do ar partiu da alta cúpula da CBS em julho do ano passado, sob a justificativa de cortes orçamentários e reestruturação financeira. O formato de talk show no horário nobre, consolidado nos Estados Unidos desde os anos 1950, enfrenta uma crise estrutural de longo prazo, com quedas consecutivas nos índices de audiência e fuga de receitas publicitárias para o ambiente digital.
Mesmo com as explicações de mercado, o encerramento do programa de entrevistas gerou forte reação de políticos e de analistas de mídia. Críticos apontaram a medida como uma tentativa velada de silenciar vozes críticas na televisão americana, levantando debates sobre a violação dos princípios de liberdade de expressão assegurados pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Bastidores corporativos
O encerramento da produção coincidiu com um momento de transição societária na Paramount Global, empresa que controlava as operações da CBS. Na época do anúncio, o conglomerado de mídia buscava o aval de órgãos regulamentares do governo Trump para consolidar uma fusão de negócios. Donald Trump comemorou a demissão nas redes sociais. O acordo comercial avançou e, atualmente, a rede de televisão integra os ativos da Paramount Skydance, empresa gerida pelo executivo David Ellison.
Qual era a audiência do programa?
Apesar dos problemas financeiros alegados pela CBS, o programa ostentava ótimos resultados operacionais de público. Dados aferidos pela empresa de monitoramento Nielsen apontam que a atração era o talk show noturno mais visto nas redes abertas de TV. Na atual temporada de despedida, o programa mantinha uma média de 2,1 milhões de indivíduos sintonizados por exibição.
A edição de encerramento também promoveu uma reunião de concorrentes e profissionais do segmento de entretenimento. Os apresentadores Jimmy Kimmel, John Oliver, Jimmy Fallon, Seth Meyers e Jon Stewart gravaram participações especiais no estúdio para dar conselhos bem-humorados sobre o futuro profissional do colega.