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Música|8 de maio de 2026

Morre Luiz Carlini, lendário guitarrista de Rita Lee

Músico de 73 anos foi peça fundamental do rock nacional nos anos 1970 à frente da banda Tutti Frutti


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Luto no rock nacional
2 Solos históricos de guitarra
3 A parceria histórica com Rita Lee
4 O segundo Tutti Frutti
5 Inúmeras colaborações
6 Influência e legado
7 Lembre alguns clássicos do Tutti Frutti

Luto no rock nacional

Luiz Sérgio Carlini, o gênio da guitarra que marcou a carreira de Rita Lee na década de 1970, morreu na quinta-feira (7/5), aos 73 anos. A informação foi confirmada por familiares nas redes sociais do artista, embora a causa da morte não tenha sido divulgada até o momento.

Solos históricos de guitarra

Reconhecido como um dos músicos mais importantes do rock brasileiro, Carlini fez história com seu estilo melódico e visceral. O músico ficou eternizado principalmente pelo solo de “Ovelha Negra”, clássico interpretado por Rita Lee no álbum “Fruto Proibido” (1975), que é considerado o mais influente do rock nacional.

Ele criou um estilo que mesclava o rock’n’roll dos Rolling Stones com as melodias pop da Jovem Guarda, ajudando a compor o repertório inicial da carreira de Rita Lee, que superou expectativas com grandes sucessos numa época em que o Brasil não valorizava o gênero musical.

A parceria histórica com Rita Lee

Antes de virar guitarrista de Rita Lee, Carlini já tinha a cantora no radar. Ele acompanhou de perto o nascimento do rock de São Paulo, como vizinho dos integrantes da banda Os Mutantes no bairro da Pompeia. O futuro guitarrista chegou a atuar até como roadie do grupo, carregando instrumentos e afinando a guitarra de Sergio Dias.

Quando Rita foi excluída dos Mutantes pelos irmãos Arnaldo Baptista e Sergio Dias, que queriam fazer rock progressivo, ela tentou um projeto acústico que não empolgou o público em seus primeiros shows. Por isso, acabou recorrendo ao vizinho Carlini, que tinha uma banda com o baixista Lee Marcucci e o baterista Emilson Colantonio. Com Rita à frente, o grupo foi batizado com o título de um clássico do rock’n’roll: Tutti Frutti.

A banda demorou a decolar graças a sabotagens da gravadora Phonogram, que mudou até músicas sem que Rita soubesse. A cantora se juntou a Tim Maia para destruir a sala do presidente da companhia e conseguiu romper o contrato. Em 1975, assinou com a Som Livre, ganhando carta branca para gravar como quisesse, sem interferência. O resultado foi “Fruto Proibido”, um disco cheio de hits, como “Ovelha Negra”, “Agora Só Falta Você”, “Esse Tal de Roque Enrow” e “Luz del Fuego”.

O segundo Tutti Frutti

Carlini gravou quatro discos com Rita Lee. O último foi “Babilônia”, de 1978, que marcou a entrada de Roberto de Carvalho como tecladista. Sentindo-se preterido pelo novo integrante – que viraria marido de Rita – , Carlini resolveu romper a parceria e levou consigo o nome da banda.

O guitarrista tentou manter o sucesso do Tutti Frutti com um novo cantor, Simbas, ex-Casa das Máquinas, mas a nova versão não teve o mesmo apelo comercial. Para complicar, o único disco sofreu censura da ditadura por conta de uma música, fazendo com que demorasse a ser lançado. Sem conquistar hits, a banda terminou no começo dos anos 1980.

Inúmeras colaborações

Apesar de desfazer o Tutti Frutti, Carlini não parou de tocar. Ele participou de mais de 400 colaborações com os principais roqueiros do país, incluindo Erasmo Carlos, Guilherme Arantes, Supla, Lobão, Titãs, Barão Vermelho, Camisa de Vênus e Marcelo Nova, com quem chegou a excursionar. Atualmente, integrava a banda da turnê “50 Anos Luz”, de Guilherme Arantes – com quem também gravou nos anos 1970.

Ele ainda teve a vida retratada no documentário “Luiz Carlini – Guitarrista de Rock”, lançado por Luiz Carlos Lucena em 2023.

Influência e legado

O artista deixa um legado de pioneirismo e inovação, que segue influenciando gerações. Entre os nomes que se manifestaram após sua morte, alguns chegaram a surpreender, como Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, que destacou a convivência em eventos, jams e encontros musicais. “O mestre nos deixou, que triste notícia. Carlini era gigante com e sem a guitarra, um instrumento que amava mais que tudo, um pioneiro”, escreveu o metaleiro.

Roberto Frejat, fundador do Barão Vermelho, foi além e definiu Carlini como amigo e mestre, lembrando a convivência regada a rock e guitarras. “Eu hoje perdi um grande amigo e um mestre. O carinho, o amor e a admiração que eu tenho por ele não tem tamanho. São décadas de amizade, música, guitarras e muitas gargalhadas”, escreveu.

Lembre alguns clássicos do Tutti Frutti

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