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Divulgação/Go Up Entertainment

Filme|28 de maio de 2026

Mensagens ligam Eduardo Bolsonaro a recursos de “Dark Horse”

Intercept Brasil e Agência Pública revelam conversas, contratos e repasses ligados ao filme sobre Jair Bolsonaro


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1 Mensagens expõem bastidores do financiamento
2 Como Eduardo aparece nas conversas?
3 Quem aparece citado na operação?
4 Documentos indicam tentativa de conta no exterior
5 Contrato ainda citava “Capitão do Povo”
6 Especialistas viram alerta na estrutura
7 Qual é a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro?
8 O que Eduardo Bolsonaro diz?
9 Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro
10 O que a Polícia Federal investiga?
11 Aberto para posicionamentos

Mensagens expõem bastidores do financiamento

Novas mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil ampliaram a apuração sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Depois de revelar áudios em que Flávio Bolsonaro (PL) cobrava Daniel Vorcaro por repasses milionários para o filme, o site publicou conversas atribuídas a Eduardo Bolsonaro (PL) sobre o envio de recursos ao exterior para a produção.

Como Eduardo aparece nas conversas?

Segundo o Intercept Brasil, uma mensagem atribuída a Eduardo Bolsonaro foi encaminhada em 21 de março de 2025 por Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No texto, o político do PL defendia que a maior quantidade possível de recursos fosse enviada enquanto ainda estivesse disponível o modelo de remessa discutido entre os envolvidos.

Na mensagem, Eduardo afirma que o ideal seria “enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual”. Em seguida, ele explica que a demora poderia afetar o cronograma de “Dark Horse”: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemática, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos. Meu receio é que você seja solícito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”.

Quem aparece citado na operação?

A mesma mensagem menciona Altieris Santana, descrito como alguém que “está a disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja.” Santana é um dos controladores do Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas que recebeu depósitos ligados ao filme.

O Havengate aparece nas apurações em sociedade com Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A estrutura é apontada nas reportagens como parte do caminho financeiro discutido para viabilizar a produção da cinebiografia.

Documentos indicam tentativa de conta no exterior

A Agência Pública também publicou documentos relacionados à movimentação de dinheiro para “Dark Horse”. Segundo o site, Eduardo Bolsonaro e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, buscaram uma empresa com atuação na Hungria e na Holanda para mover recursos destinados ao longa.

A produtora teria preparado uma minuta de contrato com a Freeway Cam B.V. para que a empresa atuasse como “escrow agent” do filme. Esse tipo de conta funciona como uma custódia temporária de valores, liberados mediante autorização das partes envolvidas.

De acordo com a reportagem, a minuta é datada de 7 de fevereiro de 2024 e apresenta Eduardo Bolsonaro como “financiador” do filme. Karina Ferreira da Gama aparece como produtora. A Freeway Cam B.V. é descrita como empresa de origem holandesa, com endereço principal em Budapeste, na Hungria.

Contrato ainda citava “Capitão do Povo”

O documento seria um adendo a outro contrato de produção, assinado em 30 de janeiro de 2024. Ele autorizaria a Freeway a realizar pagamentos ao diretor e roteirista Cyrus Nowrasteh, quando o projeto ainda usava o título provisório “Capitão do Povo”.

A Agência Pública informou que a minuta não tinha assinaturas. Outro documento citado pelo site indica que a Go Up Entertainment buscou uma entidade do mesmo grupo, a Freeway Entertainment, para fazer um pagamento de US$ 57,5 mil ao diretor do filme. A ordem de pagamento teria sido feita por meio da New Path Pictures Inc., sediada na Califórnia.

À Agência Pública, Martijn Meerstadt, co-CEO da Freeway e diretor corporativo da Stichting Freeway Custody, negou envolvimento com “Dark Horse”, mas confirmou que houve contato para prestação de serviços. Segundo ele, a empresa foi procurada para oferecer soluções de partilha de receitas e relatórios para a produção, mas recusou a oportunidade.

Especialistas viram alerta na estrutura

Especialistas ouvidos pela Agência Pública apontaram sinal de alerta na tentativa de uso de empresas no exterior para pagamentos relacionados ao filme. A preocupação citada pela reportagem envolve a possibilidade de dificultar a identificação da origem dos recursos.

O Intercept Brasil já havia revelado um contrato firmado em novembro de 2023 e assinado por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024. O documento colocava a Go Up Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora de “Dark Horse”, e atribuía a Eduardo e ao deputado federal Mário Frias (PL) a função de produtores executivos.

Segundo o contrato publicado pelo site, as atribuições incluíam o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.

Qual é a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro?

A crise em torno do orçamento de “Dark Horse” ganhou força após o Intercept Brasil revelar que Daniel Vorcaro teria repassado cerca de R$ 61 milhões ao longa-metragem. Flávio Bolsonaro inicialmente negou conhecer o banqueiro em público, mas depois admitiu a interlocução para buscar investimentos privados para o filme, inclusive o visitando pessoalmente durante o período em que esteve em prisão domiciliar.

O portal informou que Vorcaro fez seis transações entre fevereiro e maio de 2025. O valor integraria um acordo maior, de R$ 134 milhões, suspenso depois que o dono do Banco Master entrou na mira da Operação Compliance Zero. Uma das conversas entre Flávio e o empresário ocorreu em 16 de novembro de 2025, na véspera da prisão de Vorcaro.

Flávio nega irregularidades. O senador afirma que buscava patrocínio privado para um filme sobre a história do pai, sem uso de dinheiro público, sem oferta de vantagens indevidas e sem intermediação de negócios com o governo.

O que Eduardo Bolsonaro diz?

Antes da publicação do contrato, Eduardo Bolsonaro negava qualquer recebimento ligado ao dono do Banco Master. “A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria. Se isso tivesse acontecido, o próprio governo americano me puniria”, afirmou o político em 14 de maio.

Depois que o Intercept Brasil publicou sua assinatura no contrato, Eduardo admitiu ter ocupado a função de produtor-executivo de forma provisória, segundo sua versão, para garantir a participação de um cineasta estrangeiro no projeto. “Peguei R$ 350 mil, transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos para garantir o contrato com um diretor de Hollywood”, declarou em vídeo divulgado nas redes sociais.

Eduardo afirmou que deixou a posição de produtor executivo quando um grupo de investidores assumiu o projeto. Ele também acusou o Intercept Brasil de fazer publicações direcionadas para prejudicar Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência.

“O Intercept está fazendo um vazamento seletivo, algo criminoso para tentar assassinar a reputação do Flávio Bolsonaro, porque ele lidera as pesquisas para presidente. Acabou de sair agora mais uma matéria falando, né, ou sugerindo que eu estou sendo bancado, financiado nos Estados Unidos por Daniel Vorcaro. Eu acho que nada melhor do que vir aqui a público falando diretamente com vocês, que é muito melhor do que passar pelo crivo do Intercept do que será publicado”, disse.

Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro

O político também negou que Daniel Vorcaro tenha repassado recursos diretamente a ele. “Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro é mentiroso. Eu recebi o dinheiro de volta por conta do contrato com a produtora, mas isso não passou pelo fundo. E recebi o dinheiro que era meu”, afirmou.

A defesa de Mário Frias apresentou versão diferente da explicação dada por Eduardo. Em nota enviada à imprensa, os advogados afirmaram que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme ‘Dark Horse’ e nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.

O que a Polícia Federal investiga?

A Polícia Federal investiga o destino dos recursos ligados ao investimento de Daniel Vorcaro em “Dark Horse”. Segundo a Folha de S. Paulo, uma das linhas de apuração busca saber se valores relacionados ao Banco Master foram usados para bancar a permanência de Eduardo Bolsonaro e de sua família nos Estados Unidos, onde vivem desde março de 2025.

A Folha também informou que os investigadores apuram se a verba financiou indiretamente ações de lobby de Eduardo junto ao governo de Donald Trump. A investigação tenta verificar se houve relação entre essas articulações e medidas adotadas contra o Brasil, como o tarifaço sobre produtos brasileiros, a revogação de vistos de autoridades e a aplicação da Lei Magnitsky contra integrantes do STF e do governo nacional.

O caso do Banco Master está sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Até a publicação desta matéria, não havia registro público de pedido de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de Flávio Bolsonaro ou Eduardo Bolsonaro no âmbito do processo conduzido pelo ministro.

Aberto para posicionamentos

Os bastidores do filme “Dark Horse” têm gerado repercussão nas últimas semanas. O tema está em constante atualização e o espaço segue em aberto para posicionamentos, declarações e reparos das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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