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Divulgação/A24

Filme|28 de maio de 2026

Guia da Pipoca: Cinemas recebem terror que está dando o que falar

"Backrooms" é o principal destaque da semana no circuito cinematográfico, que também recebe "A Revolução dos Bichos", "Golpe Explosivo" e o novo filme de Pedro Almodóvar

A programação de cinema desta quinta (28/5) destaca um terror que está dando o que falar no circuito internacional, uma animação que frustrou a crítica, um thriller de ação intenso, o novo filme de Pedro Almodóvar e uma vingança de nerd brasileiro, entre outras opções. Confira a lista completa das estreias da semana.


 
Pipoque pelo Texto ocultar
1 🎞️ BACKROOMS: UM NÃO-LUGAR
2 🎞️ GOLPE EXPLOSIVO
3 🎞️ NATAL AMARGO
4 🎞️ CHOPIN, UMA SONATA EM PARIS
5 🎞️ FORA DE CONTROLE
6 🎞️ A REVOLUÇÃO DOS BICHOS
7 🎞️ CANSEI DE SER NERD
8 🎞️ COPAN

🎞️ BACKROOMS: UM NÃO-LUGAR

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O terror psicológico, que vem causando frisson entre a crítica internacional, adapta para as telas uma das lendas urbanas mais célebres e difundidas da internet contemporânea. O projeto é dirigido pelo jovem cineasta Kane Parsons, que ganhou projeção global ao criar de forma independente uma série de curtas de ficção científica e horror no YouTube que serviram de base para a produção de estúdio. Realizado em parceria com a produtora A24, o filme adota a linguagem estilística do found footage para construir inquietação visual.

A história se aprofunda no conceito dos espaços liminares, acompanhando indivíduos que acidentalmente saem da realidade convencional e ficam aprisionados em um labirinto infinito de salas comerciais vazias, caracterizadas por paredes de cor amarela pálida, carpetes úmidos e o zumbido incessante de luzes fluorescentes defeituosas, sem qualquer visualização de saída. O enredo explora o desespero psicológico provocado pelo isolamento em um não-lugar geográfico e pela iminência de ameaças invisíveis que habitam o complexo de corredores desérticos. Os personagens principais precisam decifrar a lógica física alterada daquele ambiente para tentar retornar ao mundo exterior.

O elenco da produção traz a atriz norueguesa Renate Reinsve (“A Pior Pessoa do Mundo”), o ator e diretor Mark Duplass (“Creep”) e o veterano Chiwetel Ejiofor (“12 Anos de Escravidão”) nos papéis principais. A direção de arte reproduz minuciosamente os cenários minimalistas e repetitivos que caracterizavam os vídeos digitais originais de Parsons, focando no desconforto sensorial provocado pela ausência de pontos de referência tradicionais. O longa aposta na tensão derivada do som ambiente e na sensação de constante vigilância em espaços desabitados.


 

🎞️ GOLPE EXPLOSIVO

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O mais recente trabalho assinado pelo diretor escocês David Mackenzie, reconhecido internacionalmente por “A Qualquer Custo” e “Legítimo Rei”, é um thriller de ação que combina elementos tradicionais de assalto cinematográfico com uma situação de crise civil realista.

A trama se desenrola na cidade de Londres, que é tomada por uma onda de pânico generalizado após a descoberta acidental de uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial em um canteiro de obras no centro da metrópole. Enquanto as autoridades militares iniciam uma evacuação em massa de milhares de moradores da região, um grupo de criminosos aproveita o esvaziamento do perímetro de segurança para a execução de um audacioso roubo de joias, perpetrado sob a cobertura perfeita da distração governamental. A cinematografia explora a claustrofobia dos túneis subterrâneos e a urgência do tempo delimitado pela ameaça real de detonação do artefato militar.

Os papéis principais são vividos por Aaron Taylor-Johnson (“Kraven: O Caçador”), que interpreta o Major Will Tranter, especialista militar em desarmamento de explosivos, e por Theo James (“The White Lotus”), que encarna o calculista líder do assalto e perito em diamantes Karalis. O ator Sam Worthington (“Avatar”) e a atriz Gugu Mbatha-Raw (“Loki”) completam o elenco.


 

🎞️ NATAL AMARGO

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O drama espanhol marca o retorno do aclamado diretor e roteirista Pedro Almodóvar ao cinema falado em sua língua nativa, após experiências recentes com produções em língua inglesa. O longa espanhol foi selecionado para a competição oficial do Festival de Cannes, onde colheu os primeiros elogios da crítica internacional por sua abordagem madura a respeito da dor e dos processos criativos. A produção desenvolvida pela El Deseo destaca-se por trazer uma atmosfera íntima, melancólica e assumidamente pessoal, características que tem marcado a fase mais recente do cineasta.

A estrutura narrativa se divide em duas linhas temporais intrincadas que se fundem através do processo de escrita. A primeira se passa em Madri, em dezembro de 2004, sob uma forte tempestade de fim de ano. Elsa, uma cineasta cult que abandonou a carreira cinematográfica para dirigir comerciais, é atormentada por enxaquecas severas e crises de pânico repentinas, que ela descobre estarem ligadas ao primeiro aniversário da morte de sua mãe, um luto que jamais conseguiu processar. Ela é amparada por seu namorado, Bonifacio, um jovem bombeiro que trabalha nas horas vagas como stripper sob o codinome “Beau”. Para tentar escapar do colapso, Elsa viaja para as Ilhas Canárias acompanhada de sua amiga Patricia, uma jovem mãe em crise conjugal, e lá encontra inspiração para redigir um novo roteiro baseado nas dores da amiga. No entanto, a narrativa dá um salto para 2026 e revela que Elsa e Bonifacio são, na verdade, personagens fictícios criados por Raúl Durán, um consagrado e envelhecido diretor de cinema que enfrenta um severo bloqueio criativo. Raúl está escrevendo essa história diretamente em seu computador para expurgar as crises de ansiedade que ele mesmo viveu no passado, utilizando Bonifacio como um alter ego de seu atual companheiro, Santi.

O conflito central se adensa e atinge seu ápice moral quando as fronteiras da realidade de Raúl são violadas em nome da arte. Sua assistente de longa data, Mónica, que há 20 anos gerencia sua carreira, é obrigada a se afastar para apoiar sua namorada após uma tentativa de suicídio. Ao compartilhar seu sofrimento com Raúl em busca de acolhimento amigável, ela descobre que o diretor passa a canibalizar e transcrever os detalhes íntimos da tragédia diretamente para o roteiro de Elsa. A traição criativa gera um forte embate sobre os limites da exploração da dor alheia pelo ego do artista.

O elenco principal destaca Bárbara Lennie (“Todos Já Sabem”) na pele da vulnerável Elsa, Leonardo Sbaraglia (“Dor e Glória”) entregando uma atuação precisa como o obstinado Raúl Durán, Patrick Criado (“As Linhas Tortas de Deus”) como Bonifacio e Aitana Sánchez-Gijón (“Mães Paralelas”) no papel de Mónica, figura que se revela o verdadeiro coração invisível da trama. O longa conta ainda com participações de Quim Gutiérrez (“Klaus”), Verónica Luengo (“Suro”) e uma aparição especial da icônica Rossy de Palma (“Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”). Embalado por interpretações dilacerantes, o desfecho recontextualiza o que parece ser apenas uma compilação de marcas registradas do diretor, transformando o filme em um exercício visceral e assustador sobre o preço da imortalidade artística.


 

🎞️ CHOPIN, UMA SONATA EM PARIS

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A biografia polonesa foca um recorte específico da vida de Frédéric Chopin. Dirigido por Michał Kwieciński (“Amanhã Irá Ser Melhor”), o longa-metragem acompanha o jovem Chopin, aos 25 anos, que se encontra no ápice de sua carreira e vira o centro das atenções nos salões da alta sociedade francesa. Enquanto compõe suas maiores obras-primas, muitas vezes por encomenda, ele se vê obrigado a dar aulas particulares de piano para garantir o próprio sustento financeiro.

O enredo detalha a pressão psicológica sofrida pelo músico, que precisa gerenciar o assédio de admiradores e amantes ao mesmo tempo em que lida com a consciência de que sua vida está se esvaindo rapidamente. O conflito central amadurece quando ele compreende que a música deve imperar sobre todas as distrações mundanas.

O papel do protagonista é interpretado por Eryk Kulm (“Filip”), acompanhado no elenco por Joséphine de La Baume (“O Dia Segue à Noite”) e Victor Meutelet (“Emily em Paris”). A reconstituição de época e o cuidado com as execuções musicais servem como pilares para contextualizar o movimento romântico do século 19 e revelar os bastidores da fama artística na Europa oitocentista.


 

🎞️ FORA DE CONTROLE

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O suspense psicológico francês coloca Omar Sy (“Lupin”) e Élodie Bouchez (“A Vida de Ada”) no centro de uma crise matrimonial após 15 anos de casamento. Quando Anaëlle, grande amor de juventude de Julien (Sy), reaparece, Marie (Paradis) entra em pânico. Consumida pelo ciúme e por uma crescente insegurança, ela tenta retaliar e acaba se envolvendo em um caso extraconjugal com Thomas, seu superior hierárquico no trabalho. O conflito atinge o ápice quando Thomas revela um comportamento extremamente manipulador e perigoso, transformando o deslize em uma espiral de chantagem e ameaças profissionais e familiares.

Dirigido e roteirizado pela cineasta francesa Anne Le Ny (“Os Convidados do Meu Pai”), o filme analisa o impacto devastador de segredos e impulsos passionais na aparente estabilidade de uma família de classe média, e realiza uma transição fluida entre o drama romântico e o suspense psicológico de teor corporativo. Vanessa Paradis (“Demasiada Felicidade”) e José Garcia (“O Discurso de um Rei”) completam o elenco central.


 

🎞️ A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

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A animação baseada na famosa sátira do escritor George Orwell opta por simplificar e infantilizar os profundos elementos de crítica social da obra original, transformando a alegoria política em um enredo convencional e comercial para crianças. Publicado originalmente em 1945, o livro de Orwell acompanhava um grupo de animais de fazenda que se rebela contra seu dono humano para criar uma sociedade livre e igualitária. O sonho utópico, no entanto, é logo corrompido quando os porcos tomam o poder, instaurando um regime autoritário tão opressor quanto o anterior, em uma clara alegoria ao stalinismo pós-Revolução Russa.

Apesar de manter as premissas básicas dos mandamentos do “Animalismo”, a versão de cinema utiliza um tom extremamente leve, apelando para o humor físico e piadas rasas. Além disso, o filme do diretor Andy Serkis (“Mogli: Entre Dois Mundos”) implementa atualizações drásticas na ambientação. A trama se passa em um futuro distópico com ares de “Blade Runner”, onde vive Freida Pilkington, a CEO de uma megacorporação agrícola, dublada pela veterana Glenn Close (“A Esposa”). A personagem não existe no livro.

A inclusão de uma antagonista humana e corporativa desvirtua um dos pontos mais importantes do romance de Orwell: no livro original, não há um megavilão humano, pois são os próprios porcos que, sozinhos, gradativamente se corrompem pelo poder, culminando na famosa cena em que passam a andar sobre duas patas, vestir roupas humanas e fechar negócios, tornando-se indistinguíveis dos antigos opressores.

Apesar da abordagem divisiva, a produção reuniu um elenco de dubladores de peso na versão em inglês. Além de Glenn Close, o time de vozes originais inclui nomes de destaque como Seth Rogen (“O Estúdio”), Woody Harrelson (“Triângulo da Tristeza”), Kieran Culkin (“Succession”), Gaten Matarazzo (“Stranger Things”), Laverne Cox (“Orange Is the New Black”), Jim Parsons (“The Big Bang Theory”), Iman Vellani (“As Marvels”) e Kathleen Turner (“Tudo por uma Esmeralda”). Nem isso impediu o linchamento público pela crítica, que resultou em apenas 27% de aprovação no Rotten Tomatoes.

 

🎞️ CANSEI DE SER NERD

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Estreia do diretor de arte Gualter Pupo (“Chatô: O Rei do Brasil”) no comando de longas, a comédia brasileira segue Aírton (Fernando Caruso, de “Vai Que Cola: O Filme”), um nerd convicto que vai ao reencontro de sua turma de faculdade decidido a limpar seu nome após um episódio traumático do passado, recuperar o amor de sua vida e desmascarar um culto alienígena vegano. O roteiro de Renato Fagundes (“Sob Pressão”) explora elementos de mistério onde a paranoia do protagonista pode ser tanto neurose quanto percepção aguda da realidade, enquanto o diretor reforça os signos da cultura pop na estética da produção.

A produção brasileira se destaca por não tratar o protagonista como figura caricata, mas como um homem complexo cuja obsessão por cultura pop e ficção científica se torna ferramenta de investigação. Pedro Benevides (“Peçanha Contra o Animal”) e Bia Guedes (“Novo Mundo”) integram o elenco que orbita o universo de Aírton.


 

🎞️ COPAN

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O documentário premiado no festival É Tudo Verdade revela o que acontece dentro do famoso edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer em São Paulo. A narrativa adota uma estrutura de mosaico humano para retratar o cotidiano e a convivência dos milhares de habitantes que residem nos blocos do complexo residencial. O enredo documental investiga os conflitos diários relativos à administração interna, os debates sobre a representação democrática em assembleias locais e a iminência de atritos ideológicos entre vizinhos. O foco reside nas dinâmicas de poder e nos discursos de ódio e afeto que tensionam a rotina de um microssistema composto por mais de cinco mil moradores.

A abordagem da diretora estreante Carine Wallauer revela como o prédio funciona como microcosmo das tensões urbanas e sociais da cidade, transformando o edifício em personagem central de uma história sobre poder, pertencimento e a relação entre espaço arquitetônico e comunidade. O documentário não se limita a celebrar a arquitetura, mas investiga quem realmente vive dentro dela e como as decisões burocráticas afetam moradores reais.

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