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Marcelo D2 é processado por direitos autorais
Rapper é acusado de regravar música de sambista sem autorização, omitir nome artístico e não pagar direitos
O rapper e a sambista
O rapper Marcelo D2 e a gravadora Universal Music Brasil foram acionados judicialmente por violação de direitos autorais. A ação foi movida pela cantora e compositora Maria Tereza Gomes, conhecida pelo nome artístico Geovana, icônica sambista da Velha Guarda. De acordo com a assessoria jurídica da artista, o processo foi protocolado na última quarta-feira (13/5), data que carrega o simbolismo de marcar a celebração da abolição da escravatura.
Qual é a acusação?
A gravadora e o cantor incluíram uma regravação da música “Tataruê”, de autoria de Geovana, no repertório do álbum “Manual Prático Do Novo Samba Tradicional, Vol. 3”, lançado por D2 em 2025. De acordo com a coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo, a autora alega que nenhuma das partes fez qualquer contato prévio para solicitar a liberação da faixa.
Além de ignorar a necessidade de autorização, a Universal Music Brasil e o rapper não teriam repassado nenhum valor financeiro à sambista pelo uso comercial da obra. A defesa de Geovana ressalta ainda que a Universal já não detinha os direitos de administração da referida composição há muitos anos, tornando a movimentação ilegal.
Houve erro nos créditos da faixa?
A negligência apontada no processo se estendeu também aos créditos oficiais da canção nas plataformas digitais. O nome artístico de Geovana foi completamente omitido da ficha técnica do álbum de Marcelo D2. Em vez de utilizarem o pseudônimo pelo qual ela é reconhecida na cultura popular, os responsáveis inseriram apenas o seu nome de registro civil e, ainda assim, com a grafia incorreta.
Para os representantes da sambista, o episódio ilustra o recorrente “apagamento” sofrido por autores populares e mulheres da Velha Guarda do samba no mercado fonográfico.
O que disse D2?
A Elemess Music, empresa responsável pela gestão de carreira de Marcelo D2, emitiu um posicionamento oficial negando qualquer irregularidade jurídica no uso da música “Tataruê”. Segundo a representante do rapper, todas as autorizações legais e contratuais necessárias para a regravação da obra foram devidamente concedidas pela Universal Publishing, responsável pela administração editorial da obra, “seguindo integralmente os trâmites legais e contratuais necessários”.
A empresa de gerenciamento artístico assegura que a identificação da autoria da compositora da Velha Guarda está regular nas plataformas de distribuição musical e nos serviços de streaming. A manifestação contesta a acusação de omissão ou adulteração do nome de registro na ficha técnica do projeto. “O reconhecimento da participação autoral da compositora sempre esteve formalmente registrado nos créditos oficiais da obra”, detalhou o comunicado.
Houve tentativa de diálogo?
De acordo com o posicionamento emitido, o estafe do cantor e a editora musical tentaram estabelecer canais de comunicação com os representantes da sambista antes que o caso fosse levado aos tribunais. A nota aponta que foram feitas propostas para impulsionar a imagem da autora.
“Desde o primeiro contato realizado pelos representantes da artista, tanto a equipe de Marcelo D2 quanto a própria editora se colocaram integralmente à disposição para dialogar e colaborar no que fosse necessário, inclusive em questões relacionadas à ampliação de visibilidade e reconhecimento da compositora. Houve, inclusive, respostas formais registradas por e-mail demonstrando abertura para construção conjunta de tais ações”, relatou a assessoria.
“A Elemess Music ressalta que não existe qualquer irregularidade jurídica envolvendo a utilização da obra e reafirma seu compromisso com o respeito aos compositores, à cadeia autoral e à correta atribuição de créditos autorais na música brasileira”, concluiu o texto.