
Divulgação/Go Up Entertainment
Produtora admite que Vorcaro viabilizou mais de 90% de “Dark Horse”
Dona da GoUp diz que banqueiro foi responsável por viabilizar o longa sobre Jair Bolsonaro, mas insiste que ele não foi investidor direto, contradizendo Flávio Bolsonaro
Nova versão sobre Vorcaro
Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, afirmou que Daniel Vorcaro ajudou a viabilizar mais de 90% de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Em entrevista à GloboNews nesta terça-feira (19/5), ela disse que o projeto está em pós-produção e que o orçamento já realizado gira em torno de US$ 13 milhões (cerca de R$ 65 milhões).
Mudança sensível
A declaração amplia a disputa em torno do papel do ex-banqueiro no longa. Até então, a produtora vinha negando “categoricamente” que Vorcaro tivesse colocado dinheiro no filme.
No dia 13 de maio, a GoUp publicou nota afirmando que não havia “um único centavo” de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de empresas sob seu controle no projeto. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Karina reforçou o teor da nota, afirmando que não tinha “absolutamente nenhum recurso” oriundo do banqueiro ou de empresas ligadas a ele.
Novo áudio de Mário Frias
O deputado federal Mário Frias, escritor, produtor e ator no longa, também repetiu a negativa no mesmo dia. Nesta terça, porém, o Intercept Brasil divulgou uma gravação de Frias para Vorcaro em que ele agradece o apoio e diz que precisava manter o banqueiro informado sobre o andamento da produção. “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”, afirmou o deputado no áudio.
Um dia antes, Frias participou de uma bate-papo com o ativista de direita Paulo Figueiredo na internet em que adiantou o tema da conversava vazada. Na ocasião, ele insistiu na versão de que não havia dinheiro de Vorcaro no filme, mas afirmou pela primeira vez que o banqueiro preso ajudou a intermediar dinheiro para a produção.
Intermediador ou investidor?
A produtora de “Dark Horse” seguiu a mesma linha na explicação para a GloboNews. Segundo ela, Vorcaro não teria atuado como investidor, mas como intermediador de verba para o longa. Ela insistiu que a GoUp não recebeu recursos diretamente de Vorcaro nem de empresas ligadas a ele.
Karina afirmou ainda que a produção precisou buscar novos financiadores para seguir com a filmagem, que foi finalizada em 8 de dezembro de 2025, 21 dias após a primeira prisão do banqueiro.
Essa linha contrasta com a versão de Flávio Bolsonaro, que afirma que Vorcaro foi um investidor do filme. Nos primeiros áudios revelados pelo Intercept, o senador aparece cobrando diretamente dinheiro do banqueiro para a produção.
Segundo o Intercept, com informações confirmadas por outros veículos, as investigações da Polícia Federal apontam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a origem dos recursos do filme. Os valores foram depositados no fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
A contradição de Flávio Bolsonaro
Em paralelo à entrevista da produtora na GloboNews, Flávio Bolsonaro convocou uma entrevista coletiva em que afirmou ter pedido uma prestação de contas das despesas do projeto. “Pedi à produtora para que se organizassem para fazer uma prestação de contas das despesas de todo mundo, de forma transparente”, afirmou o parlamentar depois de uma reunião com líderes do PL.
Ele também revelou nesta terça, pela primeira vez, que visitou Vorcaro após a decretação da prisão domiciliar do banqueiro.
“Eu fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, disse o senador, contradizendo mais uma vez a produtora e Mario Frias sobre o papel de Vorcaro no longa.
Emendas na mira
Karina também falou no noticiário do grupo Globo sobre outra frente de captação sob a mira da Justiça em sua estrutura empresarial. Segundo ela, a Academia Nacional de Cultura, empresa dela, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas PIX para a produção da série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que Não se Rendem”.
A produtora disse que o projeto não saiu do papel porque uma das emendas, da então deputada Carla Zambelli, foi bloqueada por decisão do ministro Flávio Dino, do STF, por não cumprir os requisitos exigidos para esse tipo de repasse. As emendas estão sob apuração preliminar aberta na semana passada pelo ministro.
Karina afirmou que o bloqueio inviabilizou a série, que contaria histórias de nomes como José de Anchieta e Dom Pedro I. Os repasses foram enviados por Marcos Pollon, Bia Kicis, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, todos políticos do PL como Mário Frias e Flávio Bolsonaro.
Aberto para posicionamentos
O envolvimento de Daniel Vorcaro com o filme “Dark Horse” é uma investigação em andamento sem conclusões criminais. O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.