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Globoplay/GloboNews

TV|14 de maio de 2026

Juliano Cazarré propaga dados falsos na GloboNews

Ator usou espaço em debate na TV para promover curso voltado ao público masculino e acabou desmentido por especialistas

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Debate marcado por desinformação
2 Qual foi a estatística falsa apresentada?
3 A realidade da violência no país
4 Correções técnicas ao vivo
5 Como o artista justificou seu curso?
6 O que os especialistas responderam?
7 Repercussão e críticas nas redes

Debate marcado por desinformação

O ator Juliano Cazarré apresentou estatísticas inventadas sobre assassinatos de homens durante um debate sobre masculinidade exibido pela GloboNews na terça-feira (12/5), do qual também particiapram a psicanalista Vera Iaconelli e o consultor em equidade de gênero Ismael dos Anjos. Cazarré aproveitou a participação no canal para divulgar o projeto O Farol e a Forja, classificado por ele como o principal evento para o público masculino no país.

Qual foi a estatística falsa apresentada?

Durante a conversa, o artista declarou, sem apresentar fontes, que a letalidade feminina contra parceiros supera os índices de feminicídio. “Mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres. Tem 2.500 homens assassinados por mulheres no período em que nós tivemos 1.500 mulheres assassinadas por homens”, atestou Juliano Cazarré. A psicanalista Vera Iaconelli, presente na bancada, disse desconhecer a contagem.

A revista Veja publicou uma reportagem na quarta-feira (13/5) atestando que os números informados pelo ator são amplamente repudiados por especialistas. A publicação apontou que os dados surgiram originalmente em um vídeo do TikTok, que aplicou uma estatística global de 2013, na qual 6% das vítimas masculinas foram mortas por parceiras, sobre o montante de 46 mil homens assassinados no Brasil em 2024.

A realidade da violência no país

O portal G1 já havia desmentido o mesmo levantamento falso no ano passado. O veículo explicou que a contagem distorcida mistura crimes de violência urbana, cenário onde a população masculina concentra historicamente tanto o papel de vítima quanto o de agressor principal.

Em contraste com a narrativa apresentada pelo ator, o Brasil atingiu em 2025 o seu recorde de feminicídios desde a tipificação do crime na lei em 2015. O país contabilizou 1.470 mortes do tipo, o que representa uma média de quase quatro mulheres assassinadas diariamente por questões exclusivas de gênero.

Correções técnicas ao vivo

Durante o debate promovido e exibido pela GloboNews, Ismael dos Anjos precisou intervir para corrigir as afirmações do ator. Ele esclareceu que o número de quase 1.500 mortes mencionado pelo ator corresponde apenas aos registros classificados especificamente como feminicídio, enquanto o total de mulheres assassinadas no país é muito superior a esse recorte.

“Feminicídio é um crime específico, que é quando uma mulher morre por ser mulher… Porque ela não aceitou uma separação, porque esse marido quer controle sobre o corpo dela”, disse Ismael, ressaltando que a classificação penal ocorre quando o agressor tenta exercer domínio sobre as escolhas da vítima.

O especialista também rebateu Cazarré de forma direta quando o ator questionou se crimes passionais, motivadas por ciúmes, entrariam na mesma categoria jurídica. Dos Anjos advertiu que a Justiça e a sociedade não devem utilizar termos que romantizem crimes, argumento reforçado por Vera Iaconelli. “Crime passional não é uma coisa que a gente usa mais, porque se é paixão, não deveria ser crime”, afirmou a psicanalista.

Como o artista justificou seu curso?

Ao defender o próprio projeto de mentoria, Cazarré argumentou que sua intenção é formar homens que sirvam. Ele ainda declarou que “o homem que não sabe resolver um problema é em si um problema”.

“O meu curso é só um pouco de bom senso, sabe? É só também a gente começar a falar ‘a gente também não é a pior coisa do mundo’. Nem todo homem é um opressor”, afirmou.

“Eu estou falando para essa galera que foi esquecida. Eu estou falando para os homens e meninos que estão há 20 anos ouvindo que todos eles são tóxicos só pelo fato de serem homens”, declarou, antes de completar: “A gente vive numa cultura do estupro, que todo homem é um assassino em potencial. Esses caras não são assassinos em potencial, são homens bons. Só que eles estão sem lugar no debate”, observou.

O que os especialistas responderam?

Vera Iaconelli contestou o raciocínio do ator e indicou que a população masculina precisa escutar mais as reivindicações femininas quando o assunto é violência de gênero. “Nem todo homem, mas sempre um homem. Quando as mulheres falam ‘olha, parem de nos matar’, elas não estão falando ‘parem de serem homens’. [Estão falando] ‘sejam outro tipo de homem, repensem a masculinidade'”, opinou.

Ela acrescentou: “As mulheres estão morrendo, estão sendo estupradas, as meninas estão engravidando com 10 anos de idade, do padrasto, do pai, do irmão, tem alguma coisa muito errada. Isso era para trazer uma ressaca moral e um mal-estar que trouxesse um insight para os homens. O que os homens estão fazendo? Olha, a gente está sentindo mal com esse negócio, vamos nos juntar, vamos nos sentir bem de novo? Não! Tem que passar mal o suficiente para mudar uma certa perspectiva e não correr para o abraço, conjuntar com os outros homens e falar a gente é forte, a gente faz, a gente acontece. Esse ‘a gente é forte, a gente faz, a gente acontece’ é um discurso dos anos 1950 que trouxe a gente aqui. Vocês querem oferecer a causa como solução. Isso não é a solução. Isso é a causa do problema. A broderagem entre os homens, fortalecimento que acaba estourando nas mulheres”.

Ismael dos Anjos endossou as críticas, avaliando que os grupos de apoio exclusivos para homens soam desconectados da realidade nacional. “Essa noção de autoajuda masculina, principalmente para um grupo que já detém poderes, soa muito mal para quem está morrendo, para quem sente que está agora conquistando alguns espaços”, disse.

Repercussão e críticas nas redes

A participação do ator no debate causou repúdio generalizado nas redes sociais após a transmissão. A criadora de conteúdo Nil Moretto resumiu o sentimento de parte do público ao avaliar a estratégia adotada pelo artista na televisão.

“O argumento do ator que falou que homens morrem mais, sem considerar quem mata, é uma daquelas bobagens que me botam a pensar: não é possível que ele não entenda. É má fé. Desonestidade. É de proposito pra ser rebatido. E a gente rebate. Percebe que tão usando a nossa indignação? A indignação com o curso dele o levou à posição de debatedor qualificado na GloboNews. A indignação com a bobagem dita espalha a bobagem…”, ela refletiu.

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