
Instagram/Fabio Porchat
Fábio Porchat ironiza projeto para torná-lo “persona non grata” no Rio
Comediante debocha de deputados estaduais do Rio e agradece por priorizarem vídeos de humor em vez de segurança pública
Fábio Porchat agradece virar persona non grata
O humorista e apresentador Fábio Porchat debochou nesta quinta-feira (14/5) do projeto de lei que pode declará-lo “persona non grata” no Estado do Rio de Janeiro. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e seguirá para votação em plenário.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o comediante reagiu com ironia: “Eu tenho mais de 20 anos de carreira, já ganhei prêmio, mas nunca pude imaginar que eu fosse conseguir chegar nesse lugar: deputado chateado comigo. É um negócio que enche o meu peito de orgulho”.
Quem votou a favor da medida na Alerj?
O projeto foi apresentado pelo deputado Rodrigo Amorim (PL) e recebeu votos favoráveis de Alexandre Knoploch (PL), Sarah Poncio (Solidariedade), Fred Pacheco (PL) e Marcelo Dino (PL). Apenas os deputados Carlos Minc (PSB) e Luiz Paulo (PSD) votaram contra a medida na quarta (13/5). Porchat não perdeu a oportunidade de alfinetar a composição do grupo, fazendo uma referência direta à trajetória pública da família da deputada Sarah Poncio durante seu desabafo sarcástico.
“Eu quero agradecer muita, muita gente que me fez chegar até aqui, ao Porta dos Fundos, meu pai, minha mãe. Mas especialmente a todos os deputados que podiam estar debatendo segurança pública do Rio, quem vai ser governador, podiam estar atrás de milícia, tentando levar saneamento básico para as comunidades. Mas não, eles estão pensando em mim, isso não é para qualquer um”, disparou o artista. Ele ressaltou o absurdo de parlamentares dedicarem tempo legislativo para analisar esquetes de comédia e vídeos de internet em meio aos problemas estruturais enfrentados pela população fluminense.
Qual é a justificativa oficial do projeto?
Segundo o texto da proposta, Porchat foi alvo da medida devido a esquetes com temas religiosos produzidas pelo Porta dos Fundos e por um vídeo em que simula xingamentos à equipe do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mantendo o tom de piada, o apresentador fez um “apelo” aos 41 deputados que devem avaliar o texto final, prometendo “fazer jus” ao título: “Por favor, pensem com carinho, me deem essa chance. Eu vou continuar fazendo os vídeos de comédia, sempre. Vou continuar xingando político. Não vou parar. Confia em mim. Eu quero chegar aonde nenhum comediante chegou.”
O caso gerou repercussão imediata nas redes sociais, onde internautas questionaram o uso de recursos públicos para uma retaliação política sem efeitos práticos contra um profissional do entretenimento.
Vale ressaltar que o título de “persona non grata” possui caráter estritamente simbólico. Ou seja, caso seja aprovado em plenário, não prevê aplicação de multa, prisão ou qualquer impedimento de circulação do humorista pelo território do estado.