
Divulgação/Neon
Brasil domina Prêmio Platino com vitória histórica de “O Agente Secreto”
Produção de Kleber Mendonça Filho conquista sete troféus em noite marcada por reconhecimento ao talento brasileiro no México
Brasil conquista 10 troféus
O Brasil demonstrou a força de sua produção audiovisual ao conquistar 10 estatuetas na 13ª edição do Prêmio Platino, realizada na noite deste sábado (9/5). A cerimônia, realizada na Riviera Maya, no México, premiou os melhores projetos ibero-americanos destinados ao cinema, televisão e streaming.
“O Agente Secreto” vence sete categorias
O longa-metragem “O Agente Secreto” foi o grande destaque da premiação, consolidando sua trajetória de sucesso ao vencer sete das oito categorias em que concorria, incluindo o prêmio principal de Melhor Filme de Ficção. O diretor Kleber Mendonça Filho foi premiado com os troféus de Melhor Direção e Melhor Roteiro, reforçando o prestígio internacional que já havia obtido anteriormente no Festival de Cannes.
Wagner Moura também conquistou prêmio duplo por seu desempenho em “O Agente Secreto”, sendo escolhido Melhor Ator tanto pelo júri oficial quanto pela votação popular. A nova conquista do ator brasileiro se soma a vitórias anteriores em Cannes, Globo de Ouro e Critics Choice, entre outras.
A equipe técnica do filme também foi amplamente reconhecida na premiação mexicana. A obra levou as estatuetas de Melhor Música Original, assinada por Mateus Alves e Tomaz Alves, Melhor Montagem, realizada por Eduardo Serrano e Matheus Farias, e Melhor Fotografia, sob responsabilidade de Thales Junqueira.
Kleber Mendonça Filho utilizou seus momentos no palco do Teatro Tlachco para refletir sobre o atual cenário global. Ao receber o prêmio de Melhor Roteiro, o cineasta afirmou que o cinema “é um instrumento poderoso” e deve ser realizado com “verdade e honestidade social, humana e política” para combater o que chamou de “mentiras no mundo”.
O diretor dedicou a estatueta de Melhor Direção à sua esposa, a produtora Emilie Lesclaux, e a Wagner Moura, antecipando o desejo de colaborar com o ator em seu próximo projeto. Emilie, ao agradecer pelo prêmio de Melhor Filme, ressaltou o “orgulho de ser parte da comunidade audiovisual ibero-americana”.
Wagner Moura não compareceu
Wagner Moura foi a maior ausência na cerimônia. O diretor Kleber Mendonça Filho explicou que o ator está atualmente em meio a filmagens na Espanha e leu um comunicado enviado pelo artista: “Amo cada vez que percebo o Brasil integrado a uma cultura mais abrangente, e que também é nossa”.
A mensagem de Moura continha ainda um agradecimento bem-humorado ao cineasta, chamando-o de “diretor gênio” e “homem sensual”, o que deixou Mendonça visivelmente envergonhado ao ler a nota diante da plateia.
Vitórias em documentário e novelas
A presença brasileira incluiu ainda vitórias com “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, eleito o Melhor Documentário, e “Beleza Fatal”, produção original da plataforma a HBO Max, eleita Melhor Novela do ano.
Maria de Médicis, diretora da produção de streaming, dedicou a conquista ao mestre Dennis Carvalho, falecido em fevereiro. Ela defendeu a valorização das novelas, afirmando que “é um gênero que deve ser valorizado”, e lembrou do histórico carinho do público brasileiro por essas produções.
Destaque da Argentina e apresentadores
Nas categorias televisivas, a série argentina “O Eternauta” garantiu três prêmios Platino, incluindo Melhor Série, Criador e Melhor Ator para Ricardo Darín. A produção, disponível na a Netflix, já tem uma 2ª temporada confirmada para estrear em 2027.
A noite contou ainda com a participação dos atores brasileiros André Lamoglia (“Elite”) e Christian Malheiros (“Sintonia”) como apresentadores. Bárbara Paz, que ocupa a vice-presidência da Academia Brasileira de Cinema, também prestigiou o evento na plateia.