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Wagner Moura é eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time
Indicado ao Oscar por sua atuação em "O Agente Secreto", o brasileiro ganha perfil especial na publicação norte-americana assinado por astro de "Succession"
O reconhecimento internacional da Time
O ator baiano Wagner Moura (“O Agente Secreto”) alcançou um novo marco na sua carreira ao integrar a lista de 100 personalidades mais influentes do mundo de 2026, elaborada pela revista Time. A publicação norte-americana destacou a força política do brasileiro e a profundidade de suas performances artísticas em um perfil assinado pela jornalista e crítica de cinema Stephanie Zacharek e o ator Jeremy Strong (“Succession”).
A lista deste ano inclui o brasileiro ao lado de estrelas como Zoe Saldaña (“Avatar: O Caminho da Água”), Dakota Johnson (“Madame Teia”), Claire Danes (“Homeland”), Keke Palmer (“Não! Não Olhe!”) e a comediante Nikki Glaser.
A arte como defesa contra o totalitarismo
A entrevista com Stephanie Zacharek aprofundou a visão do ator sobre o papel da cultura na sociedade contemporânea. Wagner Moura alertou que a polarização atual destruiu o conceito tradicional de verdade factual e defendeu a arte como uma arma essencial contra regimes opressores.
“Tudo o que eu faço é verdadeiro. Arte é verdade”, declarou Moura. “O que me assusta é que a verdade como conhecemos acabou. Fatos não importam mais. Quando falamos de polarização, falamos sobre a criação de universos e narrativas paralelas. Não vivemos mais no mesmo espaço mental dos outros”, opinou.
O artista enfatizou que o ataque à cultura não acontece por acaso em governos totalitários. “Quando governos totalitários atacam acadêmicos, artistas e jornalistas – isso não é por acaso, certo?”, refletiu.
A visão política do ator, que também é formado em jornalismo, foi moldada pela busca constante por empatia. “[O jornalismo] me moldou muito como artista, como pessoa, como cidadão. E existe uma noção de criar empatia: quanto mais você sabe sobre as coisas, mais empatia você tem. É só isso. E isso é o que a atuação deveria ser”, acrescentou.
A vida nos EUA e as raízes brasileiras
Cidadão norte-americano oficial desde 2023, o ator comentou sobre a atual divisão política nos Estados Unidos. Ele traçou uma linha clara entre as ações do governo atual e a essência histórica do país que o acolheu.
“Claro que o país está polarizado. Mas há uma diferença entre o governo no comando neste momento e a alma da nação. Donald Trump representa muito do que os EUA são. Mas os EUA não são só isso, nem de longe. Este é o país de Martin Luther King, de Rosa Parks, de tantos lutadores pela liberdade que exportaram suas ideias para o resto do mundo”, observou.
Apesar da vivência internacional, o texto da Time enalteceu o compromisso de Moura em preservar sua identidade latina em Hollywood. O ator exigiu que seus personagens mantivessem origens brasileiras e comemorou sua escalação recente na animação “Star Wars: Maul – Lorde das Sombras”.
“É inegavelmente interessante e louco ter um brasileiro como parte do universo ‘Star Wars’, porque, para mim, essa é uma galáxia muito, muito distante”, brincou o artista.
A homenagem de Jeremy Strong
O reconhecimento da Time incluiu um tributo paralelo escrito por Jeremy Strong. O ator norte-americano, que integrou o júri do Festival de Cannes responsável por premiar Moura como Melhor Ator, declarou ter assistido ao filme “O Agente Secreto”, de Kléber Mendonça Filho, com “admiração e reverência”.
Strong relembrou um discurso de Robert De Niro na mesma edição do festival para definir o impacto do colega brasileiro. “[De Niro] estava falando de artistas como Moura, o tipo de artistas que precisamos agora mais do que nunca”, pontuou o vencedor do Emmy.
O texto do colega de profissão celebrou o histórico de engajamento do baiano, desde a direção de “Marighella” (2019) até suas peças teatrais recentes. “[Moura] não teme usar o poder de humanização e mobilização da arte como arma. (…) Ele é uma força política e humana, um conjunto que precisamos desesperadamente ver mais”, elogiou.
Os próximos projetos do astro
O ano de 2026 promete ser movimentado para Wagner Moura. O brasileiro retornará à cadeira de direção no filme “Last Night at the Lobster”, definido por ele próprio como um “filme de Natal político”.
Como ator, ele está filmando no Brasil “O Aroma da Pitanga”, remake do clássico iraniano “Gosto de Cereja”, e em seguida vai estrelar a nova aposta de terror e ficção científica da Netflix, o longa “11817”, e o filme de vampiros “Flesh of the Gods” com Kristen Stewart (“Crepúsculo”). Além dos compromissos nas telas, ele se prepara para apresentar a montagem da peça “Um Julgamento: Depois do Inimigo do Povo” nos palcos da Europa.