
Divulgação/MK2
Nathalie Baye, estrela do cinema francês, morre aos 77 anos
Vencedora de quatro prêmios César faleceu em Paris em decorrência de doença neurodegenerativa que afeta o cérebro
Despedida de um ícone francês
A atriz francesa Nathalie Baye morreu aos 77 anos de idade na noite de sexta-feira (17/4), em sua residência localizada em Paris. A família da estrela confirmou o falecimento neste sábado (18/4) e explicou que a artista não resistiu aos avanços da demência com corpos de Lewy.
A condição enfrentada pela atriz consiste em uma doença neurodegenerativa que compromete as funções cognitivas e motoras. O diagnóstico pode causar alterações de humor, dificuldades de movimento e provocar alucinações.
Como o país reagiu à perda?
O presidente da França, Emmanuel Macron, utilizou a rede social X para homenagear o legado deixado pela estrela. O chefe de Estado destacou a importância da artista para a formação cultural do público francês nas últimas décadas.
“Uma atriz com quem amamos, sonhamos e crescemos”, escreveu o líder político na plataforma. “Amávamos tanto Nathalie Baye. Ela acompanhou com sua voz, seus sorrisos e sua discrição estas últimas décadas do cinema francês, de François Truffaut a Tonie Marshall.”
Qual foi a trajetória da atriz?
Nascida em 1948 na região da Normandia, Baye cresceu em uma família boêmia de pintores e precisou abandonar a escola aos 14 anos devido a um quadro de dislexia. Ela se mudou para Mônaco logo em seguida para dedicar-se aos estudos de dança, antes de descobrir sua vocação para a interpretação.
O estrelato na sétima arte ocorreu nos anos 1970, quando começou a trabalhar com grandes diretores do movimento nouvelle vague. O cineasta François Truffaut escalou a artista para o clássico “A Noite Americana” (1973), abrindo portas para que o diretor Maurice Pialat a transformasse em protagonista no longa “Ferida Aberta” (1974).
A parceria de sucesso com Truffaut continuou nos filmes “O Homem Que Amava as Mulheres” (1977) e “O Quarto Verde” (1978). O lendário diretor Jean-Luc Godard também escolheu a estrela para encabeçar os elencos de “Salve-se Quem Puder (A Vida)” (1980), que lhe rendeu o primeiro de seus quatro Césars (o Oscar francês), e “Detetive” (1985). O extenso currículo do período ainda engloba duas produções aclamadas de Bertrand Blier: “A Filha da Minha Mulher” (1981) e “Quartos Separados” (1984).
Sua fama seguiu pelas décadas seguintes, com os sucessos de “Uma Relação Pornográfica” (1999), de Frédéric Fonteyne, que lhe rendeu o troféu de Melhor Atriz no Festival de Veneza, “Instituto de Beleza Vênus” (1999), de Tonie Marshall, “A Flor do Mal” (2003), de Claude Chabrol, e “Não Conte a Ninguém” (2006), de Guillaume Canet, entre diversas outras produções.
Trabalhos em Hollywood e prêmios
O talento de Baye ultrapassou as fronteiras europeias e chamou a atenção da indústria americana. O diretor Steven Spielberg convidou a francesa para interpretar a mãe do personagem de Leonardo DiCaprio na comédia “Prenda-me se For Capaz” (2002). Mais recentemente, ela deu vida a uma aristocrata na produção “Downton Abbey 2: Uma Nova Era” (2022).
O diretor canadense Xavier Dolan também contou com a atriz para interpretar mães complexas nos premiados “Laurence Anyways” (2012) e “É Só o Fim do Mundo” (2016).
Na vida pessoal, a artista viveu um relacionamento de cinco anos com o cantor de rock Johnny Hallyday, falecido em 2017. Da união entre os dois nasceu a também atriz Laura Smet.