
Divulgação/Lionsgate
Filme de Michael Jackson tem final alterado para eliminar acusações de abuso
Cinebiografia encerrará a história durante a turnê "Bad" após acordo judicial impedir qualquer menção ao acusador Jordan Chandler
Mudança drástica no encerramento
A cinebiografia “Michael” precisou passar por uma reescrita em seu desfecho para eliminar qualquer referência às acusações de abuso sexual infantil contra Michael Jackson. Com a alteração, o longa-metragem agora terminará exibindo o cantor no auge de sua carreira, enquanto se prepara para subir ao palco durante a turnê “Bad”.
O que motivou o corte no roteiro?
De acordo com informações publicadas pela revista americana Variety, o roteiro original previa uma cena ambientada em 1993, que mostraria a chegada de policiais ao rancho Neverland para uma busca relacionada às denúncias de abuso. A sequência inteira foi removida da versão final do projeto.
A decisão foi tomada após os advogados do espólio do artista identificarem uma cláusula em um acordo judicial firmado com Jordan Chandler, o primeiro acusador do astro. O documento proíbe qualquer menção ou representação de Chandler em obras cinematográficas.
O novo eixo dramático da obra
Com o corte das investigações policiais, a trama precisou focar em outros conflitos da trajetória do músico. A relação conturbada com o pai, Joe Jackson, assumiu o protagonismo dramático da história. O filme destacará o medo do patriarca de que o sucesso solo do filho prejudicasse o grupo The Jackson 5.
A produção também abordará o grave acidente sofrido pelo cantor em 1984, quando teve queimaduras durante a gravação de um comercial da Pepsi. O episódio será retratado como o estopim para o início do uso de analgésicos pelo artista.
Atrasos e envolvimento da família
A necessidade de criar um novo final atrasou a finalização da obra, que sofreu sucessivos adiamentos. Inicialmente previsto para abril de 2025, o lançamento foi empurrado para outubro do mesmo ano e, por fim, reagendado para abril de 2026.
O projeto conta com forte participação e influência da família do cantor. Para começar, o próprio protagonista é interpretado por Jaafar Jackson, sobrinho do Rei do Pop na vida real. Prince Jackson, filho do homenageado, assina como produtor-executivo e trabalha em sintonia com os representantes do espólio. Os outros filhos do astro, Paris e Bigi Jackson, não se envolveram com o filme. Paris chegou a falar mal da produção por distorcer fatos sobre o pai.
A aposta em uma franquia bilionária
A confiança do espólio em apresentar uma versão mais simpática da vida do cantor foi impulsionada pelo sucesso de “MJ the Musical”, que estreou na Broadway em 2022 e já arrecadou mais de US$ 300 milhões.
As projeções iniciais indicam que o longa deve estrear arrecadando mais de US$ 55 milhões nos Estados Unidos, superando a abertura de “Bohemian Rhapsody”, cinebiografia de Freddie Mercury e o grupo Queen. O estúdio estima uma bilheteria global de pelo menos US$ 700 milhões.
Diante do potencial lucrativo, o produtor Graham King (que também produziu “Bohemian Rhapsody”) chegou a avaliar transformar a cinebiografia em uma franquia de dois filmes, reaproveitando cerca de 30% do material que acabou cortado na ilha de edição. Caso o filme faça sucesso, não está descartada uma continuação após a conclusão da trama ainda nos anos 1980.