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Instagram/Deolane Bezerra e Pablo Marçal

Etc|17 de abril de 2026

PF investiga ligações de Deolane e Pablo Marçal com MC Ryan SP

Relatório aponta movimentações milionárias na conta do funkeiro preso envolvendo a advogada e o influenciador

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Esquema bilionário e ligações suspeitas
2 A quebra de sigilo de Deolane
3 A defesa da ex-Fazenda
4 Os repasses de Pablo Marçal
5 A defesa do influenciador
6 O papel de Ryan no esquema
7 A defesa do funkeiro

Esquema bilionário e ligações suspeitas

A Polícia Federal (PF) investiga novos repasses financeiros em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado ao menos R$ 1,6 bilhão. Segundo informações do portal G1, relatórios de inteligência da Operação Narco Fluxo detectaram transações milionárias ligando a advogada Deolane Bezerra (“A Fazenda 14”) e o influenciador Pablo Marçal ao funkeiro MC Ryan SP, apontado como líder da organização e preso na última quarta-feira (15/4).

A quebra de sigilo de Deolane

O alvo da investigação é uma organização criminosa que utilizava o setor artístico e o ambiente digital para ocultar montantes provenientes de bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico de drogas. A operação já levou à prisão dos funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo, além de Raphael Sousa, dono da página Choquei. A quebra de sigilo financeiro de Deolane revelou que sua conta movimentou R$ 5,3 milhões entre 14 de maio e 30 de junho de 2025.

Nesse período, a advogada recebeu R$ 430 mil da produtora de Ryan. Para a PF, a transferência “não aparenta ter justificativa comercial”, reforçando a suspeita de que os dois fazem parte de um mesmo circuito financeiro. De acordo com o documento obtido pelo G1, a PF suspeita que a conta de Deolane funcione como uma “conta de passagem”, onde o dinheiro entra e sai muito rápido para dificultar o rastreamento.

“Há indícios de que esta transação configure uma evidência material do vínculo financeiro direto entre os dois investigados, demonstrando que o fluxo de caixa da produtora de Ryan, suspeita de misturar receitas de shows com recursos de apostas e rifas, irriga também as contas de aliados estratégicos que enfrentam investigações similares por lavagem de dinheiro e associação criminosa”, pontua o relatório. O documento também recorda que Deolane já foi detida em setembro de 2024, em Pernambuco, em investigação da Polícia Civil sobre apostas online e empresas de fachada.

A defesa da ex-Fazenda

Após ser citada como parte do esquema que resultou nas prisões dos funkeiros e do dono da Choquei, Deolane se defendeu nas redes sociais. “Eu vendi um carro pro Ryan, ele me deu um outro carro mais barato, na troca, e um outro valor a ser depositado na minha conta bancária. O contrato tem assinatura de cartório, tem a minha assinatura, tem comprovante de transferência da propriedade, de compra e venda (…). Talvez por isso que eu não tenha sido presa, porque a minha transação é comprovada”, justificou.

Sobre uma doação milionária feita ao instituto de Neymar no mesmo período, ela afirmou que o valor saiu da “conta pessoa física” e está declarada no imposto de renda. “Como sempre, me chega o enfeite do negócio. Tem que fantasiar, tem que mascarar. ‘Deolane recebe do Ryan e faz repasse a instituto’. A doação que eu fiz pro instituto foi três vezes maior (do que) o dinheiro que eu recebi do Ryan da venda do carro, que tá comprovada”, afirmou.

A advogada finalizou os vídeos lembrando de sua prisão em 2024, a qual classificou como injusta. “Minha vida fiscal, financeira, é exposta nos quatro cantos do mundo”, declarou.

Os repasses de Pablo Marçal

A Operação Narco Fluxo também revelou que o influenciador Pablo Marçal transferiu R$ 4,4 milhões a Ryan Santana dos Santos. Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), este foi o maior valor recebido pelo funkeiro entre maio de 2024 e outubro de 2025.

A transferência partiu da R66 Air Ltda, empresa de “compra e venda de imóveis próprios, gestão e administração da propriedade imobiliária e holdings de instituições não financeiras”, que tem a Marçal Participações como sócia. Na representação, os delegados apontaram equivocadamente que Ryan “atuou como apoiador público da candidatura de Marçal” à Prefeitura de São Paulo em 2024.

Na realidade, em agosto daquele ano, o funkeiro negou apoio após um vídeo antigo dos dois abraçados viralizar, o que gerou repúdio da classe artística contra a apropriação do funk paulistano pela direita, embora Ryan tenha participado do programa “Marçal Talks”.

A defesa do influenciador

O advogado de Marçal, Tassio Renam, justificou que os R$ 4,4 milhões integravam o pagamento de um imóvel no Condomínio Aruã, em Mogi das Cruzes, numa negociação de R$ 7,3 milhões que incluiu permuta de veículo e outro imóvel. “Sobre a referida operação financeira, trata-se de uma transação imobiliária onde uma das empresas de Marçal comprou um imóvel do Ryan, e parte do pagamento foi realizado através da transferência bancaria citada, todo o processo de compra passou por diligencias e compliance necessário para realização do negocio, que foi devidamente documentado e registrado em cartório e nos órgãos responsáveis, caso haja necessidade apresentaremos toda a documentação comprobatória as autoridades em tempo oportuno, se solicitado”, informou a defesa.

O papel de Ryan no esquema

Preso na quarta-feira (15), MC Ryan SP é apontado pela PF como o líder do esquema e principal beneficiário da organização criminosa, que teria vínculo estrutural com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O funkeiro utilizava suas empresas de produção musical e a fama nas redes sociais para mesclar receitas legítimas com dinheiro ilícito de apostas e rifas.

O artista também teria transferido participações societárias para “laranjas” e familiares para ocultar patrimônio. O dinheiro lavado era reinserido na economia através da compra de imóveis de luxo, veículos e joias. O relatório aponta ainda que Ryan pagava operadores de mídia para publicar conteúdos favoráveis e promover suas plataformas de apostas, visando conter crises de imagem.

A defesa do funkeiro

A defesa do cantor declarou que “até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.”

“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”, concluiu a nota oficial.

O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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