
Instagram/Brasil Paralelo
Brasil Paralelo grava documentário em Emei de SP e revolta pais de alunos
Produção autorizada pela gestão Ricardo Nunes ataca educação infantil e cita "ideologia de gênero", gerando protestos de famílias e educadores
Documentário gera protestos
A gravação de um documentário da produtora Brasil Paralelo dentro da Emei Patrícia Galvão, na região central de São Paulo, gerou indignação entre pais e educadores. Segunda a Folha de S. Paulo, a produção defende teses da extrema direita, incluindo acusações de que creches promovem “ideologia de gênero”, além de criticar a matrícula obrigatória de crianças a partir dos 4 anos. O lançamento da obra, chamada de “Pedagogia do Abandono”, está previsto para a segunda-feira (20/4).
Gravação sem aviso sobre o teor
As famílias afirmam que a filmagem foi autorizada pela gestão Ricardo Nunes (MDB) sem que a direção da escola ou os pais fossem informados sobre o conteúdo da obra. Em carta enviada às famílias, a direção explicou que o pedido da prefeitura mencionava apenas uma “obra audiovisual referente à educação infantil”, omitindo que seria conduzida pela Brasil Paralelo.
Uso de imagens de alunos
Embora a SPCine tenha informado que as gravações ocorreriam em espaços sem alunos, o trailer do documentário exibe crianças com o uniforme da rede municipal. Em uma das cenas, um funcionário impede um cinegrafista de filmar uma sala com alunos onde havia um cartaz de Paulo Freire. A produtora utilizou o episódio para alegar que foi impedida de registrar a imagem do educador. Toda a campanha de lançamento do filme, nas redes sociais da Brasil Paralelo, tem sido feita em cima da imagem de Paulo Freire, educador mundialmente reconhecido que é considerado um comunista perigoso pela extrema direita brasileira.
A direção da escola negou qualquer tentativa de esconder a influência de Freire. “Esta concepção é fruto de muito estudo e motivo de orgulho”, diz o texto enviado aos pais. O advogado Ariel Castro, especialista em direitos humanos, ressalta que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) preserva a imagem e a identidade dos menores, e que a veiculação das imagens pode ser questionada judicialmente pela Promotoria da Infância e Juventude.
Posicionamento da prefeitura
A gestão Nunes confirmou a autorização e declarou que a verificação do uso de imagem e participação de menores é de “inteira responsabilidade dos produtores”. A prefeitura classificou o procedimento como padrão e informou que a análise técnica foi feita pela SP Film Commission, ligada à SPCine. O município não respondeu se conhecia o teor ideológico do documentário ao liberar o espaço.
Manifestantes marcaram um ato em frente à Emei para este sábado (18/4). O grupo planeja uma aula pública em defesa da educação e dos professores, além de protestar contra a veiculação do documentário. A Brasil Paralelo foi procurada pela reportagem da Folha de S. Paulo, mas não se manifestou.
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.