
Divulgação/CinemaScópio Produções
Que filmes podem levar o Brasil de volta ao Oscar após “O Agente Secreto”?
Após o sucesso internacional em 2025 e 2026, o audiovisual do país aposta em cineastas premiados e novas histórias para manter o prestígio em Hollywood
O bom momento do cinema nacional
Impulsionado pelos desempenhos brilhantes de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que garantiram indicações consecutivas ao Oscar de Melhor Filme Internacional, além de colecionarem troféus no exterior, o cinema brasileiro está em alta em todo o mundo.
O desafio de voltar ao Oscar
Esse reconhecimento também se estendeu a outras produções recentes que brilharam em festivais internacionais. “O Último Azul”, dirigido por Gabriel Mascaro, garantiu o Urso de Prata no Festival de Berlim, enquanto “Manas”, de Marianna Brennand, chamou a atenção de estrelas de Hollywood e conquistou uma nomeação ao Goya de Melhor Filme Ibero-Americano. Mas este forte prestígio é fase ou veio pra ficar?
Em resumo, o Brasil terá um representante com a mesma força no Oscar 2027? Com Fernando Meirelles, reconhecido por “Cidade de Deus”, e Karim Aïnouz, premiado por “A Vida Invisível”, trabalhando em obras estrangeiras, a missão recai nos ombros de outros cineastas prestigiados. Muitos, inclusive, já tiveram a responsabilidade de representar o país em edições passadas do Oscar, como Cao Hamburger, Anna Muylaert, Gabriel Martins e Carlos Saldanha. Veja sete candidatos a fazer bonito na nova temporada.
“100 Dias”
O diretor Carlos Saldanha, que já disputou o Oscar com animação “O Touro Ferdinando” (2017), prepara o drama biográfico “100 Dias”, que retrata a jornada real de Amyr Klink ao atravessar o Oceano Atlântico em um barco a remo, em 1984. A obra é inspirada no diário do próprio navegador e traz o ator Filipe Bragança no papel principal.
“Escola sem Muros”
Antes da boa fase recente, o último longa brasileiro a figurar na lista de pré-indicados do Oscar na categoria de Melhor Filme Internacional havia sido “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” (2006), de Cao Hamburger. O diretor retorna aos cinemas no segundo semestre de 2026 com “Escola sem Muros”, um projeto baseado na trajetória da Escola Campos Salles, conhecida pela inovação pedagógica. O ator Julio Andrade estrela o filme ao lado de Flávio Bauraqui e Larissa Bocchino.
“Geni e o Zepelim”
A cineasta Anna Muylaert, que conquistou reconhecimento com “Que Horas Ela Volta?” (2015), premiado no Festival de Sundance, assume a direção de “Geni e o Zepelim”, adaptação para as telas da famosa canção de Chico Buarque. A trama acompanha Geni (vivida por Ayla Gabriela), uma prostituta rejeitada pela sociedade de uma cidade ribeirinha na Amazônia, que enxerga uma chance de redenção quando um tirano (interpretado por Seu Jorge) chega ao local.
“Leila e Noite”
Após se destacar com “Casa Grande” (2014) e “Gabriel e a Montanha” (2017), Fellipe Barbosa dirige a coprodução internacional “Leila e Noite”. A trama aborda o impacto da morte da fotógrafa Leila Alaoui, vítima de um atentado terrorista aos 33 anos. O projeto nasceu a pedido do pai da fotógrafa, que era grande amiga do cineasta brasileiro desde a faculdade. O elenco conta com astros como Roschdy Zem e João Pedro Zappa, em uma narrativa falada em vários idiomas.
“Vicentina Pede Desculpas”
Gabriel Martins, escolhido para representar o Brasil em 2023 com o emocionante “Marte Um”, retorna com “Vicentina Pede Desculpas”. A produção da Netflix acompanha uma mulher de 75 anos, interpretada por Rejane Faria, que tenta lidar com o luto e o peso da culpa após seu filho causar um grave acidente de trânsito que resultou em diversas vítimas. A protagonista decide procurar as famílias afetadas em busca de perdão, em uma narrativa sensível sobre redenção.
“As Vitrines”
Com destaque prévio no Festival de Biarritz e na Mostra de São Paulo, o longa “As Vitrines”, dirigido por Flavia Castro, retrata o drama de famílias brasileiras que buscam asilo político na embaixada do Brasil no Chile após o golpe militar de Augusto Pinochet, em 1973. A história discute liberdade através do olhar das crianças que moram no local, e traz no elenco nomes como Leticia Colin e Julia Konrad. O tema das ditaduras latino-americanas sempre agrada a Academia.
“No Jardim do Ogro”
Baseado no best-seller da escritora franco-marroquina Leila Slimani, “No Jardim do Ogro” tem direção de Carolina Jabor e traz Alice Braga como protagonista. A história acompanha uma jornalista bem-sucedida em São Paulo que, sob a fachada de uma vida familiar perfeita, esconde a compulsão por sexo de risco. Embora o lançamento oficial da plataforma Globoplay esteja previsto para 2027, o longa pode circular por festivais internacionais ainda em 2026 para ganhar tração.