
Divulgação/Warner Bros.
“O Morro dos Ventos Uivantes” é principal estreia de cinema desta quinta
Outros lançamentos incluem "Caminhos do Crime", thriller com astros dos Vingadores, e três animações para públicos distintos - crianças, LGBTs e otakus
A programação de cinema desta quinta-feira (12/2) destaca a estreia da nova adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes”, com Jacob Elordi (“Frankenstein”) e Margot Robbie (“Barbie”) no papel do casal trágico Heathcliffe e Cathy. O romance gótico de Emily Brontë já rendeu inúmeras filmagens e até um hit musical de Kate Bush, mas esta é a versão mais controversa. A aposta em cenas quentes com dois dos atores mais bonitos de Hollywood – e da Austrália – serve como chamariz para o público em geral, enquanto cinéfilos tendem a ser atraídos pela curiosidade de ver até onde a diretora de “Saltburn” foi capaz de chegar em sua desfiguração estilosa do clássico literário.
O circuito ainda recebe um thriller de ação com dois astros dos Vingadores, um terror de baixo orçamento, um documentário elogiado sobre George Orwell, três desenhos animados para públicos completamente diferentes – crianças, LGBTs e otakus – e o lançamento limitado de “Sonhos de Trem”, filme da Netflix que colocou o brasileiro Adolpho Veloso na disputa do Oscar 2026 de Melhor Fotografia. Confira os detalhes.
🎞️ O MORRO DOS VENTOS UIVANTES
A nova adaptação do romance de 1847 de Emily Brontë toma grandes liberdades com a trama clássica sobre o jovem Heathcliff, filho adotivo dos Earnshaw, e seu vínculo passional e ilícito com a irmã de criação Catherine Earnshaw. A adaptação é o terceiro longa escrito e dirigido por Emerald Fennell (“Saltburn”). Todos foram produzidos por Margot Robbie (“Barbie”), mas este é o primeiro que a atriz também estrela, protagonizando como Cathy.
Fennell enfrentou críticas por opções anacrônicas, incluindo o figurino e por escalar Jacob Elordi (“Frankenstein”), um ator branco, no papel de Heathcliff, personagem descrito no romance original com referências a sua aparência morena e às complexas dinâmicas raciais dentro da família adotiva, onde frequentemente enfrentava maus-tratos. Há 15 anos, outra diretora britânica, Andrea Arnold, filmou a mesma história com James Howson, que foi o primeiro Heathcliff negro do cinema, após décadas de embranquecimento do personagem. A nova versão é um retrocesso nesse sentido.
Esta não foi a única fonte de discórdia. Como fez em seus trabalhos anteriores, Fennell hipersexualizou seus personagens, que no romance só se beijam na cena de despedida agonizante, transformando o terror clássico de obsessão gótica em romance quente para a geração Z. A diretora chegou a dizer que queria criar “o ‘Titanic’ desta geração”. O público alvo deve lotar os cinemas e aprovar. Parte da crítica concorda com eles, considerando os 71% de aprovação no Rotten Tomatoes. O resultado é bastante autoral, além de intenso e esteticamente elegante, mas quem quiser conhecer o contexto original do desejo reprimido vai precisar buscar em streaming “O Morro dos Ventos Uivantes” de 2011 com a anglo-brasileira Kaya Scodelario – a versão mais correta já filmada da obra.
🎞️ CAMINHOS DO CRIME
O thriller de ação acompanha um ladrão de joias solitário (Chris Hemsworth, o Thor da Marvel) que opera ao longo da costa do Pacífico, nos Estados Unidos. Seu caminho se cruza com o de uma corretora de seguros desiludida (Halle Berry, ex-Mulher Gato), que enfrenta sua própria encruzilhada e ainda não recebeu a promoção que merece em uma indústria dominada por homens, enquanto é caçado por um detetive de métodos antiquados (Mark Ruffalo, o Hulk da Marvel).
Sob uma aparência inofensiva, o investigador esconde uma mente afiada ao estilo de Columbo e está convencido de ter encontrado um padrão nos crimes do vigarista, elevando ainda mais as apostas para o próximo assalto, definido pelo ladrão como o golpe de sua vida.
Dirigido por Bart Layton (“Uma Aventura Perigosa”), o filme adapta a novela “Crime 101” de Don Winslow (“Selvagens”) e evoca a atmosfera dos clássicos de assalto de Los Angeles, como “Fogo Contra Fogo” (1995). O elenco de apoio inclui Barry Keoghan (“Saltburn”), Nick Nolte (“Morra, Amor”), Corey Hawkins (“Piano de Família”), Monica Barbaro (“Um Completo Desconhecido”) e Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”).
🎞️ UM CABRA BOM DE BOLA
Produzida pelo astro da NBA Stephen Curry em sua estreia no cinema, a animação da Sony se passa em um mundo habitado por animais antropomórficos e gira em torno do roarball, esporte fictício de alta intensidade, misto e de contato total tradicionalmente dominado pelos bichos mais rápidos e ferozes. Will, uma cabra de pequeno porte com grandes ambições, recebe a oportunidade de jogar profissionalmente, mas enfrenta a desconfiança dos novos companheiros de equipe, que não veem com bons olhos sua presença no elenco.
Determinado a revolucionar o esporte e provar que “pequenos também jogam”, Will persiste em sua trajetória improvável. Estreia na direção da dupla Tyree Dillihay (“Bob’s Burger”) e Adam Rosette (da equipe de “Robô Selvagem”), o filme conta com elenco de vozes originais que inclui Caleb McLaughlin (“Stranger Things”), Gabrielle Union (“Bad Boys”), Nick Kroll (“Big Mouth”), Nicola Coughlan (“Bridgerton”) e David Harbour (“Stranger Things”), além do próprio Curry, entre outros.
🎞️ A SAPATONA GALÁCTICA
A animação sci-fi australiana para adultos acompanha a introvertida Princesa Saira, filha das extravagantes rainhas lésbicas do planeta Clitópolis, devastada quando sua namorada, a caçadora de recompensas Kiki, termina o relacionamento por considerá-la muito carente.
Quando Kiki é sequestrada por seres heteros brancos do espaço, Saira precisa deixar os confortos do mundo gay para entregar o resgate solicitado: seu Royal Labrys, a arma mais poderosa conhecida pelo mundo lésbico. O único problema é que Saira não a possui, e com apenas 24 horas para conseguir a arma e salvar Kiki, ela embarca em uma jornada inter-gay-láctica de autodescoberta que inclui uma nave espacial problemática e uma nova amizade com Willow, uma fugitiva do pop gay. O longa de estreia das diretoras Emma Hough Hobbs e Leela Varghese teve estreia mundial no Festival de Berlim do ano passado, onde venceu o Teddy Award, e conquistou mais 17 prêmios internacionais, incluindo o Félix do Festival do Rio. A crítica internacional se apaixonou, resultando em 98% de aprovação no Rotten Tomatoes.
🎞️ VOCÊ SÓ PRECISA MATAR
O anime do Studio 4°C adapta a famosa light novel homônima de Hiroshi Sakurazaka, que anteriormente já tinha sido transformada em mangá e no filme hollywoodiano “No Limite do Amanhã” (2014) com Tom Cruise. A nova versão traz algumas mudanças significativas para se diferenciar, a começar por uma mudança de protagonista.
A trama altera o ponto de vista da história para acompanhar Rita Vrataski, a personagem de Emily Blunt no filme americano. A soldado da Força de Defesa Unida se vê presa em um loop temporal enquanto luta contra invasores alienígenas desconhecidos, morrendo repetidamente, com cada ciclo a tornando mais forte mas com o peso das mortes infinitas cobrando seu preço. Quando ela conhece Keiji, outro jovem preso no mesmo ciclo, eles unem forças para mudar seu destino, enfrentando escolhas impossíveis onde apenas um poderá sobreviver a um último reset temporal para encerrar a invasão do mundo.
🎞️ SONHOS DE TREM
Num caminho inverso ao habitual, o drama disponibilizado na Netflix em novembro ganha lançamento limitado nos cinemas, aproveitando o apelo do Oscar 2026. “Sonhos de Trem” marca a primeira vez que um brasileiro é indicado ao Oscar de Melhor Fotografia. Por seu trabalho no filme, o paulista Adolpho Veloso já ganhou o prêmio de Melhor Fotografia no Critics Choice Awards 2026 e é favorito para levar a estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos.
O longa foi filmado inteiramente com luz natural, câmera na mão e locações reais em 29 dias no meio de uma floresta na Costa do Pacífico, e foi o segundo trabalho de Adolpho Veloso em Hollywood. O cinematógrafo de “Tungstênio” (2018) e “Rodantes” (2021) estreou nos EUA com “Jockey” (2021), o filme anterior e estreia do diretor deste, Clint Bentley.
Adaptação do livro de mesmo nome de Denis Johnson, o drama é estrelado por Joel Edgerton (“Matéria Escura”) como Robert Grainier, um lenhador que vive no noroeste dos Estados Unidos durante a expansão das ferrovias no início do século 20. A trama acompanha sua vida marcada por perdas e pela busca de sentido em meio à rápida modernização do país, contrastando a natureza e a ação humana.
O roteiro é da dupla Clint Bentley e Greg Kwedar, que retoma a parceria do aclamado “Sing Sing” para explorar novamente personagens em situações de isolamento e transformação interior. Com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme foi adquirido pela Netflix após impressionar pela beleza de sua fotografia e direção sensível no Festival de Sundance de 2025.
Além do Oscar brasileiro, “Sonhos de Trem” ainda disputa os Oscars de Melhor Roteiro, Melhor Canção Original (de Nick Cave) e Melhor Filme do ano. Seu elenco de prestígio inclui Felicity Jones (“Rogue One: Uma História Star Wars”), Kerry Condon (“Os Banshees de Inisherin”) e William H. Macy (“Shameless”).
🎞️ YES
“Yes” é o primeiro longa do diretor israelense Nadav Lapid após vencer o Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2021 com “O Joelho de Ahed” e se mudar para Paris. A narrativa se passa em Israel no pós-7 de outubro e acompanha Y. (Ariel Bronz), um músico de jazz em dificuldades financeiras, e sua esposa Jasmine (Efrat Dor), uma dançarina. Enquanto os números das mortes no massacre de Gaza continuam se elevando, Y. recebe uma missão de máxima importância: compor um novo hino nacional para Israel, exaltando o crescimento do país sobre os escombros palestinos. O convite dispara um grande dilema moral.
O enredo caiu como uma bomba e foi considerado “traição” por nacionalistas, porque Lapid retrata a sociedade israelense pós-7 de Outubro como doente, cega ao sofrimento alheio e moralmente falida, com a arte nacional servindo apenas para validar o massacre ou distrair dele. O filme sugere que a “velha Israel” morreu e foi substituída por uma versão fascista e decadente. Além disso, Lapid filmou de forma quase clandestina, sem autorização oficial para certas cenas, e preocupado que membros da equipe abandonassem o set ou o denunciassem ao ministro da Cultura, depois de vários atores israelenses famosos desistirem devido ao tema da produção. Apesar disso, após o lançamento internacional no Festival de Cannes do ano passado, “Yes” ganhou apoio da crítica e foi indicado a 8 prêmios da Academia Israelense de Cinema, incluindo Melhor Filme do ano.
🎞️ ROB1N: INTELIGÊNCIA ASSASSINA
O terror britânico dirigido por Lawrence Fowler e produzido por seu pai Geoff Fowler, os criadores da franquia “Jack – A Caixa Maldita”, acompanha um especialista em robótica enlutado que canaliza a dor pela perda de seu filho de 11 anos na construção de Rob1n, uma boneca robótica totalmente funcional para substituí-lo.
A história se desenrola quando o sobrinho distante do cientista e sua noiva vêm visitá-lo, desencadeando uma série de eventos horríveis quando fica claro que Rob1n fará o que for preciso para ter seu criador só para si. Sem nenhuma originalidade, esta “M3gan” de baixo orçamento é estrelada por Ethan Taylor, também de “Jack – A Caixa Maldita”.
🎞️ ORWELL: 2+2=5
O novo documentário dirigido, escrito e produzido por Raoul Peck, do premiado “Eu Não Sou Seu Negro”, explora a vida, a obra e a influência duradoura do escritor George Orwell, conectando suas ideias ao mundo contemporâneo. O filme entrelaça uma biografia do autor, os temas centrais de seus trabalhos jornalísticos e literários e ilustrações de como essas noções se materializaram na “gestão” (ou manipulação) dos assuntos sociais, políticos e mundiais ao longo dos anos, com ênfase especial no presente. A narração de Damian Lewis (“Billions”), como voz de Orwell, acompanha o escritor através de entradas de diário, cartas e outros escritos durante os últimos dois anos de sua vida, enquanto lutava contra a tuberculose e transitava entre instalações de saúde, ao mesmo tempo em que concluía o manuscrito que se tornaria “1984”.
O filme ganha força quando se volta para questões contemporâneas, abordando o “capitalismo de vigilância” (com depoimento de Edward Snowden), a censura literária, o surgimento de narrativas ortodoxas na mídia e frases como “operações de manutenção da paz” que frequentemente transmitem o oposto de seu significado pretendido. O título faz referência a um momento crucial em “1984” onde um torturador compele Winston Smith a aceitar que 2+2 é igual a 5.