
Instagram/Alane Dias
Antes da folia, Alane Dias convoca seguidores contra privatização de rios da Amazônia
Ex-BBB 24 criticou decreto que afeta os rios Tapajós, Madeira e Tocantins e pediu apoio à mobilização indígena no Pará
Posicionamento antes da festa
Antes de cair na folia em Salvador, a ex-BBB Alane Dias surpreendeu seus seguidores com um forte posicionamento político. A atriz e bailarina, que ficou em 4º lugar no BBB 24, manifestou-se publicamente nas redes sociais em apoio à mobilização de povos indígenas no Pará contra a implementação do Decreto 12.600, que autoriza a privatização de rios vitais da Amazônia, como o Tapajós, o Madeira e o Tocantins.
Em publicação no Instagram, a paraense afirmou que os rios amazônicos “são vivos” e alertou que a vida na região está sob risco. Ela criticou duramente a ausência de estudos de impacto ambiental e a falta de consulta prévia, livre e informada às comunidades que seriam diretamente afetadas pela medida.
“Os Rios Tapajós, Madeira e Tocantins não são apenas hidrovias, são caminhos que protegem e mantêm a floresta e sua população, e isso é fundamental para o equilíbrio humano”, declarou Alane, convocando seus seguidores a contribuírem financeiramente com a mobilização indígena através de um Pix solidário.
Entenda o conflito
A mobilização apoiada pela atriz ocorre no Baixo Amazonas e já dura mais de três semanas. O movimento, descrito como uma ocupação pacífica, busca diálogo com o poder público sobre os impactos do decreto nos modos de vida tradicionais.
O cenário é tenso: centenas de membros de 14 povos indígenas bloqueiam o acesso terrestre a um terminal portuário da Cargill, próximo à confluência dos rios Amazonas e Tapajós, interrompendo o descarregamento de soja. No início do mês, manifestantes chegaram a fechar brevemente a entrada do aeroporto de Santarém (PA).
Eles protestam contra o lançamento de um processo de licitação para a dragagem do rio Tapajós, que abre caminho para a privatização da gestão de cerca de 4.000 quilômetros de rios na Amazônia. Essas iniciativas foram endossadas pela nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, aprovada no ano passado, que elimina a necessidade de estudos para projetos de infraestrutura de “baixo e médio impacto” e restringe consultas em territórios indígenas e quilombolas.