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Divulgação/MUBI

Filme|3 de janeiro de 2026

Morre aos 102 anos Maria Ribeiro, ícone do Cinema Novo

Atriz ficou conhecida como Sinhá Vitória em "Vidas Secas" e teve carreira marcante nas décadas de 1960 e 1970

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Atriz descoberta por Nelson Pereira dos Santos morre na Suíça
2 Da Bahia ao estrelato no Cinema Novo
3 Consagração internacional com “Vidas Secas”
4 Sucesso consolidado no cinema brasileiro
5 Vida na Europa interrompeu carreira

Atriz descoberta por Nelson Pereira dos Santos morre na Suíça

Ícone do cinema brasileiro nos anos 1960 e 1970, Maria Ribeiro morreu aos 102 anos em 29 de dezembro, em Genebra, na Suíça, onde morava. A atriz ficou conhecida principalmente pelo papel de Sinhá Vitória em “Vidas Secas” (1963), filme baseado no clássico literário de Graciliano Ramos. A morte foi confirmada pela filha da atriz, Wilma Lindomar da Silva, nas redes sociais.

Da Bahia ao estrelato no Cinema Novo

Batizada de Maria Ramos da Silva, ela nasceu em Sento Sé, no interior da Bahia, e teve a infância marcada pela vida no sertão. Também viveu em Juazeiro (BA) e Pirapora (MG), antes de se mudar para o Rio de Janeiro aos 15 anos.
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Na capital fluminense, trabalhou num laboratório farmacêutico e em fábricas e tipografias. Foi ao conseguir um emprego na Líder Cine Laboratórios que sua vida mudou. Lá, Maria conheceu vários cineastas pioneiros do Cinema Novo, entre eles Glauber Rocha, Luiz Carlos Barreto, Cacá Diegues e Nelson Pereira dos Santos, que frequentavam o estabelecimento para obter revelação de negativos e cópias de seus filmes.
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Em certa ocasião, Glauber comentou com Maria que Nelson tinha interesse na participação dela como atriz num futuro filme. Ela não acreditou na seriedade da proposta até o próprio Nelson lhe oferecer um papel no drama “Vidas Secas”, que estrearia em 1963.
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Consagração internacional com “Vidas Secas”

Já próxima dos 40 anos e sem formação artística, inicialmente resistiu à proposta. Mas acabou aceitando o papel da matriarca da família de retirantes.
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Maria seguiu com a equipe para o sertão de Alagoas, onde “Vidas Secas”, adaptação do romance homônimo de Graciliano Ramos, foi filmado durante quatro meses. Sob forte calor e condições precárias de produção, ela desempenhou o papel feminino principal, Sinhá Vitória, matriarca de uma família que foge da seca no sertão nordestino.

“Vidas Secas” recebeu aclamação da crítica mundial, sendo selecionado para o Festival de Cannes em 1964, o que projetou internacionalmente a atriz, proporcionando-lhe oportunidades de viagens, entrevistas e participação em novos filmes.
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Sucesso consolidado no cinema brasileiro

Transformada em atriz profissional, ela fez segundo filme, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, em 1965. O longa de Roberto Santos adaptou outra obra literária, o conto homônimo de Guimarães Rosa. Maria interpretou Dionará, papel pelo qual foi selecionada como representante feminina da delegação brasileira no Festival de Cannes de 1966.
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Continuou atuando nos longas-metragens “Os Herdeiros” (1970), de Cacá Diegues, “O Amuleto de Ogum” (1974), seu reencontro com Nelson Pereira dos Santos, “Perdida” (1976), de Carlos Alberto Prates Correia, e “Soledade, a Bagaceira” (1976), adaptação de Paulo Thiago do romance “A Bagaceira”, de José Américo de Almeida.
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Vida na Europa interrompeu carreira

A carreira foi interrompida pela opção de morar no exterior. Mesmo assim, Nelson Pereira dos Santos voltou a filmá-la em “A Terceira Margem do Rio” (1994), trazendo Maria de volta ao Brasil após ter morado durante um tempo na Suíça, para onde retornou posteriormente. O filme teve receptividade inicial negativa, a respeito da qual Maria comentou: “O público não foi generoso, mas consciente”.
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Uma década depois, ela se despediu do cinema com uma participação em “As Tranças de Maria” (2003), após ser entrevistada para o documentário “Como se Morre no Cinema” (2002). Apesar de sua estadia na Europa, ela nunca chegou a atuar no exterior.

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