
Instagram/Ana Castela
Prefeitura de SP vai pagar R$ 5,8 milhões para artistas do Réveillon da Paulista
Só Ana Castela e Simone Mendes vão receber R$ 1,35 milhão cada, num aumento de 77% em relação ao evento do ano passado
Quem são os artistas mais caros da Virada?
A Prefeitura de São Paulo vai desembolsar mais de R$ 5,8 milhões em cachês para o Réveillon da Avenida Paulista, segundo documentos da negociação entre a gestão municipal e os artistas, aos quais o UOL teve acesso. O valor representa um aumento de 77% em comparação ao gasto de R$ 3,27 milhões do ano passado. As cantoras Ana Castela e Simone Mendes lideram o ranking de cachês, cada uma com R$ 1,35 milhão previsto para suas apresentações.
A programação anunciada na quinta pela gestão Ricardo Nunes (MDB) inclui 14 horas ininterruptas de shows com Ana Castela, Simone Mendes, João Gomes, Maiara & Maraisa, Belo, Latino, Frei Gilson, Padre Marcelo Rossi e o grupo Colo de Deus. Além das atrações principais, também estão previstos pagamentos para os DJs que se apresentarão na virada e 15 minutos de queima de fogos.
Por que os cachês aumentaram 77% em relação ao ano passado?
Os valores negociados para 2025 superam significativamente os cachês do Réveillon anterior. Na virada de 2024 para 2025, a maior atração foi Bruno & Marrone, que receberam R$ 1,1 milhão, enquanto o menor valor pago foi de R$ 38 mil à escola de samba Mocidade Alegre. Gloria Groove embolsou R$ 600 mil, Junior Lima R$ 450 mil, Roberta Miranda R$ 300 mil e MC Livinho R$ 277 mil.
A análise interna da prefeitura, que embasou as contratações, considerou que os aumentos seguem tendência nacional de datas de alta demanda, como Ano-Novo e Carnaval. O estudo avaliou cachês de artistas em diferentes regiões do país e concluiu que o reajuste obedece ao padrão de grandes eventos.
Como ficam os valores individuais dos artistas?
O UOL apurou que Ana Castela vai receber R$ 1,35 milhão, um aumento de R$ 250 mil em comparação ao que cobrou em São Luís na virada de 2024 para 2025, quando recebeu R$ 1,1 milhão. Simone Mendes, também com R$ 1,35 milhão, tem aumento de mais de 40% em relação à média praticada, que gira em torno de R$ 933 mil em contratos recentes.
João Gomes vai embolsar R$ 1 milhão, valor superior ao que costuma cobrar em eventos comuns, cerca de R$ 600 mil. Em junho, por exemplo, o cantor recebeu R$ 550 mil por shows no São João de Lagarto e Estância, no interior de Sergipe, e no Réveillon passado, em Macapá, cobrou R$ 712 mil. Maiara & Maraisa vão receber R$ 900 mil, Belo R$ 800 mil e Latino R$ 400 mil.
O que diz a Prefeitura sobre o aumento?
Após a publicação da reportagem, a Prefeitura de São Paulo defendeu os custos. Segundo o comunicado, o Réveillon deste ano terá mais shows — nove apresentações, contra sete no ano passado — e a programação também será maior, com 14 horas ininterruptas, enquanto a edição anterior teve 12 horas.
A administração afirmou que manteve o valor total gasto em 2024, de R$ 13 milhões, somando infraestrutura e cachês, e que o investimento fortalece o turismo e a economia da cidade. A gestão citou estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas), que estima que as festas de Natal e Ano-Novo devem movimentar R$ 2,07 bilhões na cidade, impactando setores como hotelaria, alimentação, transporte, comércio e serviços.
Vale apontar que três atrações religiosas se apresentam sem cachê: Frei Gilson, padre Marcelo Rossi e o grupo Colo de Deus participam de forma voluntária do evento.