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Divulgação/Castle

Música|24 de novembro de 2025

Morre Jimmy Cliff, lenda do reggae, aos 81 anos

Cantor jamaicano faleceu após convulsão causada por pneumonia e deixa legado com clássicos como "The Harder They Come" e forte conexão com o Brasil


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Morte após complicação de pneumonia
2 Impacto na história do reggae
3 A revolução do filme “Balada Sangrenta”?
4 Qual foi a conexão do cantor com o Brasil?
5 Como foi a carreira nos anos seguintes?
6 Homenagem oficial da Jamaica
7 Videoclipes

Morte após complicação de pneumonia

O cantor e compositor jamaicano Jimmy Cliff, um dos maiores nomes da história do reggae, morreu aos 81 anos. A confirmação veio através de publicação no perfil oficial do artista no Instagram, assinada por Latifa, sua esposa, que revelou que a morte foi causada por uma convulsão decorrente de pneumonia.

“Para todos os seus fãs em todo o mundo, saibam que o vosso apoio foi a força dele durante toda a sua carreira. Ele realmente apreciou cada fã pelo seu amor”, afirmou no post.

Impacto na história do reggae

Reconhecido mundialmente por clássicos como “The Harder They Come”, “You Can Get It If You Really Want” e “Many Rivers To Cross”, Jimmy Cliff foi um dos pilares fundadores do reggae e do ska jamaicano. Nascido em Saint James, na Jamaica, iniciou na música ainda criança, apresentando-se em feiras e festas locais antes de se mudar para Kingston aos 14 anos para perseguir a carreira artística.

Seu caminho para o estrelato global ganhou força quando assinou com a Island Records de Chris Blackwell, gravadora que já havia levado o reggae ao mundo com o sucesso de Millie Brown “My Boy Lollipop” em 1964. Blackwell levou Cliff para Londres, onde o artista “experimentou racismo de uma maneira que nunca havia vivenciado antes”, segundo suas próprias palavras, e inicialmente o direcionou para o rock até que seu primeiro hit, “Wonderful World, Beautiful People”, alcançou o 6º lugar nas paradas britânicas em 1969.

No ano seguinte, retornou ao top 10 britânico com uma versão de “Wild World”, de Cat Stevens. Porém, foi o filme “Balada Sangrenta” (The Harder They Come), de 1972, que não apenas o levou ao palco global mas o transformou em lenda do reggae. A trilha sonora, com clássicos de Cliff como a faixa-título, “You Can Get It If You Really Want” e a bela balada anterior “Many Rivers To Cross”, além de músicas de Desmond Dekker, Toots & the Maytals e outros, serviu como introdução ao reggae para incontáveis milhões de pessoas.

A revolução do filme “Balada Sangrenta”?

Além de cantar, Cliff também estrelou o longa. Seu personagem Ivanhoe Martin “era um personagem da vida real para os jamaicanos”, disse Cliff à Variety em 2023. “Quando eu era menino, costumava ouvir falar dele como um homem mau. Um homem muito mau. Ninguém na Jamaica, naquela época, tinha armas. Mas ele tinha armas e atirou num policial, então era alguém a ser temido.”

“Posso não ser um homem mau”, continuou com uma risada. “Mas conheci muitos homens maus. Quando cheguei a Kingston, estava entre esse tipo de gente com frequência. Quando estava filmando, tive até chance de falar com eles, perguntar se fariam o que eu estava fazendo no filme. Então sou um homem de paz, mas conheci muita gente que não era.”

A performance naturalista e magnética de Cliff, o cenário exótico dos cortiços de Trenchtown e uma vibrante trilha sonora de reggae transformaram “The Harder They Come” num sucesso cult. O álbum da trilha sonora, lançado tardiamente, alcançou o 140º lugar nos EUA em 1975 e abriu caminho para Bob Marley, cujos primeiros álbuns americanos com os Wailers apareceram no mesmo ano.

Qual foi a conexão do cantor com o Brasil?

Ao longo de sua trajetória, Jimmy Cliff desenvolveu forte ligação com o Brasil. Tudo começou em 1968, quando veio ao Rio de Janeiro para o Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho. Foi no Brasil que ele compôs, em 1969, “Wonderful World, Beautiful People”, considerada uma das primeiras faixas de reggae que ficaram conhecidas fora da Jamaica, entrando nas paradas dos Estados Unidos. No mesmo ano, gravou o LP “Jimmy Cliff In Brazil”, cujo encarte o mostra diante da Praia de Botafogo.

O cantor esteve tantas vezes no país que virou figura folclórica por aqui, chegando a fazer uma turnê lotada com Gilberto Gil em 1980. Em publicação nesta segunda-feira, Gil escreveu em suas redes sociais: “Jimmy Cliff influenciou e seguirá influenciando minha música. Obrigado por tanto.”

Em 1984, gravou nas praias do Rio o clipe de “We All Are One”, dirigido por Tizuka Yamasaki e, no ano seguinte, emplacou o hit “Hot Shot” na trilha sonora da novela “Ti Ti Ti”, exibida pela TV Globo, seguido por “Rebel In Me” em “Rainha da Sucata” (1990).

Ele voltou em 1991 para gravar em Salvador o CD “Breakout”, lançado em 1992. O disco contou com as participações de Olodum na canção “Samba Reggae” e do Araketu na faixa-título e em “War a Africa”, e embalou o nascimento de sua filha Naiyah Be em Salvador, fruto do relacionamento com a psicóloga Sônia Gomes da Silva. Nayah virou atriz e atuou no filme “Pantera Negra” da Marvel, feito que deixava Cliff orgulhoso.

Em 1997, participou do disco “Acústico MTV” dos Titãs, revisitando seu clássico “The Harder They Come”, que virou “Querem Meu Sangue” na versão brasileira também gravada, além dos Titãs, pelo Cidade Negra. Em publicação em suas redes sociais, os Titãs também lamentaram a morte do jamaicano: “Hoje a gente perde também um pedaço importante da nossa história. Tivemos a honra de dividir o palco com ele no Titãs Acústico. Vai em paz, Jimmy. Obrigado pela música e pela energia que você deixou por aqui.”

Como foi a carreira nos anos seguintes?

No cinema, Cliff ainda fez papéis menores em “Clube Paraíso” (1986), ao lado de Robin Williams, e em “Marcado Para A Morte” (1990), com Steven Seagal. Em 1993, sua gravação de “I Can See Clearly Now”, de Johnny Nash, tornou-se um hit mundial ao ser incluída na trilha sonora do filme “Jamaica Abaixo de Zero”.

Jimmy Cliff também se converteu ao islamismo, adotando o nome El Hadj Naim Bachir, e experimentou com ritmos africanos e funk. “Cliff Hanger” (1985), coproduzido com La Toya Jackson e Amir-Salaam Bayyan do Kool and the Gang, contou com o baixista de jazz Jaco Pastorius e tornou-se o primeiro disco do cantor a ganhar o Grammy.

Mais recentemente, o EP “The Sacred Fire” de 2011 e o álbum “Rebirth”, ambos produzidos por Tim Armstrong, vocalista da banda punk Rancid, alcançaram o topo da parada de reggae e vencendo o Grammy de melhor álbum de reggae – a última de suas duas vitórias em sete indicações ao longo dos anos.

A morte ocorre quatro anos depois de ter lançado “Human Touch”, seu último single, marcado por um retorno ao reggae dos anos 1960 e por reflexões sobre a solidão em tempos de pandemia.

Homenagem oficial da Jamaica

Em publicação no X, o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, prestou tributo ao cantor, chamando-o de “verdadeiro gigante cultural cuja música levou a essência da nossa nação ao mundo”. “Através de canções atemporais como ‘Many Rivers To Cross’, ‘The Harder They Come’, ‘You Can Get It If You Really Want’ e ‘Sitting In Limbo’, Jimmy Cliff contou a nossa história com honestidade e alma”, escreveu. “Sua música elevou as pessoas em momentos difíceis, inspirou gerações e ajudou a moldar o respeito global que a cultura jamaicana desfruta hoje. Agradecemos por sua vida, sua contribuição e o orgulho que ele trouxe à Jamaica. Estendo minhas mais sinceras condolências à sua família, entes queridos e a todos os jamaicanos. Sei que sentimos profundamente esta perda. Descanse em paz, Jimmy Cliff. Seu legado viverá em cada canto da nossa ilha e nos corações do povo jamaicano.”

Videoclipes

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