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Divulgação/A24

Filme|18 de abril de 2024

Estreias | “Guerra Civil” é principal lançamento de cinema

Programação também destaca o terror "Abigail" e os filmes brasileiros "Vidente por Acidente", "Sem Coração" e "Jorge da Capadócia"

Depois de liderar as bilheterias nos Estados Unidos, o filme “Guerra Civil”, estrelado por Wagner Moura, ganha tratamento de blockbuster no Brasil. O lançamento vai acontecer em mais de mil salas. Mas, para não perder o costume, bolsonaristas chatos já lançaram campanha de boicote. Desde “Marighela”, dirigido justamente por Wagner Moura, todos os boicotes planejados pelos extremistas resultaram em grande público – e piada nas redes sociais.

Outro lançamento com distribuição forte é o terror “Abigail”, dos mesmos diretores dos dois últimos “Pânico”. Além disso, os cinemas recebem três ficções nacionais – e o épico sobre São Jorge pode se beneficiar do dia do santo, que cai em 23 de abril. Há ainda produções europeias e documentários. Confira a lista completa.

 

GUERRA CIVIL

 

Lançado no fim de semana passado nos Estados Unidos, o filme quebrou recordes e estabeleceu a maior bilheteria de estreia do estúdio independente A24 em todos os tempos. Também se trata do longa-metragem mais caro já feito pela empresa, vencedora do Oscar 2023 com “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”. Orçada em US$ 50 milhões, foi considerada ainda a aposta mais arriscada da história do A24. Afinal, a produção americana é estrelada por um ator estrangeiro, o brasileiro Wagner Moura, e lida com um tema espinhoso: a polarização política dos Estados Unidos.

Na trama polêmica, Texas e Califórnia se separaram da União, formando um exército de Forças que avançam contra o poderio militar do governo dos EUA. Reflexo da divisão real criada no país durante o governo de Donald Trump, o filme acompanha um grupo de jornalistas tentando cobrir o avanço de militares contra a capital do país. Alvos de tiros e bombas, os jornalistas são vividos por Wagner Moura (“Narcos”), Kirsten Dunst (“Melancolia”) e Cailee Spaeny (“Priscilla”). Correspondentes de guerra num país dividido, eles captam de forma assustadora o significado da guerra civil, quando as pessoas já não sabem pelo que estão a lutar, apenas que estão a lutar. Roteiro e direção são de Alex Garland, cineasta de ficções científicas premiadas como “Ex-Machina” e “Aniquilação”.

Além de sucesso de bilheteria, “Guerra Civil” foi elogiadíssimo pela crítica, conquistando 83% de aprovação no Rotten Tomatoes. O elenco também inclui Jesse Plemons (“Assassinos da Lua das Flores”), Nick Offerman (“The Last of Us”), Stephen McKinley Henderson (“Beau Tem Medo”), Jefferson White (“Yellowstone”) e Sonoya Mizuno (“A Casa do Dragão”).

 

ABIGAIL

 

O novo terror dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, conhecidos por seu trabalho na franquia “Pânico”, mantém a marca registrada dos cineastas, que desde “Casamento Sangrento” (2019) se notabilizaram por combinar cenas sangrentas com humor doentio. Desta vez, eles acompanham criminosos contratados por uma fortuna para numa missão aparentemente fácil, que se revela uma armadilha fatal e sangrenta.

O enredo gira em torno de um grupo contratado para cuidar da personagem-título, uma menina de 12 anos, filha de uma figura importante do submundo, após seu sequestro. Eles precisam manter a situação sob controle durante a noite, enquanto as negociações de um resgate de US$ 50 milhões acontecem. Só que a menina revela-se uma vampira e eles se veem trancados no mesmo local que ela, sem chances de fugir de sua sede de sangue. Sem noção de como agir, eles tentam criar uma estratégia de sobrevivência baseada em diferentes concepções de vampiros no cinema, que logo se provam inúteis.

O filme conta com um elenco de destaque, incluindo Melissa Barrera, que trabalhou com Bettinelli-Olpin e Gillett em “Pânico VI”, além de Dan Stevens (“Legion”), Kevin Durand (“The Strain”), Kathryn Newton (“Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania”), William Catlett (“Raio Negro”), Giancarlo Esposito (“Better Call Saul”) e o falecido Angus Cloud (“Euphoria”) num de seus últimos papéis, além de Alisha Weir (estrela de “Matilda: O Musical”) como Abigail.

 

VIDENTE POR ACIDENTE

 

A comédia marca o primeiro trabalho do apresentador Otaviano Costa como protagonista de cinema. Antes, ele tinha feito apenas um papel pequeno em “De Perto Ela Não é Normal” (2020). Otaviano vive o arquiteto Ulisses, que, descrente de sua carreira e inseguro de seus talentos, visita uma “coach” querendo encontrar sua verdadeira vocação. Só que era golpe. Ele toma um chá de ritual suspeito da “profissional” e apaga, sendo roubado. Entretanto, em seu delírio, o arquiteto encontra Deus e, ao despertar, acredita ter ganhado o estranho poder de descobrir, com apenas um toque, a verdadeira vocação dos outros. Isso chama a atenção da muita gente e o torna famoso. Até o tal poder começar a falhar, fazendo-o ser tratado como fraude.

O elenco também traz Katiuscia Canoro (“Tô Ryca 2”), Evelyn Castro (“Canta Comigo”), Jamilly Mariano (“A Vida da Gente”), Totia Meirelles (“Fina Estampa”), Macla Tenório (“Onde Está Meu Coração”) e Victor Lamoglia (“Tá Escrito”), além de contar com diversas participações especiais, incluindo Xuxa Meneghel, Flávia Alessandra (que é esposa de Otaviano) e Pequena Lô. A direção é de Rodrigo Van Der Put (“Juntos e Enrolados”) e o roteiro foi escrito por André Brandt e Gui Cintra, que trabalharam juntos no “Programa do Porchat”.

 

SEM CORAÇÃO

 

O primeiro longa da dupla Nara Normande e Tião venceu no ano passado os prêmios de Melhor Filme Brasileiro de Diretor Estreante na Mostra de São Paulo, além de Melhor Filme de Temática LGBTQIAPN+ e Melhor Fotografia no Festival do Rio. A obra é uma extrapolação do curta de mesmo nome que os dois dirigiram em 2014. A trama se passa no verão de 1996, à beira-mar de Alagoas, e segue Tamara, uma jovem que se prepara para deixar sua pacata vila de pescadores e partir para estudar em Brasília. Em meio aos últimos dias com sua família e amigos, ela conhece uma adolescente misteriosa apelidada de “Sem Coração” por causa de uma cicatriz no peito. Ao longo do verão, Tamara se sente cada vez mais atraída por essa garota enigmática, embarcando em uma jornada de descoberta pessoal e amor proibido.

De forma sensível, o filme explora temas como amadurecimento, identidade, sexualidade e os desafios da vida em uma comunidade rural. A trama é conduzida pelas atuações impecáveis da estreante Maya de Vicq e Eduarda Samara (“Bacurau”), que transbordam química em tela. O elenco também inclui Maeve Jinkings (“Pedágio”), Erom Cordeiro (“DNA do Crime”) e Kayky Brito (“Socorro, Virei uma Garota!”).

 

JORGE DA CAPADÓCIA

 

O primeiro longa sobre São Jorge é uma produção idealizada, dirigida e estrelada por Alexandre Machafer, especialista em filmes religiosos (“O Filho do Homem”) e produções de época (“Brasil Imperial”). O enredo encontra Jorge da Capadócia (Machafer) no ano de 303, quando, após ter vencido uma grande batalha, é condecorado como novo capitão das legiões romanas. O período coincide com sua conversão ao cristianismo e com a última grande perseguição aos cristãos no império, sob ordem do Imperador Diocleciano. Diante das cruéis ordenações impostas ao povo e a pressão para que se rendam aos deuses romanos, Jorge se rebela e enfrenta as consequências. Suas lutas incluem até um famoso duelo com um dragão.

A presença de batalhas e um dragão criado por computação gráfica dão ao épico tupiniquim um clima de “Game of Thrones” barato – um trabalho esforçado com um orçamento bem inferior. O roteiro é de Matheus Souza (“Tá Escrito”) e o elenco conta com Cyria Coentro (“Impuros”), Roberto Bomtempo (“Mão na Luva”), Ricardo Soares (“O Filho do Homem”), Miriam Freeland (“D.P.A. – Detetives do Prédio Azul”), Augusto Garcia (“O Rico e Lázaro”) e Antônio Gonzalez (“Anjos do Sol”).

 

ZONA DE EXCLUSÃO

 

Em meio à tensa fronteira entre a Polônia e a Bielorrússia, onde uma crise de refugiados entrelaça política e drama humano, o longa em preto e branco da diretora polonesa Agnieszka Holland (“Europa, Europa”) convida a refletir sobre uma realidade complexa, onde a xenofobia, a violência policial e a busca por justiça se entrelaçam em um mosaico de histórias de vida e morte.

A trama acompanha três personagens. Ewa (Agata Kulesza) é uma psicóloga recém-chegada à região, que se vê envolvida em um turbilhão de eventos dramáticos, virando testemunha e, por vezes, participante involuntária das lutas e sofrimentos que marcam a vida na fronteira. Irek (Jakub Kuczala) é um jovem guarda da fronteira polonesa, que recebe ordens muitas vezes em desacordo com sua consciência, colocando-o em uma constante batalha moral em meio à caótica realidade que o cerca. E, no centro dessa teia de personagens entrelaçadas, Zana (Zainab Al Raef) surge como um símbolo da esperança e da resiliência humana. Ela é uma refugiada síria em busca de um futuro melhor para si e para sua família, e precisa lutar contra a adversidade, a fome, o medo e a incerteza em um ambiente hostil e implacável.

Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza, “Zona de Exclusão” vai além da mera apresentação dos fatos da crise dos refugiados. Holland mergulha na alma dos personagens, revelando suas motivações, seus medos e suas esperanças, por meio de uma narrativa sensível e humanizada, e atuações realistas.

 

NÉVOA PRATEADA

 

O drama da holandesa Sacha Polak (“Dirty God”) segue Franky, uma enfermeira de 23 anos. Quinze anos após um incêndio que devastou um pub onde ela dormia quando criança, Franky ainda luta contra as cicatrizes físicas e emocionais. Obsescada pela busca por vingança e atormentada pela culpa, ela se encontra presa em um ciclo de raiva e ressentimento, incapaz de construir qualquer relacionamento significativo. Até que ela se apaixona por uma de suas pacientes. Juntas, escapam para o litoral, onde Florence vive com sua família excêntrica e acolhedora.

Longe da agitação de Londres e cercada por um ambiente tranquilo e amoroso, Franky finalmente encontra a paz que tanto procurava. Começa a processar o trauma do passado e a curar suas feridas emocionais. Entretanto, não consegue se livrar completamente dos fantasmas do passado. A busca por vingança ainda paira sobre ela, ameaçando destruir a felicidade recém-descoberta.

Vicky Knight, que interpreta Franky, é uma enfermeira na vida real, e este é seu segundo filme. As cicatrizes em seu corpo são reais, resultado de um incêndio em sua casa quando ela tinha 8 anos, que causou queimaduras em 30% de seu corpo. Por sua interpretação, ela ganhou o Prêmio do Júri do Teddy, premiação dedicada às obras de temática LGBTQIA+ no Festival de Berlim.

 

E A FESTA CONTINUA!

 

A nova comédia dramática do francês Robert Guédiguian (“As Neves do Kilimandjaro”) gira em torno de Rosa, uma residente de um bairro popular de Marselha, que se divide entre sua vida familiar, seu trabalho como enfermeira e seu engajamento político. Na véspera das eleições municipais, muitos militantes de esquerda estão convencidos de que apenas ela poderia selar a união entre o Partido Socialista e os ecologistas, e gostariam de vê-la como cabeça de chapa.

Interpretada por Ariane Ascaride, Rosa é retratada como uma mulher altruísta e dedicada, que sempre colocou as necessidades de sua família e da comunidade acima das suas próprias. Ao longo dos anos, ela se tornou um pilar fundamental para aqueles que a rodeiam, trabalhando incansavelmente como enfermeira e engajando-se ativamente em causas políticas locais. Entretanto, a protagonista hesita em se comprometer com a política. Ela se apaixonou por Henri (Jean-Pierre Darroussin), um ex-livreiro recentemente radicado em Marselha, e sonha em se aposentar para viver ao seu lado. Enquanto isso, Alice (Lola Naymark), filha de Henri e namorada do filho de Rosa (Robinson Stévenin), luta ao lado dos moradores da rue d’Aubagne, enlutados pelo desabamento de dois prédios em ruínas. Todo esse elenco, incluindo Ascaride, trabalhou com o diretor em “O Mundo de Glória” (2019).

Ao longo da trama, a produção transcende o drama familiar para se tornar um retrato comovente da vida na vibrante cidade de Marselha. O filme explora os laços profundos que unem os membros da família de Rosa, assim como os desafios e alegrias da vida cotidiana na cidade.

 

UMA BAÍA

 

Mergulho cinematográfico nas profundezas da Baía de Guanabara, o documentário do diretor Murilo Salles (“Nome Próprio”) convida o espectador a uma travessia sensorial e reflexiva por um microcosmo rico em histórias, lutas e belezas. Ao invés de seguir uma narrativa linear, o filme tece uma fábula visual composta por oito segmentos, cada um dedicado a um personagem singular que habita ou trabalha nas margens da baía. São catadores de caranguejo, pescadores de mexilhão, operários, funcionárias de entrepostos pesqueiros, artesãos de barcos, barbeiros evangélicos, charreteiros e até mesmo um cavalo de charrete em Paquetá.

Cada segmento é uma janela para um universo único, revelando as rotinas, os desafios e as esperanças desses indivíduos que constroem sua vida em torno da baía, ao mesmo tempo em que expõe as cicatrizes da degradação ambiental e da exploração humana. A obra recebeu o Troféu Redentor de Melhor Edição (Eva Randolph) no Festival do Rio 2021.

 

JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA – O MAIOR MINEIRO DO MUNDO

 

Documentário sobre um dos políticos mais influentes do Brasil nos últimos 60 anos, mineiro que elevou a sua pequena Conceição do Mato Dentro para o centro das decisões políticas e administrativas do Estado de Minas Gerais, do Distrito Federal e do Brasil. A obra conta com depoimentos de famosos como Fernanda Montenegro e o recentemente falecido Ziraldo.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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