Divulgação/HBO

Diretor de “007 – Sem Tempo Para Morrer” volta a ser acusado de assédio sexual

O diretor Cary Fukunaga, de “007 – Sem Tempo Para Morrer”, voltou a ser alvo de denúncias de assédio sexual. Vinte dias após manifestações de atrizes nas redes sociais, a revista americana Rolling Stone fez uma reportagem que colheu testemunhos de várias mulheres sobre o comportamento inapropriado do cineasta.

Diferente das críticas postadas abertamente nas redes sociais, desta vez nenhuma das denunciantes quis se identificar.

Os casos abrangem várias produções do diretor, inclusive a recente “Masters of the Air”, minissérie ainda inédita da Apple TV+. No set da atração, Fukunaga teria abordado duas jovens figurantes, que estavam vestidas como prostitutas dos anos 1940, e pedido para tirar fotos delas para marcar a continuidade (trabalho normalmente feito por assistentes, e não pelo diretor). Durante as fotos, ele insistiu para que elas fizessem poses cada vez mais sugestivas para a câmera.

Outra mulher, que já tinha trabalhado com o diretor sem grandes incidentes, contou que estava alinhada para um próximo projeto com Fukunaga quando foi subitamente demitida – e ele a convidou para sair.

“Eu me lembro dessa época porque fiquei realmente chateada. Queria muito aquele trabalho, e precisava muito dele. Pareceu realmente estranho que ele tenha me demitido e seguido isso com: ‘Deixe eu te levar pra tomar uns drinks'”, ela comentou.

Em mais um incidente, Fukunaga foi acusado de flertar abertamente com uma atriz durante filmagens, o que deixou até seus amigos em estado de alerta. “Era humilhante para mim, porque subitamente eu achava que precisava trabalhar todos os dias mais discretamente, sem chamar a atenção dele”, disse a denunciante.

“Foi muito desconfortável, e foi horrível… Eu só terminei aquele trabalho porque estava preocupada com a minha carreira”, completou.

Uma atriz diferente contou ter descoberto que foi chamada para um teste de produção, depois que o diretor não conseguiu chamar sua atenção no Instagram. “Foi muito bizarro, porque ele queria me conhecer e me namorar, ou só me f*der, qualquer coisa assim. Ele usa o seu poder, a sua fama e o ambiente profissional para atrair as garotas”, ela acusou.

A reportagem ainda cita membros das equipes que afirmam que o hábito de Fukunaga “usar seus sets como bares de paquera” era motivo de cochichos e zombarias entre os colegas de trabalho.

O advogado do diretor, Michael Plonsker, negou todas as acusações. “Ninguém nunca trouxe esse tipo de preocupação para Cary, nenhuma vez. Ele cria ambientes de trabalho criativos, colaborativos e acolhedores, e nunca agiu de forma que pudesse gerar uma reportagem como essa”, ele disse para a Rolling Stone.