Divulgação/Globo

Suspeita de robôs na vitória de Arthur aumenta com denúncia nas redes sociais

A suspeita de que a trajetória de Arthur Aguiar no “BBB 22” foi impulsionada por poder econômico e robôs ganhou força nesta quinta (28/5), um dia após ele vencer o reality show da Globo, com uma denúncia nas redes sociais. O perfil identificado como Amanda Brasil (que usa foto da atriz Mariana Ximenes) localizou diversos seguidores suspeitos nas contas do ator, incluindo milhares de árabes e tailandeses.

“A galera árabe se identificou muito com ele”, escreveu o perfil que expôs a “farsa”. “É árabe que não acaba mais, meus amores, a cada letra árabe que eu coloco aparece mais mil seguidores, é aclamação que fala, né? ‘Big Brother Faixa de Gaza’ vem aí!!! O campeão tá chegando!!!”.

Ela emendou com outra descoberta. “Essa é pra quem disse que o Tuty usa robôs: depois do grande sucesso no mundo árabe, ele também tá sendo aclamado pelos tailandeses!!! Chupa! É sucesso internacional, fio!”, acrescentou.

Curiosamente, esta popularidade mundial não é compartilhada nem no universo do próprio “BBB 22”. Apenas dez integrantes do programa fazem questão de acompanhar o ator nas redes sociais. E de forma bastante ilustrativa da forma como se comportou no reality da Globo, Arthur retribuiu seguindo apenas cinco, metade dos que tentaram manter a amizade fora do programa.

Vale lembrar que até Lula reclamou do uso de robôs na votação do “BBB 22”.

Em discurso sobre o tema, Arthur se disse – surpresa! – perseguido. “As pessoas desmerecem tudo o que eu faço. No BBB, quando fui ao Paredão contra a Jade e ela saiu era porque ela falou algo ruim. Quando fui ao Paredão falso não valeu, agora que ganhei foi com robô. Não faz sentido”, desabafou.

Ele também disse: “Não é o primeiro ano que dizem que quem ganha teve ajuda de robôs, as pessoas entram numas teorias de desmerecer nossa trajetória. Creio que a Globo como uma empresa gigante pode falar melhor do que ninguém sobre seu sistema de defesa”.

No site do programa, a Globo atesta a segurança do processo, que exige cadastro. “O sistema de votação utilizado no Big Brother Brasil, e demais reality shows da Globo, possui mecanismos de segurança e de monitoração”, afirma, em publicação de 25 de janeiro deste ano. “Não temos nenhum indício de votos realizados por robôs, ou quaisquer outros mecanismos de fraude, que impactem a dinâmica do programa. Qualquer tentativa de automação de votos estaria sujeita às validações de controle e segurança, que são aplicadas no processamento de cada um dos votos.”

Na prática, porém, aplicativos simples para driblar “captchas” (as tais “validações de controle e segurança”) são disponibilizados gratuitamente como addons de browsers. E provavelmente existem programas mais sofisticados, não gratuitos, para robotizar todo o processo, desenvolvidos pelas mesmas pessoas que criam perfis falsos para montar fazendas robôs, usadas para manipular trends nas redes sociais.

Por sinal, a descoberta de “Amanda Brasil” levou à outra. A torcida fiel de Arthur reagiu, desenterrando os inúmeros seguidores árabes de Jade Picon, sua maior rival no jogo.

Se uma coisa ficou clara nesse “BBB” é que a polêmica da votação robótica, supostamente financiada pelo competidor com mais dinheiro, só será superada se a Globo adotar a regra que o sofá está pedindo: um voto por CPF apenas. Sem isso, permanecerá a dúvida. O próprio Arthur mencionou que “não é o primeiro ano que dizem que quem ganha teve ajuda de robôs”.

Mas para atender à demanda, Boninho terá que abrir mão da netflixação obsessiva com que trata os números do programa.

Vale ressaltar que essa netflixação (números exagerados) também são uma forma de atestar a manipulação. Basta contrastar a exaltação do número recorde de votos na vitória de Arthur – “a segunda maior da História” – com o fato de o último dia do “BBB 22” ter registrado a terceira pior audiência de uma final do programa em todos os tempos.