Divulgação/Sony Pictures

Homem-Aranha ocupa quase todos cinemas do Brasil

Estreia mais esperada do ano, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” domina o circuito cinematográfico nesta quinta (16/12). Segundo o Filme B, o lançamento ocupará nada menos que 2,8 mil salas, número nunca visto antes na História do Brasil. Para se ter noção, este era o total de salas que existia em todo o território brasileiro em 2014. Ou seja, 100% do circuito de sete anos atrás.

Como a Ancine ainda não apresentou um panorama de como o parque exibidor foi afetado pela covid – várias salas, inclusive do circuito Itaú Cinema, foram fechadas – , não é possível dimensionar com clareza o que essa distribuição em massa representa em termos de mercado. A estimativa é que gire em torno de 96% da ocupação total, confirmando o abandono do acordo de cavaleiros de 2015, quando “Jogos Vorazes: A Esperança” foi acusado de monopolizar o circuito, com 1,7 mil salas.

Para comparar com outro blockbuster equivalente, o mais recente filme da Marvel, “Eternos”, foi lançado em 1,8 mil salas.

A Sony ultrapassou os limites. E será interessante acompanhar a reação da Warner quando tentar lançar “Matrix Resurrections” na próxima quarta (22/12).

 

 
Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

 

Com o monopólio dos cinemas e embalado por elogios rasgados da crítica internacional, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” vai bater todos os recordes de bilheteria da pandemia no país. Não é profecia, é consequência.

Com uma história que abre o multiverso e infinitas possibilidades, a produção também exacerba o significado de “fan service”, representando o ápice do modelo cinematográfico da Marvel. Há muitas participações especiais – todas que os fãs pediram – e citações envolvendo 20 anos de cronologia do herói, desde o primeiríssimo “Homem-Aranha” de 2002. E só não é um grande easter egg com trechos esporádicos de trama porque os roteiristas (Chris McKenna e Erik Sommers) se superaram ao dar sentido ao excesso, tornando o “fan service” indispensável para a narrativa.

Há cenas de muita ação, comédia de rir à toa e tragédia para abrir o berreiro no escuro. Não é à toa que está sendo considerado o melhor filme do Homem-Aranha já feito – há quem diga que seja o melhor filme do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel).

De quebra, ainda oferece uma conclusão, ou ao menos um ponto para reiniciar a franquia.

 

 
Nós Duas

 

Apesar da amplitude da teia do Aranha, o circuito limitado conseguiu espremer três lançamentos premiados de diretores estreantes num punhado de salas de arte, como contraprogramação. Dois destes filmes têm temática LGBTQIA+.

O drama francês “Nós Duas”, do estreante Filippo Meneghetti, venceu o César (o Oscar francês) de Melhor Filme de Estreia. Na trama, as veteranas Barbara Sukowa (“Hannah Arendt”) e Martine Chevallier (“Não Conte a Ninguém”) são duas namoradas da Terceira Idade, que escondem o namoro da família e precisam lidar com a interferência da filha de uma delas quando um problema de saúde separa o casal.

 

 
Sem Ressentimentos

 

O alemão “Sem Ressentimentos” venceu o Teddy (troféu de Melhor Filme LGBTQIA+) do Festival de Berlim. Sua história gira em torno de um jovem alemão de descendência iraniana que é condenado a prestar serviço comunitário num campo de refugiados e desenvolve um relacionamento com um rapaz muçulmano do local. Expectativas culturais e de vida são colocadas à prova, conforme o perigo de extradição para um país intolerante se aproxima.

 

 
Azor

 

Completa a lista “Azor”, um suspense dramático passado na época da ditadura militar argentina, que acompanha um banqueiro recém-chegado da Europa para ocupar o lugar do sócio, após este desaparecer misteriosamente sem deixar vestígios. A recriação do clima sombrio do período, em que desaparecimentos não deviam ser questionados, rendeu o prêmio de talento emergente para o diretor suíço Andreas Fontana no Festival de Zurique.

Além destes, “Casulo”, lançado na semana passada, também amplia seu pequeno circuito.