Instagram/Sahraa Karimi

Cineasta faz posts desesperados no Afeganistão: “Estão vindo nos matar”

A cineasta afegã Sahraa Karimi, primeira mulher a ter um doutorado em Cinema em seu país, vem publicando posts desesperados nas redes sociais. Num deles, ela conclama o mundo a “acordar para o impacto da rápida tomada do Afeganistão pelo Talibã”.

Karimi, que abordou a situação das mulheres afegãs em seu filme mais recente, “Hava, Maryam, Ayesha”, exibido no Festival de Veneza, manifestou-se angustiada pelo abandono internacional a seu país, em meio a retirada total das tropas dos EUA, que permitiram o avanço dos extremistas religiosos. A carta foi enviada a organizações de mídia internacionais e postada em diferentes redes sociais.

“Se o Talibã assumir o controle, eles vão banir toda a arte. Eu e outros cineastas podemos ser os próximos em sua lista de alvos. Eles vão tirar os direitos das mulheres: seremos empurradas para as sombras de nossas casas e de nossas vozes, e nossa expressão será abafada no silêncio”, ela escreveu.

“Quando o Talibã esteve antes no poder, nenhuma menina frequentava escolas. Desde que o grupo deixou o controle do país, mais de 9 milhões de meninas afegãs se matricularam na escola. Isso é incrível. Herat, a terceira maior cidade que acabou de ser dominada pelo Talibã, tinha quase 50% de mulheres em sua universidade. São ganhos incríveis que o mundo mal conhece. Nessas poucas semanas, porém, o Talibã destruiu muitas escolas e 2 milhões de meninas foram forçadas a deixar a escola novamente”, acrescentou a cineasta, que tem publicado vídeos expondo a gravidade da situação no país.

Num dos vídeos (veja abaixo), ela conta que foi ao banco tirar dinheiro e o local estava fechado e vazio. “Não consigo acreditar que isso aconteceu. Peço outra vez que rezem por nós. Pessoas do mundo, por favor, não fiquem em silêncio. Eles estão vindo nos matar”.

“Não entendo este mundo. Não entendo o silêncio (do mundo). Vou ficar e lutar pelo meu país, mas não posso fazer isso sozinha. Preciso de aliados como você. Ajude-nos a fazer com que o mundo se preocupe com o que está acontecendo conosco”, conclamou. “É uma crise humanitária, mas o mundo está em silêncio. Acostumamo-nos a este silêncio, mas sabemos que não é justo”.