Divulgação/Disney

CEO da Disney confirma: cinemas não voltarão ao que eram

Menos de uma semana após a ViacomCBS anunciar que a janela cinematográfica de 90 dias tinha acabado, apresentando sua plataforma Paramount+ com a promessa de lançar seus filmes em streaming após 45 dias de exibição nos cinemas, a Disney confirmou que o circuito não voltará mesmo a ser o que era antes da pandemia.

Em uma conferência de investimento virtual organizada pela empresa financeira Morgan Stanley, o CEO da Disney, Bob Chapek, apontou que a empresa também estuda diminuir o período de exclusividade dos cinemas, quando seus filmes voltarem a ser exibidos primeiro em tela grande.

“O consumidor provavelmente está mais impaciente do que nunca”, disse ele sobre as mudanças no mercado durante a covid-19, “principalmente porque agora eles tiveram o luxo de passar um ano inteiro recebendo títulos em casa praticamente quando quiseram. Portanto, não tenho certeza se há um retorno”.

Ele acrescentou que os espectadores não “terão muita tolerância para esperar por meses que um título saia dos cinemas”, enquanto “apenas fica lá, juntando poeira”, antes de migrar para o streaming ou outras janelas.

Vale lembrar que o estúdio que começou a encolher a janela cinematográfica foi a Universal, ao lançar seus filmes em VOD (locação digital) após 17 dias (três fins de semana) em cartaz. Mas na ocasião, justificou a decisão com a necessidade de fazer caixa na pandemia, afirmando que se tratava de medida provisória. Os 45 dias anunciados pela Paramount na semana passada seriam permanentes.

Chapek não mencionou um número específico de dias de exclusividade dos cinemas como o CEO da ViacomCBS, Robert Bakish. Mas quando a Disney, que controla cerca de metade do mercado e lançou os maiores sucessos de bilheteria dos últimos anos, aponta que pretende alterar o tempo em que os cinemas terão primazia, as mudanças se tornam inevitáveis.

“Mas certamente não queremos fazer nada radical como cortar totalmente a exibição cinematográfica”, acrescentou o CEO da Disney, ponderando que a solução possa ser um caminho intermediário.

Uma alternativa seria o que a Disney vem chamando de “Premier Access”: disponibilizar em streaming filmes que estreiam nos cinemas a um preço extremamente elevado, de modo a manter o circuito cinematográfico competitivo, mas também oferecer uma alternativa de conforto para quem quiser pagar mais para assistir aos títulos em casa. A animação “Raya e o Último Dragão” será lançado por esse método na próxima sexta (5/3), custando US$ 30 para assinantes do Disney+ nos EUA e R$ 69,90 no Brasil (mais a assinatura mensal do serviço!).

Janela menor ou lançamento “premium” simultâneo em streaming, o fato é que o circuito cinematográfico será profundamente alterado ao final da pandemia.