Don Cheadle revela ter sofrido racismo da polícia “com armas na cabeça”

O ator Don Cheadle revelou que também já foi vítima do racismo da polícia dos EUA. O intérprete do herói Máquina de Combate nos filmes da Marvel contou a Jimmy Fallon, em participação no programa “The Tonight Show”, que foi parado por policiais inúmeras vezes, inclusive com armas apontadas para sua cabeça, da juventude até dias recentes.

“Eu já fui parado mais vezes do que posso contar, com armas na minha cabeça. Eu sempre ‘encaixo na descrição'”, ele contou. “Isso é algo que acontece repetidamente. Tenho amigos que quase foram mortos pela polícia por nada. Quando todos esses vídeos [de violência policial] começaram a aparecer, isso não era novidade para a gente. São coisas que sabíamos muito bem”, acrescentou Cheadle.

O racismo foi abordado quando Fallon comentou as manifestações pela morte de George Floyd e o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). Então, o ator lembrou suas experiências e contou como foi sua infância.

Cheadle disse que cresceu em um “bairro predominantemente negro” em Kansas City, onde isso não era problema, porque os moradores raramente viam a polícia, mas a situação mudou quando sua família se mudou para os subúrbios.

“Nós éramos a minoria lá, era muito diferente”, explicou. “Foi quando eu comecei a sofrer bullying na escola, com certeza motivado por questões raciais”, disse. “Também foi quando começou a ficar evidente que os policiais não estavam no meu time”, acrescentou, lembrando que desde cedo aprendeu a como se comportar diante da polícia.

E a situação piorou ainda mais quando chegou em Los Angeles, para seguir a carreira de ator.

“Acho que muitas pessoas negras contam a mesma história de como seus pais os alertaram sobre como se comportar diante da polícia, com as regras que podem garantir que você volte para casa vivo e seguro [nesses momentos]”, ele disse a Fallon. “Então, infelizmente, isso [o medo da violência policial) é algo que é colocado em nossas mentes muito cedo.”

Veja o vídeo da entrevista abaixo.