Bolsonaro cria caos na Cinemateca para acomodar Regina Duarte
A situação de abandono e caos administrativo criada pelo governo Bolsonaro na Cinemateca Brasileira, o maior arquivo de filmes da América do Sul e uma das mais importantes instituições do gênero no mundo, voltou a chamar atenção da mídia e virou caso de justiça ao se tornar um prêmio de consolação para Regina Duarte. Ao anunciar a saída da ex-atriz do cargo de secretária de Cultura, na semana passada, Jair Bolsonaro disse que ela iria comandar a Cinemateca, com sede em São Paulo. Essa nomeação, porém, criou mais uma crise de desgoverno. Para começar, o cargo que Bolsonaro quer dar para Regina não existe, uma vez que a Cinemateca deixou de ser administrada diretamente pelo governo federal há quatro anos, quando teve sua gestão transferida para uma organização social, a Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto). Desde então, o governo faz um repasse anual à Roquette Pinto para gerir o espaço. Mas como a proposta de Bolsonaro para a Cultura é o sucateamento, as verbas foram diminuindo até sumirem. No ano passado, a previsão era de entrada de R$ 13 milhões, mas só R$ 7 milhões foram transferidos até dezembro. Neste ano, nada. Como se não bastasse, o polêmico ministro da Educação, Abraham Weintraub, decidiu romper contrato com a Acerp, que era responsável pelos programas da TV Escola. Como a administração da Cinemateca era um adendo desse contrato, este ato deixou o mais importante espaço de preservação da história do cinema brasileiro sem acordo de gestão. Sem contrato e sem dinheiro, a Acerp tem feito mais que o Estado para preservar a Cinemateca. De janeiro a abril deste ano, o local foi mantido apenas com verbas próprias da Acerp, que teria desembolsado R$ 4 milhões para o pagamento de funcionários, prestadores de serviço e dos custos da instituição. Os poucos funcionários na ativa trabalham sem receber e a instituição tem negociado débitos da conta de luz — que varia entre R$ 100 e R$ 200 mil ao mês – para impedir o corte de energia que seria fatal para o acervo, dadas as condições de refrigeração necessárias para sua preservação. Além disso, contratos de prestação de serviços, como o dos bombeiros, fundamentais para preservação do acervo de 250 mil rolos de filmes, o maior da América do Sul, também estão para prescrever, o que é mais um risco sobre o acervo. Enquanto isso, os arquivos da Cinemateca já sofreram com incêndio e inundação nos últimos meses. Muito material precioso já foi perdido. Ao tomar ciência do caos, o Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) encaminhou um ofício à Secretaria Especial da Cultura cobrando “informações a respeito da possível ausência de repasse orçamentário que vem prejudicando o funcionamento da Cinemateca Brasileira e causando danos a acervo audiovisual mantido pela citada entidade.” De acordo com o documento, que o jornal O Globo divulgou na sexta (30/5), a secretaria tem até 60 dias para confirmar se houve ou não repasse à Cinemateca Brasileira. Se confirmada a falta de envio dos recursos — eram previstos R$ 12 milhões para 2020 —, o Ministério Público poderá entrar com uma ação civil pública contra a pasta. A decisão de Bolsonaro de colocar Regina Duarte à frente desse problema rendeu uma reunião na sexta-feira entre a Acerp e integrantes do governo. A expectativa da Acerp era fechar um termo de emergência com a Secretaria Especial de Cultura, mas o resultado do encontro foi uma nota, divulgada pelo ministério do Turismo, que afirma que a Cinemateca Brasileira será reincorporada à União. Para tanto, o governo decidiu pela oficialização do encerramento do contrato de gestão com a Acerp. “A Cinemateca Brasileira não será fechada e agora entra na fase natural de reincorporação pela União, uma vez que não existe respaldo contratual para a Organização Social permanecer”, diz a nota, enviada ao jornal O Estado de S. Paulo. “Todos os acertos jurídicos serão feitos com a Roquette Pinto”, garante o ministério. Com a rescisão do contrato, a instituição teria que interromper projetos já em andamento e a Acerp demitiria cerca de 150 funcionários. O governo, que deve milhões à instituição, também não arcaria com os custos das rescisões trabalhistas. Apesar do anúncio do ministério do Turismo, a Acerp teria recusado a proposta e acionado o conselho administrativo para tomar medidas judiciais. Afinal, a nota deixa claro que toda essa movimentação tem o objetivo exclusivo de dar função para Regina Duarte, que não tem a menor experiência com preservação e restauração de filmes. “A Cinemateca Brasileira, que detém uma parcela significativa da memória audiovisual e documental brasileira, prosseguirá sob a Direção da Secretária Regina Duarte”, assume o comunicado oficial do desgoverno. Como o ministério determinou por conta própria que a Acerp não é mais responsável pela Cinemateca e, por outro lado, nem sequer oficializou o desligamento de Regina Duarte do cargo que ela perdeu na semana passada, a responsabilidade pelo equipamento foi pro limbo. Quanto mais tempo o impasse demorar, maiores são as chances de deterioração e perdas de um arquivo inestimável. A situação de negligência por incompetência burocrática pode configurar crime e, conforme observado, já está sendo acompanhada pelo MPF-SP.
Aracy Balabanian recebe alta após crise de insuficiência respiratória
A atriz Aracy Balabanian recebeu alta hospitalar na sexta-feira (29/5), após ser internada com um quadro de insuficiência respiratória no Rio. “A paciente apresentou melhora e seu estado de saúde é estável. Ela contará com uma estrutura de acompanhamento domiciliar, com enfermeiras, fisioterapeutas e médicos”, informou um comunicado emitido pela Casa de Saúde São José. Com 80 anos, a atriz estava internada desde o início da semana. Ela chegou a realizar um exame para detectar a presença do coronavírus, que deu negativo. Em 2014, ela também esteve internada num hospital do Rio, recuperando-se de um quadro de infecção respiratória. Na época, teve alta depois de nove dias de internação. Estrela de várias novelas clássicas e da série de comédia “Sai de Baixo”, Aracy Balabanian foi vista mais recentemente no telefilme de Natal “Juntos a Magia Acontece” e no longa “Sai de Baixo: O Filme”, ambos do ano passado.
Curon: Netflix revela trailer legendado de nova série italiana de terror
A Netflix divulgou o pôster e o primeiro trailer legendado de “Curon”, nova série italiana da plataforma, que abraça o terror sobrenatural. A pandemia de coronavírus tem feito a Netflix dar mais atenção a seu material internacional. Muitas séries excelentes, como a francesa “Marianne”, foram canceladas sem nem sequer receber divulgação no Brasil. A mudança de tratamento, com diversos vídeos legendados, já se refletiu na renovação em tempo recorde da série mexicana “Control Z”. Na nova série, uma mãe retorna com os filhos adolescentes à cidadezinha em que nasceu e percebe que nem tudo é tão tranquilo quanto parece. Quando os sinos da velha igreja tocam, sentimentos reprimidos vêm à tona. “Curon” tem entre seus criadores o roteirista Ezio Abbate, que criou “Suburra” e o atual sucesso britânico “Devils” (lançamento do canal pago Sky), e seu elenco traz Valeria Bilello (“Apenas uma Chance”), Luca Lionello (o Judas de “A Paixão de Cristo”, de Scorsese), Alessandro Tedeschi (“Nada Santo”), Max Malatesta (“Uma Vida Oculta”), Maximilian Dirr (“Sobidor”), Anna Ferzetti (“Anna e as Cores da Vida”) e Federico Russo (“Don Matteo”). A estreia está marcada para 10 de junho em streaming.
Ryan Gosling será o novo lobisomem da Universal
O ator Ryan Gosling (“La La Land”) vai estrelar a nova versão de “O Lobisomem”, um dos clássicos de terror que a Universal pretende reciclar, após o sucesso atingido neste ano por “O Homem Invisível”. O próprio ator concebeu o projeto, que foi roteirizado por Lauren Schuker Blum e Rebecca Angelo (ambas roteiristas da série “Orange Is the New Black”). A primeira é casada com o produtor Jason Blum, dono do estúdio Blumhouse, que vai desenvolver o filme para a Universal. Segundo os sites The Hollywood Reporter e Variety, a história teria um clima de “Rede de Intrigas” (1976) e “O Abutre” (2014). A relação com clássicos que criticam o sensacionalismo televisivo teria a ver com o fato de o personagem principal ser o apresentador de um telejornal. Seria, portanto, uma reinvenção completa, ao estilo de “O Homem Invisível”, uma vez que o original de 1941, estrelado por Lon Chaney Jr., e o remake de 2010, com Benicio del Toro, não tinham nada a ver com televisão. Em vez disso, contavam a história de um homem cético que, ao voltar à sua terra natal, era mordido por uma criatura lendária e começava a se transformar. Também de acordo com a imprensa americana, o diretor Cory Finley é considerado um dos principais candidatos para comandar o filme, devido à boa recepção de seu trabalho no teledrama da HBO “Má Educação”, lançado em abril. A certa altura, o próprio Gosling teria sido sondado para a função. Mas o grande detalhe é que, apesar de estar à frente do projeto, o astro ainda precisa assinar o contrato para estrelar o filme. Por conta disso – e da pandemia de covid-19 – , a data para o início da produção ainda não foi divulgada.
Josh Gad, voz de Olaf, revela que sua família não aguenta mais o personagem
Josh Gad, que dá voz ao boneco de neve Olaf em “Frozen”, contou que sua família já não aguenta mais o personagem. Ao participar do programa britânico de entrevistas “Graham Norton Show”, Gad contou que suas filhas já passaram da fase de gostar do Olaf e agora queriam “que a Moana fosse o pai delas”. Em meio à overdose de Olaf, acentuada pelo lançamento de uma série animada que ele tem dublado em casa, durante a pandemia de covid-19, o ator ainda recebeu um boneco gigantesco do personagem – algo que, segundo ele, não agradou sua esposa. Gad contou que, para evitar um divórcio, precisou “esconder” a estátua no seu escritório. “Quando isso chegou, veio numa arca saída direto de ‘Caçadores da Arca Perdida’”, brincou. Mesmo assim, o ator garante que Olaf “não irá sumir tão cedo assim” já que, como disse para as filhas, é quem paga as escolas e suas queijadinha favoritas. A cada duas semanas, a Disney disponibiliza um curta novo do personagem no YouTube. Veja a entrevista abaixo.
Netflix renova Control Z em tempo recorde
A Netflix anunciou a renovação de “Control Z” para a 2ª temporada em tempo recorde. Para ressaltar a rapidez, a empresa reuniu o elenco numa videochamada e registrou a reação de surpresa dos atores, que ainda estavam em clima de divulgação da temporada inaugural. O vídeo do anúncio foi divulgado no YouTube e nas redes sociais. Veja abaixo. A série mexicana é uma das produções de mistério colegial lançadas após o sucesso da espanhola “Elite” na plataforma, e foi lançada há apenas uma semana, no dia 22 de maio. Com ingredientes que lembram “Gossip Girl” e “Pretty Little Liars”, além do recente filme “País da Violência” (Assassination Nation), a trama gira em torno de segredos escandalosos revelados por um hacker anônimo. Os alvos são os alunos mais populares do Colégio Nacional. Mas é uma estudante reclusa quem demonstra mais interesse em descobrir o culpado, se não for ela própria a responsável pela campanha de difamação. A série foi criada por Carlos Quintanilla (“Mujeres Asesinas”), Adriana Pelusi (“O Casamento da Vovó”) e Miguel García Moreno (“La Candidata”). O elenco inclui Ana Valeria Becerril (“Muerte al Verano”), Xabiani Ponce de León (“Violetta”), Michael Ronda (“Sou Luna”), Lidia San José (“Luis Miguel: The Series”), Paulina Castro (“A Casa das Flores”), Andres Baida (“Los Elegidos”) e Mauro Sanchez Navarro (“Atrapada”).
Documentário da ESPN sobre Bruce Lee ganha trailer
A ESPN Films, divisão de filmes do canal esportivo da Disney, divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Be Water”, documentário sobre a vida e a carreira de Bruce Lee. Exibido no Festival de Sundance e com 75% de aprovação no site Rotten Tomatoes, o filme traz diversas imagens raras de Bruce Lee, desde filmes caseiros, cenas de cinema e entrevistas televisivas, que acompanham depoimentos de colegas, alunos e familiares, além de textos que ele escreveu. “Be Water” mostra como Bruce Lee foi inicialmente rejeitado por Hollywood, optando por retornar para Hong Kong para realizar quatro filmes de artes marciais a seu modo. Paralelamente, o documentário examina os problemas da indústria audiovisual em relação à representação asiática, que impediu o maior mestre do kung fu de ser aceito como astro de filmes de ação nos EUA. A direção é de Bao Nguyen, que anteriormente fez o documentário “Live from New York”, sobre quatro décadas do programa humorístico “Saturday Night Live”. O filme vai estrear em 7 de junho no canal pago americano ESPN, mas ainda não há previsão para sua exibição no Brasil.
Upgrade: Sci-fi de ação do diretor de O Homem Invisível vai virar série
O filme “Upgrade: Atualização”, sci-fi de ação escrita e dirigida por Leigh Whannell em 2018, vai virar série. O próprio Whannell está encarregado da adaptação. O cineasta se tornou um dos mais requisitados do ano após o sucesso de seu “O Homem Invisível”, um dos últimos blockbusters antes da pandemia de covid-19, mas decidiu deixar os projetos cinematográficos de lado, como o remake do clássico “Fuga de Nova York” (1981), para dar atenção à série. Premiada no Festival SXSW, “Upgrade” foi a primeira sci-fi da carreira do diretor, ainda que possa ser encarado como um remake cibernético de “Desejo de Matar” (1974). No longa original, ambientado num futuro não muito distante, o mecânico Grey (Logan Marshall-Green) e sua esposa são vítimas do ataque de uma gangue. Ela é assassinada e ele fica tetraplégico. Mas um implante cibernético experimental lhe dá a chance de voltar a andar. Mais que isso, ele descobre que a tecnologia lhe dá habilidades especiais para caçar os responsáveis pelo crime. A série será uma sequência da história e trará um novo “hospedeiro” para o implante. O elenco ainda não foi escalado. Whannell concebeu o desdobramento com Tim Walsh, roteirista de “Chicago P.D.” e da recém-cancelada “Treadstone”. Os dois serão coprodutores da versão seriada de “Upgrade”. Além disso, Whannell assinará a direção do primeiro episódio, enquanto Walsh assumirá o comando da temporada como showrunner. Além deles, os roteiristas-produtores Krystal Ziv Houghton e James Roland, responsáveis pela série “The Purge”, trabalharão no desenvolvimento dos episódios. A produção está a cargo da Blumhouse Television, divisão da Blumhouse Pictures, que produziu o longa original, e a UCP, produtora televisiva do conglomerado NBCUniversal. A divulgação do projeto não revelou para qual canal “Upgrade” estava sendo desenvolvida. “The Purge”, outra parceria da Blumhouse e a UCP, foi ao ar pelo canal pago USA, mas o novo projeto tende a entrar no serviço de streaming da NBCUniversal, batizado de Peacock, que já funciona em fase limitada e terá lançamento comercial amplo em julho nos EUA. Veja abaixo o trailer do filme original, que pulou os cinemas brasileiros para ser disponibilizado diretamente em VOD.
Tom Ellis fecha acordo para estrelar 6ª temporada de Lucifer
Tom Ellis assinou o contrato para voltar ao papel principal de “Lucifer”, afirmou nesta sexta (29/5) o site americano Deadline. Era o “detalhe” que faltava para a Netflix anunciar a renovação da série para sua 6ª temporada, revertendo o cancelamento comunicado no ano passado. O arrependimento bateu forte e a plataforma iniciou discussões sobre a retomada da série no começo de 2020. Mas após fechar com a produtora WBTV (Warner Bros. Television), os showrunners e os coadjuvantes, as negociações empacaram na decisão de Ellis de só voltar à série se recebesse mais. Muito mais. Segundo apurou o site TVLine em abril, o intérprete de Lucifer não aceitou os valores apresentados pelo estúdio e as negociações chegaram num impasse. Como Ellis assinou acordo para produção da 6ª temporada, deixando o acerto financeiro para depois, a WBTV (Warner Bros Television) decidiu cessar as ofertas de aumento. Caso ele se recusasse a gravar, poderia ser processado por quebra de contrato. Mas o estúdio prefere realizar a série em vez de processar o ator. Por conta disso, já tinha oferecido um aumento de remuneração, que foi considerado baixo por Ellis e seus representantes. Agora, depois de um mês de negociações, Tom Ellis, WBTV e Netflix teriam fechado um acordo. Com o ator de volta – e com todo o restante do elenco disposto a retornar -, a 6ª temporada de “Lucifer” pode enfim acontecer. Só falta mesmo o anúncio oficial, que a Netflix não deve ter pressa para fazer. Afinal, a plataforma ainda nem programou a estreia da 5ª temporada, que será exibida em duas partes, apesar de já estar inteiramente gravada. Como a série deveria acabar na 5ª temporada, o último episódio gravado foi batizado de “Uma Chance de Final Feliz”, e sua sinopse diz: “O último episódio de Lucifer, a última briga com o pai”. Os produtores conceberam a season finale como series finale, porque o cancelamento foi anunciado com muita antecedência, em junho do ano passado. Originalmente concebida com 10 episódios, a 5ª temporada acabou recebendo até autorização para produzir seis capítulos extras, justamente para terminar a trama da atração. Mas o equívoco dessa antecipação tornou-se evidente diante do aumento do interesse gerado pela aparição especial de Lúcifer (Tom Ellis) no crossover “Crise nas Infinitas Terras” na TV aberta americana. A confirmação da 6ª temporada representa a segunda vez que “Lucifer” escapa do inferno das séries, também conhecido como cancelamento. “Lucifer” sobreviveu ao cancelamento original na Fox, após três temporadas transmitidas na TV aberta. Percebendo a grande campanha na internet pelo salvamento da série, a Netflix comprou os direitos de exibição e produziu a 4ª temporada. Junto com a renovação para o quinto ano, a plataforma anunciou também que os próximos episódios seriam os últimos produzidos. E a showrunner Ildy Modrovich tratou de acalmar os fãs revoltados, avisando que, daquela vez, o cancelamento era irreversível e que “uma luta não mudaria as coisas”, já que não existia a possibilidade de “Lucifer” ganhar uma 6ª temporada. Mas “Lucifer”, aparentemente, é imortal.
MIS comemora 50 anos com programação especial online
O Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo celebra 50 anos de existência nesta sexta (29/5). Mas embora a data não possa ser devidamente comemorada no próprio espaço do MIS, devido à crise sanitária criada pela pandemia de covid-19, ela não foi esquecida. Estão previstas diversas atividades online. Com sede no Jardim Europa, um dos bairros mais ricos de São Paulo, a instituição foi fundada em 1970 com o objetivo de conservar a memória audiovisual, preservando material de interesse artístico, histórico, sociológico e cultural. No acervo há fotografias, filmes, artes gráficas, discos, vídeos e equipamentos, refletindo a diversidade de manifestações e a própria evolução das formas de captação, produção e suporte da imagem ao longo de meio século. Além da conservação desse material, o MIS tem promovido oficinas e exposições. Entre julho de 2014 e janeiro de 2015, a mostra sobre o “Castelo Rá-Tim-Bum” – que trazia os cenários, figurinos e outras lembranças do programa televisivo infantil – recebeu 410 mil pessoas e foi a exposição mais visitada da história do museu, superando outros sucessos, como exposições dedicadas aos diretores de cinema Tim Burton e Alfred Hitchocock, ao apresentador Sílvio Santos e aos cantores David Bowie e Renato Russo. Como parte da programação comemorativa dos 50 anos, celebrações virtuais terão início com um bate-papo às 20h sobre o “Castelo-Rá-Tim-Bum”, que contará com a participação de parte do elenco da série, como Pascoal da Conceição, o Dr. Abobrinha, e Angela Dip, a Penélope. A mediação será de André Sturm, curador da exposição e ex-diretor do MIS, com transmissão pelo canal do MIS no Youtube. No sábado, o canal disponibilizará o curta-metragem “Nasce o MIS”, dirigido por Eduardo Leone, em 1970. O filme foi feito para a inauguração da instituição e reflete sobre a criação do museu em paralelo com as transformações da cidade de São Paulo e os avanços tecnológicos para suporte de imagem e som – há 50 anos. Em parceria com a plataforma Google Arts & Culture, também foi disponibilizada a mostra Moventes, em que a pesquisadora Valquíria Prates apresenta os resultados de uma investigação poética no acervo do MIS. Podem ser vistos vídeos e fotografias de artistas consagrados, como Sebastião Salgado e Helena Tassara.
Surgem novas acusações de estupro contra Harvey Weinstein
O produtor Harvey Weinstein, já condenado e preso como agressor sexual, será alvo de um novo processo pelo mesmo motivo. A ação, protocolada num tribunal de Nova York na quinta-feira (28/5), alega que Weinstein estuprou quatro outras mulheres, incluindo uma menor, que tinha 17 anos no momento do ataque. As agressões sexuais teriam ocorrido entre 1984 e 2013, e apesar de separadas por décadas seguem um mesmo roteiro, que estabelece o método de um predador sexual convicto. Uma mulher de 43 anos alega que Weinstein a estuprou em 1994, quando tinha 17 anos. O documento, obtido pela imprensa americana, diz que ela estava tentando entrar na indústria do entretenimento e foi recrutada por um dos associados de Weinstein “sob o pretexto de fazer negócios”. Levada para uma reunião no quarto de hotel do magnata, entrou no aposento e já o encontrou nu. A mulher alega que ele insistiu que, para conseguir um emprego, precisava “gratificá-lo sexualmente”, e “a obrigou a tirar a roupa” contra sua vontade, até estuprá-la. Usando de força, Weinstein teria ficado com sua carteira de motorista e a ameaçado com retaliação, se ela contasse a alguém sobre o encontro. Ele não apenas garantiu que ela jamais arranjaria trabalho como atriz, mas também disse “que seus associados prejudicariam fisicamente a sua família”. Uma segunda mulher, agora com 70 anos, alega que Weinstein a estuprou em 1984, aos 34 anos. A mulher diz que o incidente aconteceu na França durante o Festival de Cannes. Ela afirma que acompanhou uma amiga dela, que trabalhou com Weinstein em vendas externas, a uma reunião com o produtor. Depois disso, o magnata a convidou para ir a uma de suas suítes no Hotel Barrière Le Majestic e, assim que entraram, “a prendeu contra a porta da frente da suíte”, agredindo-a sexualmente. A mulher afirma que Weinstein também a ameaçou e disse para ela ficar quieta sobre o incidente. Depois de contar à amiga sobre o assalto, a mulher alega que a amiga, que tinha um relacionamento profissional com Weinstein, reiterou que eles deveriam manter a agressão em segredo. Caso contrário, ela seria “excluída da indústria”. Uma terceira mulher, de 38 anos, afirma que Weinstein a estuprou quando tinha 26 anos. A mulher diz que o ex-produtor a “observou” enquanto estava no restaurante Cipriani’s em Nova York e se aproximou garantindo que a conectaria com pessoas poderosas que poderiam “levar sua carreira para o próximo nível”. Depois de aparecer em uma reunião “de negócios” com Weinstein em seu apartamento no Soho, ele a teria ameaçado, impedindo-a de sair do apartamento, “a menos que fizesse o que ele queria”. Ela alega que Weinstein a estuprou. Depois, ameaçou arruinar sua carreira se contasse a alguém sobre o incidente. A quarta mulher, de 35 anos, declara que Weinstein a estuprou em 2013, quando ela tinha 28 anos. Depois de conhecê-lo no Festival de Veneza, a mulher foi convidada para seu escritório para um teste organizado por uma de suas secretárias. O teste nunca aconteceu, mas a mulher e uma amiga encontraram Weinstein e sua secretária para jantar alguns meses depois. Depois do jantar, a mulher diz que Weinstein pediu que ela aparecesse no seu quarto por volta da meia-noite, mas, dada a hora tardia, ela foi junto com a amiga. Depois de alguma discussão sobre o trabalho, ela conta que Weinstein convenceu a amiga a sair para que ele pudesse ter uma conversa “cara-a-cara” com ela. A mulher alega que Weinstein se expôs e a forçou a fazer sexo oral nele. Ela teria contado à amiga sobre o incidente, mas decidiu mantê-lo em segredo por medo de represálias. O irmão e sócio do ex-produtor, Bob Weinstein, o estúdio Miramax e a Disney, que distribuía os filmes da Miramax, também são citados no processo, que afirma que todos “sabiam ou deveriam saber que Harvey Weinstein tinha a propensão a se envolver em má conduta sexual e usar sua posição e poder para atrair atrizes aspirantes e fazê-las passar por situações semelhantes… atraí-las para seu quarto, apartamento com o pretexto de discutir oportunidades de negócios para assediar, agredir, tentar aprisionar e estuprar”. As denúncias mais antigas não devem ser consideradas, pois já prescreveram, mas as recentes ainda são passíveis de processo. Weinstein foi acusado de estupro e agressão sexual por mais de 100 mulheres desde que uma reportagem do jornal New York Times revelou seu histórico, invocado com ajuda de uma única e destemida atriz, Ashley Judd (“Divergente”), a primeira a revelar o abuso sofrido nas mãos do produtor, em novembro de 2017. Poucos dias depois, outras atrizes autorizaram a publicação de suas histórias na revista New Yorker, iniciando o movimento #MeToo e a multiplicação exponencial de denúncias. Em fevereiro de 2020, um júri em Nova York considerou o ex-magnata do cinema culpado em seu até agora único julgamento por agressão sexual e estupro. Weinstein foi condenado a 23 anos de cadeia. Ex-homem mais poderoso de Hollywood, que recebeu mais agradecimentos que Deus nos discursos do Oscar, Weinstein está atualmente sob custódia na prisão Wende Correctional Facility em Erie County, no estado de Nova York.
John Krasinski vende sua live de “boas notícias” da quarentena para canal de TV
Um dos programas amadores mais bem-sucedidos da quarentena preventiva contra a covid-19, o telejornal otimista “Some Good News”, criado, escrito e produzido pelo ator-cineasta John Krasinski (“Um Lugar Silencioso”), chamou atenção das emissoras tradicionais de notícias e foi adquirido pela rede CBS. Ele passará por uma adaptação e começará a ser exibido pela plataforma CBS All Access e pelo canal pago Comedy Central. Ele contou porque resolveu “profissionalizar” o negócio em outro programa amador da quarentena, o “Hey There Human”, live realizada por seu colega da série “The Office” Rainn Wilson. “Eu planejava fazer apenas oito edições durante a quarentena, porque eu tenho outras coisas que preciso fazer muito em breve, como [a série] ‘Jack Ryan’”, disse Krasinski. “Mais que isso… Escrever, dirigir e produzir – tudo isso – com meus amigos, eu sei que [o ‘Some Good News’] não seria compatível com meus outros compromissos”. Apesar disso, ele se dispõe a continuar participando do programa, com função menor do que a atual, em que a produção se restringe a ele mesmo, em sua casa, contando apenas com o apoio da mulher, a atriz Emily Blunt, e de suas duas filhas pequenas. Krasinski disse que apresentará alguns episódios e ajudará a trazer “uma comunidade diversa de pessoas” ao programa. Ele ainda se disse feliz com o alcance de sua live diferenciada, que inspirou “correspondentes” em diferentes países. “Mal posso esperar para mergulhar no projeto”, acrescentou. Ao longo de seus programas, o “SGN” promoveu reuniões dos elencos de “Hamilton” e “The Office”, recebeu convidados como Emma Stone, Oprah Winfrey e Billie Eilish, e principalmente fez o que se propôs no título: deu boas notícias. Ou melhor, como ele definiu no programa, compartilhou vídeos de seguidores, com a missão de divulgar “histórias que te fazem se sentir bem nesta semana ou coisas que apenas te fazem sorrir”. Não há previsão para a estreia do novo formato de “Some Good News”.
Marge Redmond (1925 – 2020)
A atriz Marge Redmond, que interpretou a irônica irmã Jacqueline na série clássica “A Noviça Voadora”, morreu em 10 de fevereiro, mas só agora teve o falecimento comunicado. Ela tinha 95 anos. Filha mais velha de um bombeiro, Redmond nasceu em Cleveland em 14 de dezembro de 1924 e foi casada com o também falecido ator Jack Weston (“Dirty Dancing”), de 1950 até o divórcio na década de 1980. Ela conheceu Weston em 1948, quando ambos ainda eram iniciantes e participaram de uma mesma montagem teatral em sua cidade. Eles se mudaram para Nova York e se casaram logo em seguida. Os dois conseguiram papéis em peças da Broadway, mas não o sucesso que buscavam. Então optaram por uma mudança para Los Angeles, onde começaram a fazer séries, como “Johnny Staccato”, “Ben Casey”, “Além da Imaginação” (The Twilight Zone), “Os Intocáveis” (The Untouchables) e “O Fugitivo” (The Fugitive). A atriz estreou no cinema em 1961, no drama “Santuário”, de Tony Richardson, e também teve papéis em “O Bagunceiro Arrumadinho” (1964), estrelado por Jerry Lewis, “Anjos Rebeldes (1966), de Ida Lupino, foi a esposa de Walter Matthau em “Uma Loura por um Milhão” (1966), de Billy Wilder, a enfermeira do clássico anti-bélico “Johnny Vai à Guerra” (1971), de Dalton Trumbo, uma das suspeitas de “Trama Macabra” (1976), último filme de Alfred Hitchcock, e uma amante vingativa em “Um Misterioso Assassinato em Manhattan” (1993), de Woody Allen. Mas foi mesmo o papel da irmã Jacqueline em “A Noviça Voadora” que marcou sua carreira. A série passada num Convento de Porto Rico e centrada nas aventuras da irmã Bertrille (vivida pela jovem Sally Field), uma noviça capaz de voar, durou três temporadas, de 1967 a 1970, e cansou de ser reprisada em TVs de todo o mundo. Além de coestrelar os 82 episódios produzidos, Redmond narrou cada um deles, já que eram suas lembranças que conduziam as histórias, e chegou a receber uma indicação ao Emmy como Melhor Atriz Coadjuvante na 2ª temporada. Curiosamente, antes de viver a irmã Jacqueline, ela interpretou outra freira, irmã Liguori, ao lado de Rosalind Russell em “Anjos Rebeldes” (1966), e disse acreditar que isso a ajudou a conseguir o papel na série. Após o final de “A Noviça Voadora”, Redmond apareceu em várias outras atrações como convidada especial, mas só foi repetir uma personagem em mais de um capítulo nos anos 1990, como a Sra. McArdle, empregada doméstica de Ben (Andy Griffith) na série “Matlock”. Ela apareceu em cinco episódios na produção da NBC. Nos últimos anos, a atriz começou a fazer comerciais e dublar videogames, e acabou ganhando mais dinheiro com esse tipo de emprego. “Ela trabalha cinco dias por ano e faz seis dígitos”, disse Weston uma vez. Entre seus últimos trabalhos, incluem-se dublagens das franquias de videogames “Max Payne” e “Grand Theft Auto”.











