Lynn Shelton (1965 – 2020)



A cineasta Lynn Shelton, conhecida por trabalhos no cinema indie americano e por ter assinado a recente minissérie “Little Fires Everywhere”, morreu na sexta-feira (15/5) em Los Angeles devido a complicações de um distúrbio sanguíneo. Ela tinha 54 anos.

Um dos novos talentos emergentes do cinema independente americano dos anos 2000, a diretora se projetou com o “O Dia da Transa” (2009), premiado nos festivais de Sundance, Cannes, Deauville e vencedor do troféu John Cassavettes na principal premiação indie dos EUA, o Spirit Awards.

O curioso é que ela só começou a carreira depois de ouvir a diretora francesa Claire Denis revelar, em 2003, que tinha 40 anos quando dirigiu seu primeiro longa-metragem. Na ocasião, Shelton tinha mais de 30 e percebeu que não estava velha para aprender a filmar.

Ela escreveu e dirigiu oito longas-metragens ao longo de 14 anos, iniciando com “We Go Way Back”, drama adolescente que ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival Slamdance de 2006, seguido por “Bilhantismo Natural”, que lhe rendeu o prêmio “Alguém pra Prestar Ação” no Independent Spirit Awards em 2008.

Em seguida, veio “O Dia da Transa” (Humpday), que fez sua carreira decolar. O filme também inaugurou sua parceria com o ator Mark Duplass, que voltaria em outras produções, e se tornou um divisor cultural sobre a representação da sexualidade masculina através de uma lente feminina.



Seus filmes seguintes foram conquistando orçamento e público maiores. Duplass voltou em “A Irmã da sua Irmã” (2011), mas para contracenar com uma atriz famosa de Hollywood, Emily Blunt, enquanto “Encalhados” (Laggies, 2014) juntou Keira Knightley, Chloë Grace Moretz e Sam Rockwell. Entre os dois, ela ainda fez “Touchy Feely” (2013), com Rosemarie DeWitt, Ellen Page, Allison Janney e outros.

A carreira indie foi colocada de lado por convites para dirigir séries de prestígio. Ela comandou, entre outros, episódios de “Mad Men”, “New Girl”, “Projeto Mindy”, “Fresh Off the Boat”, “The Good Place”, “Santa Clarita Diet”, “GLOW”, “Dickinson”, “The Morning Show” e metade da minissérie “Little Fires Everywhere” (Pequenos Incêndios por Toda Parte), encerrada há menos de um mês.

No ano passado, lançou seu último filme, “Sword of Trust” (2019), estrelado por Marc Maron (de “GLOW”), no papel de um proprietário de loja de penhores que obtém uma espada capaz de provar que foi o Sul que venceu a Guerra Civil dos EUA. Ela também teve um papel no filme como a ex-namorada de Maron e iniciou um relacionamento com o ator fora das telas.

Os dois estavam escrevendo um roteiro juntos para um próximo filme da Shelton no momento de sua morte.


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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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