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Stephen King polemiza ao defender “qualidade” sobre diversidade no Oscar

O escritor Stephen King causou polêmica nas redes sociais ao decidir opinar sobre o que muitos chamam de “mimimi” da diversidade no Oscar 2020. Neste ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA voltou a sofrer críticas por indicar poucos atores de “cor” (negros, latinos, asiáticos, etc) e poucas mulheres em áreas de maior impacto criativo.

“Como um escritor, eu posso ser indicado em apenas três categorias: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, e Melhor Roteiro Original. Para mim, o problema da diversidade – da forma que se aplica aos atores e diretores individualmente – não surgiu. Dito isto, eu nunca consideraria a diversidade quando o assunto é arte. Somente a qualidade. Para mim, fazer o contrário é errado”, ele escreveu.

O post dividiu opiniões.

Angie Thomas, autora do livro “O Ódio Que Você Semeia”, foi uma das milhares de questionou o colega de profissão. “E quem determina o que é qualidade?”, ela ponderou.

Outra seguidora escreveu: “Com todo respeito, eu acho que isso é injusto. Quando filmes criados por pessoas de cor são constantemente ignorados por instituições que são predominantemente formadas por homens brancos, há uma parcialidade explícita.”

“Como sua fã, é doloroso ler isso vindo de você. Isso implica que diversidade e qualidade não podem ser simultâneas. Estes não são conceitos separados. Qualidade está em todo lugar, mas a maioria das indústrias só acredita na qualidade de uma parcela da população”, questionou outra.

A escritora brasileira Bel Rodrigues também se manifestou, obtendo quase 5 mil curtidas em sua mensagem: “É fácil considerar só a qualidade quando você consegue se ver em todos os trabalhos de arte que existem.”

Diante da reação, King resolveu mudar a abordagem, esquecendo o posicionamento conservador anterior e partindo para uma visão de mundo liberal.

“A coisa mais importante que podemos fazer como artistas e pessoas criativas é garantir que todos tenham as mesmas chances, independentemente de sexo, cor ou orientação sexual”, escreveu o autor.

“Neste momento, estas pessoas estão muito mal representadas, e não apenas nas artes. Ninguém consegue ganhar prêmios se estiver excluído do jogo”, completou Stephen King, sem sugerir soluções.

Uma dessas soluções, quem diria, é fazer exatamente aquilo que ele considerava “errado” no tuíte anterior: chamar atenção para a injustiça social de indicações que priorizam obras de homens brancos aos trabalhos artísticos dos demais segmentos da sociedade, tão bons quanto e muitas vezes melhores que os das classes privilegiadas. Conservadores não gostam disso, porque afeta os privilégios de que usufruem, como homens e/ou brancos.

Neste ano, Lupita Nyong’o (em “Nós”) e Awkwafina (“A Despedida”) deram shows de interpretações e foram totalmente ignoradas pela Academia, assim como os diretores de seus filmes, respectivamente Jordan Peele e Lulu Wang, porque não têm a cor da qualidade. Já Martin Scorsese fez um longa que, mesmo com 3h30 e a ambição de cobrir décadas da história dos EUA, dá voz apenas a homens brancos. Com essa visão preconceituosa de mundo, “O Irlandês” recebeu 10 indicações ao Oscar!