Festival do Rio começa em clima de resistência ao desmonte cultural do Brasil

O Festival do Rio começa nesta segunda (9/12) sua 21ª edição após quase ser inviabilizado pelo governo de Jair Bolsonaro. O evento atrasou dois meses, ficou menor e teve de recorrer a financiamento coletivo para arrecadar fundos e ser realizado, após a perda de seus maiores patrocinadores, a Petrobras e o BNDES. Por conta disso, o festival deste ano não tem nem festa de abertura. O clima é de resistência e sobrevivência, não de vitória.

“No momento que a gente fez o comunicado dizendo que nós não víamos uma viabilidade concreta financeira para o festival ser realizado, nós não tínhamos as condições mínimas para que ele acontecesse. Foi uma luta muito grande, mas ele está de pé”, disse Ilda Santiago, uma das diretoras do festival, que começa nesta noite no cine Odeon com a exibição de “Adoráveis Mulheres”, dirigido por Greta Gerwig, um dos filmes que desponta na disputa do Oscar 2020.

O evento, que chegou a ter 300 filmes estrangeiros na programação, com a presença de estrelas internacionais em seu tapete vermelho, movimentando a indústria de entretenimento e turismo da capital carioca, terá neste ano cerca de 110 produções internacionais e apenas artistas trazidos com a ajuda das próprias produtoras.

O apoio para a realização da mostra Première Brasil, que tinha até prêmios com o nome da Petrobras, também foi bastante afetado. Justamente no momento em que a própria Ancine, entidade responsável por fomentar o cinema nacional, decidiu tirar cartazes de filmes históricos de seus escritórios e sites, marcando uma nova direção para a Cultura – sem Cultura.

Entretanto, para compensar a dificuldade de montar a seleção internacional, a Première Brasil de 2019 abriu mão da exigência de ineditismo de suas obras, e assim será a maior de todas, em número de filmes – 85, ao todo. Terá até uma nova seção – Retratos Musicais, que será aberta na terça (10/12) com a exibição do documentário de Lula Buarque de Hollanda sobre Gilberto Gil, com presença do próprio.

A exibição de “Piedade”, de Cláudio Assis, com a participação da atriz Fernanda Montenegro, cada vez mais símbolo da Cultura brasileira, tem tudo para tornar memorável a abertura da mostra nacional, que também acontecerá na terça.

O Festival do Rio vai até o dia 14 de dezembro e sua programação completa pode ser conferida no site oficial do evento.