Piada? Scorsese e Jennifer Aniston reclamam que Marvel não é cinema e vão fazer streaming



Depois de Martin Scorsese dizer que a Marvel não faz cinema, a atriz Jennifer Aniston completou o ataque afirmando que a Marvel está acabando com o cinema.

Só que os novos trabalhos dos dois é que não são cinema. São produtos desenvolvidos para plataformas de streaming. Martin Scorsese dirigiu “O Irlandês”, que estreia na Netflix no dia 27 de novembro, e Aniston estrela a série “Morning Show”, produção da Apple TV+, com lançamento marcado para o dia 1 de novembro. Antes disso, ela fez “Mistério no Mediterrâneo”, da Netflix, em que atuou ao lado de Adam Sandler.

É uma piada pronta. Mas não dá para rir. Afinal, os números da Marvel comprovam que, sem os filmes dos super-heróis da produtora, muitos cinemas fechariam.

“Foi no último par de anos, quando esses serviços de streaming começaram a explodir com tanta qualidade, que eu comecei a pensar: ‘Uau, isso é melhor do que o filme que eu acabei de fazer’. E então você está vendo o que está disponível por aí e está diminuindo e diminuindo, até que só restam grandes filmes da Marvel”, disse Aniston à revista Variety, sem fazer o raciocínio completo, mas emendando que quer mais filmes ao estilo dos estrelados por Meg Ryan e menos super-heróis.

Sabe quem faz mais filmes ao estilo das comédias românticas que Meg Ryan estrelava há 30 anos? A Netflix. Tem várias.


Por outro lado, será que as grandes lotações da Marvel prejudicam o cinema? Seria melhor para o cinema não contar com os filmes da Marvel e ficar com “o que está disponível por aí”, isto é, os filmes que levam menos público para as projeções – “diminuindo e diminuindo”?

Os filmes de Aniston e Scorsese para a Netflix não vão ajudar a manter o cinema vivo, mas “Vingadores: Ultimato”, “Capitã Marvel” e a coprodução com a Sony “Homem-Aranha: Longe de Casa” renderam mais de US$ 5 bilhões de arrecadação mundial, para citar apenas os lançamentos de 2019.

Estas produções da Marvel também lideraram a arredação do circuito IMAX, que teria dificuldades para se manter sem os blockbusters dos super-heróis. Assim como o circuito de cinemas equipados com 3D.

Sem os filmes da Marvel, sabe o que restaria para o mercado cinematográfico? Diminuir e diminuir. A tendência do público é se voltar cada vez mais para o streaming que Scorsese e Aniston adotaram como “antídoto” para os super-heróis.

Scorsese comparou pejorativamente os trabalhos da Marvel a parques temáticos. E é exatamente isso, mas no bom sentido. As pessoas saem para se divertir em parques de diversões. Para ver filmes, ficam em casa. Por isso, o tipo de espetáculo grandioso projetado pela Marvel mantém os cinemas lotados.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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