Power: Trailer da última temporada apresenta caminho sem volta e confronto final
O canal norte-americano Starz divulgou o pôster e o trailer da temporada final de “Power”, sua série líder de audiência. A prévia é repleta de cenas de vida ou morte, com muitos tiroteios e situações sem volta, como “a última traição” e “a última batalha”, em que Ghost (Omari Hardwick) se vê sozinho confrontando todos os demais personagens. Criada por Courtney Kemp Agboh (produtora-roteirista de “The Good Wife”), “Power” se passa nos bastidores da vida noturna de Nova York, onde o glamour se mistura com o submundo do tráfico de drogas. Na trama, “Ghost” se vê dividido entre a vida como um rico dono de boate e traficante de alto nível. Seus problemas começam quando ele percebe que pode fazer sucesso e dinheiro longe do crime. A produção é do rapper Curtis “50 Cent” Jackson, que também tinha um papel importante na trama até o ano passado. A 6ª e última temporada de “Power” vai estrear em 25 de agosto nos Estados Unidos – mas há planos para a produção de um spin-off.
Ator da série Fugitivos é advertido por conduta inadequada após denúncia de assédio
Um comitê disciplinar do SAG-AFTRA, Sindicato dos Atores dos Estados Unidos, considerou Kip Pardue (da série “Runaways”) culpado de “má conduta grave” em relação a uma queixa de assédio sexual apresentada pela atriz Sarah Scott, que o acusou de se masturbar na frente dela logo após gravar uma cena no piloto de um projeto indie de TV. Ela alegou que ele ficou excitado e colocou a mão em sua virilha enquanto estavam sob as cobertas aguardando para registrar a cena. Em seu comunicado de decisão, o comitê disse a Pardue que “censura e adverte você por essa conduta inadequada e não profissional”. Também o multou em US$ 6 mil. Pardue, que vive o pai da jovem Karolina Dean (Virginia Gardner) na série “Fugitivos” (Runaways), negou as alegações. Seu advogado, Shepard Kopp, disse ao jornal Los Angeles Times que o ator “nunca se envolveu em nenhum comportamento não consensual”. A atriz Sarah Scott relatou o incidente ao sindicato em maio de 2018, poucos dias após sofrer o abuso. Ela disse ao Times que ninguém parecia ter muita vontade de lidar com a situação, o que a fez procurar diretamente a presidente da SAG-AFTRA, Gabrielle Carteris, que disse a ela por e-mail: “Estou me certificando de que isso seja revisado à medida que continuamos desenvolvendo os melhores procedimentos e sistemas de apoio”. A situação só mudou quando ela prestou uma queixa criminal junto à polícia em 26 de agosto. Foi quando Carteris lhe disse que iria rever o status da queixa. No dia seguinte, ela foi informada de que seu caso seria ouvido pelo comitê disciplinar da associação em 26 de outubro. Essa audiência, no entanto, só aconteceu em 20 de março deste ano. Quando a audiência marcada para outubro não aconteceu, Scott tornou a denúncia pública, em entrevista para o jornal Los Angeles Times em outubro. Na ocasião, Pardue se defendeu dizendo: “Eu claramente interpretei mal a situação durante uma cena de sexo no set e pedi desculpas a Sarah. Nunca pretendi ofendê-la de maneira alguma e lamentar profundamente minhas ações e aprendi com meu comportamento.” Scott disse ao Times que ela tem sentimentos mistos sobre como seu caso foi tratado. “No geral, estou bem com isso, mas é uma sensação estranha”, disse ela. “Eu não sei se devo me sentir bem com a punição ou não. Eu gostaria de ter visto alguns anos de suspensão, mas este é um passo na direção certa. O que é mais importante para mim é que o sindicato se mexeu, tendo que levar a sério essas queixas e criar um espaço onde outras pessoas com problemas similares possam ser ouvidas”.
BBC vai produzir nova minissérie baseada no clássico Anna Karenina
A rede BBC prepara mais uma versão do romance “Anna Karenina”, de Leon Tolstói, para a televisão. A adaptação do clássico literário será realizada pela roteirista Gwyneth Hughes, responsável pela recente minissérie de “Vanity Fair” (Feira das Vaidades), outro marco da literatura com excesso de filmagens. “Anna Karenina” foi publicado pela primeira vez em 1878 e não demorou a virar filme. A primeira adaptação é de 1910. Desde então, inspirou quase uma centena de adaptações para o cinema e televisão, de produções russas à filipinas. A própria BBC já tinha adaptado a obra anteriormente, uma característica da maioria de suas minisséries de época recentes, dedicadas a clássicos muitíssimos conhecidos como “Os Miseráveis”, “Adoráveis Mulheres” e “Feira das Vaidades”. A história que a maioria sabe de cor acompanha o caso extraconjugal de uma aristocrata russa, que escandaliza os círculos sociais de São Petersburgo, conduzindo a uma tragédia. Entre as muitas atrizes que interpretaram a personagem do título estão Greta Garbo em 1935, Vivien Leigh em 1948, Claire Bloom em 1961, Lea Massari em 1974, Sophie Marceau em 1997 e Keira Kngithley em 2012. A nova adaptação ainda não tem elenco definido nem previsão de estreia.
Vingadores: Ultimato chega a US$ 18 milhões do recorde mundial de Avatar
“Vingadores: Ultimato” continua determinado a conquistar o título de maior bilheteria mundial de todos os tempos. Com a arrecadação do fim de semana, o longa está a apenas US$ 18 milhões de “Avatar”. A produção da Marvel chegou a uma bilheteria total de US$ 2,770 bilhões, contra US$ 2,788 bilhões do blockbuster do diretor James Cameron. Para atingir seu objetivo, “Vingadores: Ultimato” foi relançado em uma “versão estendida”, que apesar de não ter muitos atrativos funcionou como caça-níquel para fazer o longa retornar ao Top 10 das bilheterias norte-americanas. Essa nova versão chegará aos cinemas brasileiros na próxima quinta (11/7). O filme da Marvel é o segundo mais visto do mundo desde o dia 5 de maio, quando superou “Titanic” – que, assim como “Avatar”, também foi dirigido por James Cameron. Como a Disney já confirmou a data de lançamento de “Vingadores: Ultimato” em plataformas digitais para 30 de julho, a produção vai ficar no máximo somente mais três semanas em cartaz. Dará tempo?
Homem-Aranha: Longe de Casa tem super-estreia em 1º lugar na América do Norte
“Homem-Aranha: Longe de Casa” teve um ótimo feriadão da independência nos Estados Unidos. O filme do super-herói faturou US$ 185M (milhões) desde seu lançamento antecipado na terça-feira (2/7). Mas é um caso de copo meio cheio ou meio vazio, já que a bilheteria do fim de semana foi menor que a de “Homem-Aranha: De Volta Ao Lar”. Entre sexta e domingo (7/7), a produção da Sony arrecadou US$ 93M na América do Norte, uma queda sensível em relação aos US$ 117M de seu antecessor. Em compensação, quebrou recordes de meio de semana no mercado doméstico, incluindo a maior venda de ingressos em um terça-feira em todos os tempos (US$ 38M), melhor bilheteria de quarta-feira para um filme da Marvel (US$ 27M) e segunda maior arrecadação em um feriado de 4 de Julho (US$ 25M). Também foi o maior faturamento acumulado de seis dias de um filme da Sony Pictures. Em outros países, o 23º filme do Universo Cinematográfico da Marvel arrecadou mais que o dobro, US$ 395M, mas está em cartaz a mais tempo em alguns deles, como na China e no Japão, chegando a 580M de bilheteria mundial após 10 dias. A estreia do novo Homem-Aranha derrubou “Toy Story 4” para o 2º lugar, após liderar o ranking por duas semanas. A animação da Pixar rendeu mais US$ 34,3M nos EUA e Canadá para atingir US$ 650M mundiais. Apenas um filme arriscou competir com o lançamento do super-herói e os blockusters ainda em cartaz, e seu desempenho demonstra porque os demais estúdios foram tão precavidos. “Midsommar”, novo terror do diretor Ari Aster (de “Hereditário”), abriu com apenas US$ 6,5M, em 6º lugar – e US$ 10,9M ao longo de todo o feriadão. Mas agradou a crítica (com 82% no Rotten Tomatoes), o que pode lhe garantir maior tempo de permanência no ranking. “Midsommar” só vai chegar no Brasil em dois meses, com distribuição prevista para 19 de setembro. O ranking também registrou a saída de “John Wick 3: Parabellum” e “Brinquedo Assassino” do Top 10, após, respectivamente, oito e três semanas em cartaz. Enquanto o primeiro bateu o recorde de bilheteria de sua franquia (US$ 165,2M domésticos e US$ 311,2M mundiais), garantindo mais uma sequência, o segundo teve um desempenho irrisório (US$ 26,7M) e dificilmente terá continuação. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Homem-Aranha: De Volta para Casa Fim de semana: US$ 93,6M Total EUA e Canadá: US$ 185M Total Mundo: US$ 580M 2. Toy Story 4 Fim de semana: US$ 34,3M Total EUA e Canadá: US$ 306,5M Total Mundo: US$ 649,9M 3. Yesterday Fim de semana: US$ 10,7M Total EUA e Canadá: US$ 36,8M Total Mundo: US$ 56,9M 4. Annabelle 3: De Volta para Casa Fim de semana: US$ 9,7M Total EUA e Canadá: US$ 50,1M Total Mundo: US$ 134,7M 5. Aladdin Fim de semana: US$ 7,6M Total EUA e Canadá: US$ 320,7M Total Mundo: US$ 921,6M 6. Midsommar Fim de semana: US$ 6,5M Total EUA e Canadá: US$ 10,9M Total Mundo: US$ 10,9M 7. Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 Fim de semana: US$ 4,7M Total EUA e Canadá: US$ 140,7M Total Mundo: US$ 262,4M 8. MIB: Homens de Preto – Internacional Fim de semana: US$ 3,6M Total EUA e Canadá: US$ 71,9M Total Mundo: US$ 244,4M 9. Vingadores: Ultimato Fim de semana: US$ 3,1M Total EUA e Canadá: US$ 847,8M Total Mundo: US$ 2,7B 10. Rocketman Fim de semana: US$ 2,7M Total EUA e Canadá: US$ 89,1M Total Mundo: US$ US$ 173,8M
Versão live-action de Mulan ganha primeiro pôster
Além do primeiro trailer legendado, a Disney também divulgou o primeiro pôster de sua versão live-action de “Mulan”. E assim como o vídeo, a arte minimiza situações fantasiosas, mostrando apenas a protagonista de espada em punho. O reflexo da lâmina à frente de seu rosto revela parcialmente seu disfarce masculino, mas a ênfase é na sua identidade feminina, com os cabelos soltos e tremulando. A versão com atores promete ser bem diferente do desenho de 1998, sem dragões bonzinhos, mantendo apenas a premissa básica da jovem que se disfarça de homem para ir à guerra no lugar do pai doente. E há certeza de muitas cenas de ação, graças à contratação de astros de filmes chineses de artes marciais, como Donnie Yen (“Rogue One”) e Jet Li (“Os Mercenários”), escalados respectivamente como o comandante Tung, mentor e professor da heroína, e o Imperador da China. Já Mulan é interpretada pela jovem atriz chinesa Liu Yifei (“O Reino Perdido”). O elenco também inclui o havaiano Jason Scott Lee (que viveu Bruce Lee na cinebiografia “Dragão: A História de Bruce Lee”), Jimmy Wong (“O Círculo”), Doua Moua (“Gran Torino”) e a célebre atriz Gong Li (“Memórias de Uma Gueixa”). Apesar dessa abordagem – e da temática – , a direção, curiosamente, não é de um chinês, mas da neozelandesa Niki Caro (da série “Anne with an E”). “Mulan” será o primeiro filme de fábulas live-action da Disney dirigido por uma mulher, após “Alice no País das Maravilhas” (2012), “Malévola” (2014), “Cinderela” (2015), “Mogli” (2016), “A Bela e a Fera” (2017), “Dumbo” e “Aladdin” (2019) terem sido comandados por homens. O roteiro foi escrito por quatro pessoas, entre elas a dupla Amanda Silver e Rick Jaffa (de “Planeta dos Macacos: A Origem” e “No Coração do Mar”). A estreia está prevista apenas para março de 2020.
Cameron Boyce (1999 – 2019)
O jovem ator Cameron Boyce, que ficou conhecido por produções do Disney Channel, como “Jessie” e “Descendentes”, morreu no sábado (6/7) aos 20 anos de idade. Segundo a família, ele faleceu durante o sono após ter uma convulsão, ligada a uma “condição médica preexistente”. O Disney Channel lamentou a morte do ator em comunicado oficial. “Desde pequeno, Cameron Boyce sonhava em compartilhar seus extraordinários talentos artísticos com o mundo. Quando jovem, ele foi alimentado por um forte desejo de fazer a diferença na vida das pessoas através de sua trabalho humanitário”, diz o texto, que lembra o engajamento de Boyce com a ONG Thirst Project, que fornece água potável a comunidades carentes. Cameron Boyce começou sua carreira muito cedo. Ele estreou nos cinemas com apenas 8 anos, nos filmes “Espelho do Medo” e “Controle Absoluto”, de 2008. No mesmo ano, foi escalado num papel recorrente em “General Hospital: Night Shift”, série derivada da novela infinita “General Hospital”, além de aparecer num clipe da banda Panic! At the Disco. O trabalho seguinte lhe deu ainda mais projeção. Aos 10 anos de idade, ele viveu o filho de Adam Sandler em “Gente Grande” (2010), papel que repetiu na continuação de 2013. A produção abriu as portas para o Boyce, que começou a ser escalado em produções do Disney Channel. Ele participou de episódios de “Boa Sorte, Charlie!” e “No Ritmo” antes de estrear como Luke Ross em “Jessie”, série que ficou no ar de 2011 a 2015 e que o tornou conhecido do grande público. Em 2015, o ator foi escalado como Carlos De Vil em “Descendentes”, telefilme sobre os filhos dos vilões da Disney – sua mãe era Cruella De Vil, da fábula dos “101 Dálmatas”. A obra se tornou um fenômeno de audiência, gerando continuações, clipes, especiais e até uma série animada. O Disney Channel aproveitou o sucesso para inclui-lo em várias produções, da série animada “Jake e Os Piratas da Terra do Nunca” à comédia teen “Guia de um Gamer para Quase Tudo”, em que viveu o gamer do título por duas temporadas. Ele deixou muitos trabalhos finalizados, inclusive sua despedida do papel de Carlos em “Descendentes 3”, que estreia no Brasil em 9 de agosto. O ator também já havia completado as gravações das temporadas inaugurais das séries “Paradise City”, derivada do terror roqueiro “American Satan” (2017), e “Mrs Fletcher”, da HBO, além do filme “Runt”, em que contracena com Brianna Hildebrand (“Deadpool”). Um dia antes de sua morte, o ator havia postado em seu Instagram uma foto em preto e branco. A publicação já conta com quase 6 milhões de curtidas, e vários comentários de fãs lamentando. Colegas de Boyce do Disney Channel, como Raven Symoné, Gregg Sulkin, Peyton List e Skai Jackson (as duas últimas trabalharam com ele em “Jessie”), além do diretor Kenny Ortega (de “Descendentes”), Adam Sandler (seu pai em “Gente Grande”) e até o CEO da Disney Bob Iger foram às redes sociais para prestar homenagens ao ator. “Todos os nossos corações estão partidos”, resumiu Sandler. Veterano
Divino Amor é mais que uma distopia neon-evangélica do Brasil
“Divino Amor” vem sendo lido como uma ficção distópica sobre o domínio da religião evangélica no Brasil após o governo Bolsonaro. Mas quem, a partir disso, esperar um filme caricato que julga por meio de reprimendas um certo modo de ser, acabará se surpreendendo, pois o filme vai muito além do estereótipo. De um lado, é nítido que o filme atua por meio da farsa ou da ironia. No ano de 2027, o Brasil estará controlado por evangélicos que se tornam um grupo hegemônico. Inclusive o desvio – as festas, a cultura – passa a ser dominado pelo evangelismo. Mas, para o diretor Gabriel Mascaro, a sociedade do futuro se afasta dos sonhos motorizados de “Os Jetsons” ou da realidade virtual ou aumentada de “Minority Report”. Estamos não muito distantes do mundo do hoje – não há hologramas, ou coisas do tipo, nem mesmo celulares. Ou seja, estamos diante de um futurismo de subúrbio de terceiro mundo. O futuro evangélico de Mascaro se afirma a partir do trabalho e da família. O trabalho é o cartório – a síntese da burocracia weberiana como forma de organização do espaço e dos corpos a partir de uma lógica utilitária. Ainda que se usem códigos genéticos e uma espécie de detector (não de metais mas de identidades) como forma de mostrar o avanço da tecnologia, é possível dizer que o cartório de Mascaro não é muito diferente da burocracia atual. Sua protagonista Joana (na grande interpretação de Dira Paes) é uma cartorária do setor de divórcios que tenta recrutar casais em crise para os ritos da seita “divino amor”. A ênfase em luzes neon entre o rosa e o roxo, em meio a névoas de fumaça, imprimem ao filme um tom claramente artificial ambíguo, entre o rasgadamente brega e o infantil (tom infantil reforçado pela narração que costura o filme). A ritualização das cerimônias do Divino Amor (a terapia de casais, o batismo) oscila entre o sensual e o kitsch. O filme apresenta o culto como uma reflexão distanciada sobre a estetização do evangelismo, numa relação complexa entre a adoração e a sedução, algo que remete ao trabalho de Barbara Wagner e Benjamin de Burca, especialmente em “Terremoto Santo” (2017). A epifania divina pode estar muito próxima de um orgasmo – e é preciso constatar o papel da estetização nos cultos. O tom irônico como essa sociedade do futuro controla o fluxo dos corpos, por meio de um regime maquínico que normatiza os modos de ser, pode ser visto em sua máxima expressão nas originalíssimas cenas em que Joana, a personagem de Dira Paes, se consulta com um pastor, entrando com seu carro por meio de um drive thru. As consultas espirituais passam a ser uma mescla de uma consulta médica com uma loja de fast food. A simplicidade da ornamentação (o pastor está simplesmente sentado em uma cadeira em torno de uma enorme redoma de vidro) apresenta um futurismo pragmático, uma estética minimalista e neutra, assim como boa parte das opções da direção de arte no cartório. É de se notar que os espaços públicos são raros no filme – a cidade está completamente ausente do filme. O tom tipicamente estilizado ocorre primordialmente no interior do “Divino Amor” – essa espécie de portal encantado em que, num recurso de fantasia tipicamente cinematográfico, os personagens entram em contato com o “divino” – numa estilização cênica do contato dos corpos tão kitsch que não seria exagero se nos lembrássemos do teatro de “Oh! Rebuceteio” (sem neon). Dessa forma, se, de um lado, é nítido o distanciamento do realizador em relação ao universo que ele apresenta, por meio dessas camadas críticas de ironia, ou ainda, se em alguns pontos o filme tangencia o caricato, com uma base cômica, a grande contribuição de Mascaro é de nunca propor meramente escrachar ou julgar seus personagens, mas procurar mergulhar nas contradições e paradoxos que surgem por dentro desse mesmo regime. Para além do panorama das transformações da sociedade brasileira, “Divino Amor” busca compreender os dilemas de sua protagonista. Joana é uma profunda seguidora dos princípios divinos, mas não se sente abençoada, já que seu trabalho e sua família estão por um triz. Ela precisa de um sinal, de uma prova do amor de Deus. Joana poderia elencar um rol de sacrifícios ao ser posta à prova do amor de Deus, como Moisés ou Abraão. Ao mesmo tempo, a ironia surge desse contraponto: seus dilemas surgem exatamente porque Deus atende a seu pedido, e a faz grávida. Talvez Joana seja condenada por amar demais. É a partir daí que vejo “Divino Amor” do ponto de vista do melodrama, sobre a importância do amor e sobre os riscos de quem ama verdadeiramente diante de um mundo maquínico – estes estão verdadeiramente condenados. “Divino Amor” vira então “Benilde”, de Manoel de Oliveira, ou mesmo um rastro de um filme de Jean-Claude Brisseau. É como se Mascaro observasse os paradoxos que surgem no interior de um regime de normatização dos corpos que, aliás extrapola o evangelismo (veja, por exemplo, o cartório). Joana curiosamente representa o desvio no interior do sistema, um abalo que surge justamente por ela, de forma pura, levar seu modus operandi até às últimas consequências. É o amor incondicional que rompe o sistema por dentro. Quando digo por dentro, me refiro também à própria questão do corpo. Um corpo que implode e passa a ser fértil. É muito curioso quando Mascaro propõe uma relação entre a fertilidade e a luz, ou seja, entre a natureza e o cinema (seja artificial por meio da estranha máquina, seja natural, no belíssimo plano em que Dira em pelo se posiciona para a luz). Dar a/à luz. O rebento que nasce ao final sinaliza esse doce desejo da revolução, que nasce não pelo ódio mas pelo amor. Quase ao avesso de “As Boas Maneiras” (2017), mas um avesso que confirma a regra, a criança de “Divino Amor” não canibaliza a normatividade: ela representa a esperança pelo desvio que surge justamente de uma extrapolação do próprio sistema. A ambiguidade com que o diretor compõe uma encenação que conjuga uma crítica irônica aos modos de ser e um afeto respeitoso diante do poder transformador do amor espelha esteticamente sua oscilação entre a comédia e o melodrama, entre o realismo e o futurismo, entre o infantil e o adulto, entre a distopia e a utopia. Como no filme anterior de Mascaro, “Boi Neon” (2015), a obra do diretor não está interessada em propor representações totalizantes do mundo contemporâneo. Ele prefere investigar esses agenciamentos turvos, que apresentam desvios ou que apontam para os paradoxos no interior desses regimes hegemônicos. Em comum, o amor ou o desejo é que rompem as porteiras da normatização dos regimes. E a estetização é o elemento que ativa a sedução dos corpos. Ou seja, a contribuição de Mascaro, para além dos discursos totalizantes, é observar a possibilidade de rachaduras ou desvios (utilizando essa palavra que se remete ao próprio nome da produtora de Mascaro e Rachel) no interior de determinados regimes.
Primeiro trailer de Mulan parece filme chinês de artes marciais
A Disney divulgou o primeiro trailer legendado de sua versão live-action de “Mulan”. E curiosamente a prévia não parece um filme da Disney, mas uma obra da filmografia de Zhang Yimou, com elenco chinês, costumes tradicionais e lutas de espada e kung fu voador – o wire fu. Não há os elementos fantásticos da animação, nem mesmo seu humor, mas uma apresentação de fundo dramático mais realista que as demais adaptações de clássicos animados do estúdio, com ênfase no tema da honra e em artes marciais. A versão com atores promete ser bem diferente do desenho de 1998, sem dragões bonzinhos, mantendo apenas a premissa básica da jovem que se disfarça de homem para ir à guerra no lugar do pai doente. E há certeza de muitas cenas de ação, graças à contratação de astros chineses do gênero, como Donnie Yen (“Rogue One”) e Jet Li (“Os Mercenários”), escalados respectivamente como o comandante Tung, mentor e professor da heroína, e o Imperador da China. Já Mulan é interpretada pela jovem atriz chinesa Liu Yifei (“O Reino Perdido”). O elenco também inclui o havaiano Jason Scott Lee (que viveu Bruce Lee na cinebiografia “Dragão: A História de Bruce Lee”), Jimmy Wong (“O Círculo”), Doua Moua (“Gran Torino”) e a célebre atriz Gong Li (“Memórias de Uma Gueixa”), que por acaso foi musa de Zhang Yimou nos anos 1990. Apesar dessa abordagem – e da temática – , a direção, curiosamente, não é de um chinês, mas da neozelandesa Niki Caro (da série “Anne with an E”). “Mulan” será o primeiro filme de fábulas live-action da Disney dirigido por uma mulher, após “Alice no País das Maravilhas” (2012), “Malévola” (2014), “Cinderela” (2015), “Mogli” (2016), “A Bela e a Fera” (2017), “Dumbo” e “Aladdin” (2019) terem sido comandados por homens. O roteiro foi escrito por quatro pessoas, entre elas a dupla Amanda Silver e Rick Jaffa (de “Planeta dos Macacos: A Origem” e “No Coração do Mar”). A estreia está prevista apenas para março de 2020.
Official Secrets: Trailer traz Keira Knightley como a espiã que tentou evitar a Guerra do Iraque
O estúdio IFC divulgou fotos e o trailer de “Official Secrets”, drama estrelado por Keira Knigthley (“Colette”) sobre a história real de Katharine Gun, a espiã que tentou impedir a Guerra do Iraque. Gun foi a funcionária do Serviço de Inteligência Britânico que, em 2003, descobriu planos de espionagem dos Estados Unidos na ONU para forçar a aprovação da Guerra do Iraque e vazou a informação para a imprensa de seu país. O escândalo acabou colocando em cheque o próprio apoio do Reino Unido ao projeto bélico americano. Mas ela foi considerada traidora. O resto da história está no filme – e na Wikipedia. O filme adapta o livro “The Spy Who Tried to Stop A War”, de Marcia e Thomas Mitchell, e representa uma volta do cineasta Gavin Hood ao tema da guerra no Oriente Médio, que ele abordou em seu filme anterior, o elogiado “Decisão de Risco” (2015). A produção é do estúdio britânico eOne, em parceria com a produtora de Mark Gordon (“Assassinato no Expresso Oriente”), e o elenco grandioso também inclui Ralph Fiennes (“O Grande Hotel Budapeste”), Matt Smith (“The Crown”), Matthew Goode (“A Discovery of Witches”), Indira Varma (“Game of Thrones”), Conleth Hill (também de “Game of Thrones”), Rhys Ifans (“O Espetacular Homem-Aranha”) e MyAnna Buring (“Abismo do Medo”). A estreia está marcada para 5 de setembro no Brasil, uma semana após o lançamento nos Estados Unidos.
A Batalha das Correntes: Benedict Cumberbatch é Thomas Edison em trailer de drama histórico
O novíssimo estúdio 101 Films divulgou o trailer de seu primeiro lançamento, “A Batalha das Correntes” (The Current War), sobre a “guerra das correntes elétricas”, travada entre Thomas Edison e George Westinghouse no final do século 19. O detalhe é que este não é o primeiro trailer do filme. A prévia anterior é de 2017, quando ele seria lançado pela The Weinstein Company. A produção foi um dos danos colaterais do escândalo envolvendo o produtor Harvey Weinstein. Acabou caindo no limbo, até ser resgatada pela 101 Films. Mas o estúdio não considerou o negócio como um atalho para chegar rapidamente aos cinemas. Bancou refilmagens e uma nova edição, sob supervisão do diretor Alfonso Gomez-Rejon (“Eu, Você e A Garota que vai Morrer”), para lançar um produto melhor que o exibido no Festival de Toronto de dois anos atrás. A produção gira em torno da rivalidade entre Edison e Westinghouse, que travaram uma feroz batalha comercial em relação às patentes de cada um, a corrente continua de Edison e a corrente alternada de Westinghouse (criada, na verdade, pelo gênio Nikola Tesla), que concorriam por contratos de eletricidade em cidades e estados no final do século 19. Para determinar qual das correntes era melhor, até sua letalidade entrou no debate, culminando na invenção da cadeira elétrica para executar penas de morte nos Estados Unidos. O elenco é nada menos que (super) heroico, reunindo Benedict Cumberbatch (“Doutor Estranho”) como Thomas Edison, Michael Shannon (“O Homem de Aço”) como George Westinghouse e Nicholas Hoult (“X-Men: Apocalipse”) como Nikola Tesla, os homens que eletrificaram o mundo, além de Tom Holland (“Homem-Aranha: Longe de Casa”) como Samuel Insull, secretário de Edison que virou magnata. Além deles, também se destacam Katherine Waterston (“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”) como Marguerite, a esposa de Westinghouse, e Tuppence Middleton (série “Sense8”) como Mary, a esposa de Edison. A estreia comercial vai (finalmente) acontecer em 4 de outubro nos Estados Unidos, e ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.
The Naked Director: Série da Netflix sobre indústria pornô japonesa ganha trailer
A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “The Naked Director”, série japonesa sobre a explosão da indústria pornográfica no país durante os anos 1980. Com dez episódios, a produção é inspirada na história real de Toru Muranishi, um vendedor de Tóquio que se depara com a indústria pornô japonesa quando o negócio está prestes a decolar devido à rápida ascensão do mercado de vídeo doméstico, e acaba se tornando um dos diretores de filmes adultos mais notórios da história do Japão. Conhecido como o “Imperador da Pornografia” por seus vídeos de estilo gonzo, quase documentais e exploradores de perversões, Toru Muranishi assinou mais de 3 mil vídeos adultos, apesar de ter enfrentado uma série de restrições ao longo de sua carreira, sob forte repressão do governo. O título da série faz referência ao seu costume de gravar suas obras apenas de cueca. Dirigido por Masaharu Take (“Eden”), a série destaca Takayuki Yamada (“13 Assassinos”) no papel de Muranishi e também conta com Shinnosuke Mitsushima (“O Habitante do Infinito”), Misato Morita (“Sacrifice Dilemma”), Koyuki (“O Último Samurai”), Jun Kunimura (“Kill Bill: Vol. 1”), Tetsuji Tamayama (“Norwegian Wood”), Lily Franky (“Assunto de Família”) e Ryo Ishibashi (“Audition”). A estreia está marcada para o dia 8 de agosto na Netflix.
Share: HBO divulga trailer de drama premiado no Festival de Sundance
A HBO divulgou o pôster e o trailer de “Share”, drama duplamente premiado no Festival de Sundance com os troféus de Melhor Roteiro e Melhor Atuação. A trama repercute um vídeo perturbador de uma adolescente que pode ter sido abusada sexualmente por colegas, mas não se lembra do que aconteceu na noite anterior. Pressionada pela família a relatar o incidente à polícia, ela acaba isolada na escola e se tornando uma pária social. “Share” é o primeiro longa da diretora e roteirista Pippa Bianco, baseado num curta-metragem dela mesma, lançado em 2015 com trajetória igualmente premiada. O papel principal é desempenhado pela promissora Rhianne Barreto (da “Hanna”), consagrada em Sundance, e o elenco também inclui Poorna Jagannathan (“Big Little Lies”) e JC MacKenzie (“Madame Secretary”) como seus pais, Lovie Simone (“Greenleaf”), Charlie Plummer (“Todo o Dinheiro do Mundo”) e Nicholas Galitzine (“Chambers”) como colegas de escola. A estreia está marcada para 27 de julho nos Estados Unidos.











