Anitta lança novo clipe em favela e sofre patrulhamento nas redes sociais



Anitta fez nova parceria, que ganhou mais um clipe, outra vez passado numa favela. Trata-se de “Muito Calor”, música do porto-riquenho Ozuna, que teve seu vídeo gravado na “cobertura” de frente pro mar do morro do Vidigal. Há também a escadaria da Lapa, o Pão de Açúcar, o Corcovado e as praias, que compõem um cenário de cartão postal colorido para emoldurar as quebradas dos morros, num visual de comercial de favela pra turistas.

Além de não trazer nada de novo, o clipe tem menos Anitta que o costume em outras parcerias latinas, como as feitas com Luis Fonsi, J. Balvin, Prince Royce, Sofia Reyes, Natti Natasha, Greeicy, etc.

De acordo com a cantora, entre todo seu repertório, “Muito Calor” é a música preferida do novo namorado, o surfista Pedro Scooby. Pois é, Anitta agora também é Fofocalizando.

E ela acabou chamando mais atenção que a música mesmo, na usina de intrigas das redes sociais.

Seu visual no vídeo, com os cabelos cacheados, virou alvo de protestos e acusações de apropriação cultural. Ela foi enquadrada por usar as madeixas com mais cachos nos clipes que fazem referência às suas origens na favela.



“Negra legítima, Wakanda está em festa”, debochou um tuiteiro. “Ih ó, ficou negra de novo. Anitta nem esconde que todo clipe em favela ela tem que se apropriar. Sinceramente, é ridículo. Todos os clipes são iguais, esse looping começou em ‘Vai Malandra’ e até hoje parecem todos a mesma coisa”, escreveu outra.

Pois é. Anitta, que jamais seria confundida com uma europeia, não pode parecer negra de acordo com o povo politicamente (bem in)correto das redes sociais. Logo ela, que fotos antigas revelam ter cabelos mais crespos que os do clipe – os cabelos lisos são resultado de produtos químicos e não tem nada a ver com etnia…

Este “racismo de esquerda” só contribui para perseguir e isolar os mestiços numa categoria racial do limbo, no país mais miscigenado do mundo. Sugestão de tema que ainda aguarda um bom funk.


Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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