Primeira série árabe da Netflix causa polêmica por “cenas imorais”


A primeira série original em árabe da Netflix estreou na sexta-feira (14/6) causando polêmica na Jordânia. Um promotor federal entrou com um pedido junto à unidade de cibercrimes do país que investigue e tome medidas contra a suposta imoralidade da produção.

A série “Jinn” é um drama sobrenatural sobre gênios mágicos na antiga cidade de Petra e acompanha um grupo de adolescentes que tentam impedir que eles destruam o mundo. A produção é gravada na Jordânia e tem cinco episódios.

A polêmica surgiu porque a atriz Salma Milhis beija dois garotos diferentes. Os beijos acontecem em momentos e cenas distintas, mas isso foi considerado chocante no país conservador. Também houve reclamação online sobre a linguagem adulta do programa.

Em sua manifestação, o promotor pediu para que o Ministério do Interior tomasse as “medidas imediatas necessárias para impedir a transmissão”, citando as supostas “cenas imorais” da série.

A Netflix usou o Twitter para caracterizar o alvoroço como uma “onda de intimidação”.



Por conta disso, a Comissão de Mídia da Jordânia emitiu um comunicado declarando que não tinha controle legal sobre a produção da série. A Comissão disse que seu papel de censor estatal só se aplica a transmissões de TV e apresentações teatrais, e não a serviços de streaming.

A mesma explicação foi dada pela Comissão Real de Cinema, também administrada pelo Estado, dizendo que a Netflix não era pública, mas uma empresa de assinatura privada, que só exibia suas produções para assinantes e, portanto, não havia nada que pudesse fazer. No entanto, a entidade ressaltou que houve manifestações de apoio à forma como a juventude do país foi retratada e que a polêmica era reflexo da diversidade da população jordaniana, concluindo que toda “diversidade é positiva”.

Vale observar que a Jordânia é um dos países mais liberais da região do Oriente Médio. Tanto que as personagens femininas da série nem veste hijab, o véu muçulmano. Ao contrário dos países vizinhos, a vestimenta não é obrigatória na Jordânia e não há punição para quem decidir passear de cabelos soltos.

“Jinn” é criação do roteirista Bassel Ghandour, produtor assistente do premiado “Guerra ao Terror” e escritor de “O Lobo do Deserto”, indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2016.

Com direção do cineasta libanês Mir-Jean Bou Chaaya (“Very Big Shot”), a série já pode ser vista no Brasil em streaming.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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