Vingadores: Ultimato faz História com estreia mundial de US$ 1,2 bilhão
“Vingadores: Ultimato” virou a maior estreia de cinema de todos os tempos. Como num estalar de dedos de Thanos, sua chegada nas telas reduziu todos os recordes possíveis a pó, arrecadando em seu primeiro fim de semana 1,2 bilhão em todo o mundo. Nenhuma projeção foi tão otimista quanto a realidade. Estimava-se como possibilidade a meta de US$ 1 bilhão, mas o quarto “Vingadores” foi além. Com o sucesso mundial, “Vingadores: Ultimato” se tornou o primeiro filme a ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão em apenas um fim de semana. O novo recorde foi atingido em cinco dias, considerando o lançamento na quarta-feira (24/4) nos primeiros mercados internacionais. Os recordes começaram a cair já no primeiro dia de exibição, como a maior bilheteria de 24 horas de vários países, incluindo China, Brasil, Estados Unidos e Canadá. A expectativa do mercado apontava que “Vingadores: Ultimato” poderia se tornar o primeiro filme a atingir US$ 300 milhões em sua estreia na América do Norte. E o lançamento acabou rendendo US$ 350M. O valor é quase US$ 100M maior que o recorde anterior, que pertencia justamente ao filme que o antecedeu na franquia – “Vingadores: Guerra Infinita” faturou “só” US$ 257,6M em sua abertura norte-americana. O mercado norte-americano foi responsável pelo principal faturamento, mas o chinês não ficou muito distante, com arrecadação de US$ 330,5M – que é outro recorde, como maior estreia na China. O valor total é tão elevado que já superara 17 das 21 produções da Marvel, incluindo “Capitã Marvel”. E ainda rendeu um efeito colateral inusitado. O interesse no filme fez com que o público voltasse ao cinema para rever “Capitã Marvel”, que reassumiu lugar de destaque no ranking, ocupando o 2º lugar neste fim de semana na América do Norte. O empurrão até ajudou o longa estrelado por Brie Larson a chegar a US$ 1,1 bilhão em sua bilheteria mundial e a superar “Mulher-Maravilha” no mercado doméstico – por US$ 1M de diferença. A estratégia da Disney para atingir esses resultados foi a mesma em todos os países, estabelecendo recordes de ocupação de salas. Isto aconteceu até na América do Norte, onde o longa chegou a 4,6 mil telas – a maior distribuição de todos os tempos. A diferença – em relação ao Brasil, por exemplo – é que o mercado norte-americano tem leis regulatórias que impedem multiplexes de exibirem apenas um filme. Com isso, a ocupação do filme no parque exibidor doméstico foi de “apenas” 10% (contra 80% neste país desgovernado). A saída para enfrentar a demanda foi exibir a produção de três horas de duração em horários alternativos, madrugada à dentro. A Disney comemorou o resultado com um comunicado elogiando o presidente da Marvel Studios. “Kevin Feige e a equipe da Marvel Studios continuam desafiando as noções sobre o que é possível no cinema, tanto em termos de narrativa quanto nas bilheterias”, diz o texto, assinado pelo presidente da Walt Disney Studios, Alan Horn. “Embora o ‘Ultimato’ esteja longe de ser um fim para o Universo Cinematográfico da Marvel, esses primeiros 22 filmes constituem uma grande conquista, e o sucesso monumental deste final de semana é um testemunho da riqueza do mundo que eles imaginaram, do talento envolvido e de sua paixão coletiva, igualada apenas pelo entusiasmo irreprimível dos fãs de todo o mundo”. Dá para apostar que, diante desse fenômeno, a Disney vai querer mais filmes dos Vingadores. Especialmente se “Ultimato” seguir nesse ritmo e superar os US$ 2,7 bilhões de “Avatar”, consagrando-se como a maior bilheteria de todos os tempos. Projeções sugerem que é possível. Confira abaixo os demais rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Vingadores: Ultimato Fim de semana: US$ 350M Total EUA e Canadá: US$ 350M Total Mundo: US$ 1,2B 2. Capitã Marvel Fim de semana: US$ 8M Total EUA e Canadá: US$ 413,5M Total Mundo: US$ US$ 1,1B 3. A Maldição da Chorona Fim de semana: US$ 7,3M Total EUA e Canadá: US$ 41,2M Total Mundo: US$ 86,9M 4. Superação: O Milagre da Fé Fim de semana: US$ 6,3M Total EUA e Canadá: US$ 26,1M Total Mundo: US$ 33,7M 5. Shazam! Fim de semana: US$ 5,5M Total EUA e Canadá: US$ 131,1M Total Mundo: US$ 346,3M 6. A Chefinha Fim de semana: US$ 3,4M Total EUA e Canadá: US$ 35,8M Total Mundo: US$ 42,4M 7. Dumbo Fim de semana: US$ 3,2M Total EUA e Canadá: US$ 107M Total Mundo: US$ 327,6M 8. Cemitério Maldito Fim de semana: US$ 1,2M Total EUA e Canadá: US$ 52,6M Total Mundo: US$ 102,3M 9. Nós Fim de semana: US$ 1,1M Total EUA e Canadá: US$ 172,8M Total Mundo: US$ 249,4M 10. Pinguins Fim de semana: US$ 1M Total EUA e Canadá: US$ 5,7M Total Mundo: US$ US$ 5,7M
Wrecked é cancelada após três temporadas
O canal pago americano TBS anunciou o cancelamento da série “Wrecked” após três temporadas. A comédia sobre um grupo de sobreviventes de um acidente de avião que passam a viver em uma ilha deserta foi um sucesso em sua estreia em 2016, graças a comparações com “Lost”, mas perdeu audiência nos anos seguintes. O programa concluiu a sua 3ª temporada em outubro do ano passado e, desde então, aguardava uma decisão do canal sobre seu destino. Criada pelos irmãos Jordan e Justin Shipley (roteiristas de “Deadbeat”), a série trazia em seu elenco Brian Sacca (“O Lobo de Wall Street”), Zach Cregger (“About a Boy”), Asif Ali (“Mr. Robinson”), Ally Maki (“Manto e Adaga”), Rhys Darby (“Medidas Desesperadas”), Will Greenberg (“Halt & Catch Fire”), Brooke Dillman (“The Middle”) e Jessica Lowe (“Feliz Aniversário de Casamento”).
Globoplay anuncia mais de 20 séries, de American Horror Story à inédita Manifest
A plataforma Globoplay anunciou a aquisição de mais de duas dezenas de séries novas para seu catálogo, entre atrações recentes, sucessos consagrados e produções clássicas da TV americana. Os títulos foram revelados durante o Rio2C, evento do audiovisual nacional. A relação inclui “The Path”, “Manifest”, “The Village”, “American Horror Story”, “The Gifted”, “Modern Family”, “Will & Grace”, “The Night Shift”, “Halt and Catch Fire”, “Patrick Melrose”, “Picnic at Hanging Rock”, “Angel”, “Bull”, “The First”, “Homeland”, “The Vampire Diaries”, “Waco”, “Arquivo-X”, “M: A City Hunts a Murderer”, “Smallville” e “The Magicians”. Além dos títulos internacionais, a Globoplay reforçou o lançamento das produções nacionais exclusivas “Divisão”, “Eu, a Vó e a Boi”, “Aruanas”, “Shippados” e “Sessão de Terapia”, sendo as três últimas ainda para o segundo semestre de 2019. “O fato de sermos uma plataforma de streaming nos permite ir além, trabalhando e experimentando vários segmentos. Podemos ter conteúdos mais ousados, modernos e diversos”, disse João Mesquita, CEO do Globoplay.
Vingadores: Ultimato tem maior público de estreia no Brasil em todos os tempos
“Vingadores: Ultimato” quebrou o recorde de 24 horas de uma estreia no Brasil, sendo visto por mais de 1,5 milhão de espectadores na última quinta-feira (25/4). O antigo recordista era o filme anterior da franquia, “Vingadores: Guerra Infinita”, que levou 953,3 mil espectadores aos cinemas em seu primeiro dia, no ano passado. A diferença é que a produção prévia foi lançada em “mais de mil salas”, enquanto “Vingadores: Ultimato” ocupou 2,7 mil telas, cerca de 80% de todos os espaços cinematográficos disponíveis no país. A distribuição predatória da Disney garante muitos recordes. Mas também inspira protestos no mercado nacional. Sem se preocupar com o debate, o estúdio comemora R$ 28,1 milhões em apenas 24 horas no país.
Chloë Moretz negocia estrelar filme de Tom e Jerry
A atriz Chloë Grace Moretz está em negociação com a Warner para estrelar o filme live-action de “Tom e Jerry”, que misturará live-action e animação. Ela não vai dublar nenhum dos bichos. O personagem oferecido é de Kayla, uma funcionária do hotel em que a chegada de Jerry ameaça um casamento glamouroso. Ela é a responsável por contratar o gato Tom para dar um jeito no ratinho. O filme de “Tom e Jerry” terá direção de Tim Story (“Quarteto Fantástico”) e seguirá o estilo da animação clássica, enfatizando a comédia física e de pastelão – isto é, comédia da época do cinema mudo, sem atores para dublar a dupla. A estreia já foi marcada. O filme chega aos cinemas norte-americanos em 16 de abril de 2021.
Mauricio de Sousa cria arte para a série Stranger Things
A Netflix divulgou em suas redes sociais uma nova arte especial de “Stranger Things”, dessa vez assinada por Mauricio de Sousa. A imagem presta homenagem à personagem Max, introduzida na 2ª temporada da série. Veja abaixo. A 3ª temporada de “Stranger Things” tem previsão de estreia para 4 de julho. Visualizar esta foto no Instagram. Quando a gente achava que Stranger Things já tinha batido todos os recordes de nostalgia, vem o Mauricio de Sousa e me faz um pôster da série. ? Uma publicação compartilhada por Netflix Brasil (@netflixbrasil) em 26 de Abr, 2019 às 5:03 PDT
Primeira foto do novo terror do diretor de A Bruxa junta Robert Pattinson e Willem Dafoe
O estúdio A24 divulgou a primeira foto do terror “The Lighthouse” (o farol), que junta os atores Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) e Willem Dafoe (“Projeto Flórida”). Em preto e branco, a imagem registra a dupla em roupas de época, ao lado do farol do título. Segundo longa de Robert Eggers, diretor do premiado terror “A Bruxa” (2015), vencedor do Festival de Sundance, “The Lighthouse” é ambientado na Nova Escócia, no final do século 19, e irá abordar antigos mitos marinhos. O filme é uma coprodução com a empresa brasileira RT Features, de Rodrigo Teixeira, que também coproduziu “A Bruxa”. A première mundial está marcada para a mostra Quinzena dos Realizadores, durante o Festival de Cannes.
Catch-22: Minissérie de George Clooney ganha novo trailer
A plataforma Hulu divulgou o segundo trailer da minissérie “Catch-22”, produzida, dirigida e estrelada por George Clooney. A prévia destaca o clima maníaco da trama, uma sátira que se passa num acampamento militar durante a 2ª Guerra Mundial. O papel de Clooney é pequeno, ainda que permita ao ator chamar atenção com tiques exagerados. A produção marca seu retorno às séries, 20 anos após sua saída de “ER/Plantão Médico” em 1999, mas seu maior envolvimento se dá atrás das câmeras. A minissérie de seis episódios é baseada no romance pacifista “Ardil-22”, lançado em 1961 por Joseph Heller e já transformado num filme cultuadíssimo de 1970 por Mike Nichols. A adaptação foi criada pelo roteirista Luke Davies (“Lion”) e pelo cineasta David Michôd (“The Rover – A Caçada”). A trama gira em torno de um piloto americano, que não se conforma com o fato de a Força Aérea sempre aumentar o número de missões exigidas antes que ele possa voltar para casa. Ele descobre que a única forma de evitar essas missões é declarando insanidade, mas o único modo de provar insanidade é se propondo a aceitar as missões mais perigosas. Esse dilema impossível é batizado de Ardil-22. Além de Clooney, o elenco também destaca Hugh Laurie (série “House”), Kyle Chandler (série “Bloodline”) e Christopher Abbott (“Ao Cair da Noite”), que vive o protagonista. A estreia vai acontecer em 17 de maio.
Nova adaptação de Duna será dividida em dois filmes
O CEO da Legendary Pictures, Joshua Grode, revelou que a nova adaptação de “Duna”, comandada pelo diretor Dennis Villeneuve (“Blade Runner 2049”), será feita em dois filmes. Em entrevista para a revista The Hollywood Reporter, o executivo confirmou os planos do estúdio para a produção de dois longas a partir do primeiro romance da saga literária de Frank Herbert. “Esse é o plano. Há uma plano de fundo que foi acenado em alguns dos livros [que nós expandimos]. E também, quando você lê o livro, há um ponto em que faz sentido para interromper o filme antes do final do livro”. Ou seja, o segundo filme não contará a história de outro livro – como aconteceu com as minisséries do canal pago Syfy – , mas sim o final do primeiro. Considerado um dos livros de ficção científica mais complexos de todos os tempos, a obra de 1965 já foi transformado em filme em 1984 pelo cineasta David Lynch e também originou duas minisséries do canal Syfy a partir de 2000. A nova versão tem roteiro de Eric Roth (“Forrest Gump”) e Jon Spaiths (“Doutor Estranho”) e contará a conhecida história, passada no futuro e em outro planeta, um local árido chamado Arrakis, que produz uma matéria essencial às viagens interplanetárias: a Especiaria. Quem controla a Especiaria tem uma vantagem econômica significativa diante dos adversários, o que faz com que a família real que supervisiona o local sofra um atentado. Apenas o filho, Paul Atreides, escapa e procura se vingar, usando a ecologia bizarra daquele mundo como sua principal arma. Em particular, os vermes gigantes que habitam as grandes dunas – e que são os verdadeiros responsáveis pela produção da Especiaria. Timothée Chalamet (“Me Chame Pelo Seu Nome”) vive Paul Atreides e o elenco estelar inclui Josh Brolin (o Thanos de “Vingadores: Guerra Infinita”), Jason Momoa (o “Aquaman”), Oscar Isaac (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), Rebecca Ferguson (“Missão Impossível: Efeito Fallout”), Zendaya (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar”), Charlotte Rampling (indicada ao Oscar por “45 Anos”), Dave Bautista (“Guardiões da Galáxia”), Stellan Skarsgard (“Thor”) e Javier Bardem (“007: Operação Skyfall”). As filmagens já começaram, mas ainda não há previsão de estreia.
Emilia Clarke se veste de Jon Snow e ninguém a reconhece em Nova York
A atriz Emilia Clarke saiu pelas ruas de Nova York vestida como Jon Snow e ninguém a reconheceu. Ela conversou com turistas, outros colegas fantasiados, pedindo ajuda da Liga da Justiça para enfrentar os Caminhantes Brancos, foi dispensada por uma fã de “The Walking Dead” e até reencontrou um velho amor, na figura de um boneco de Aquaman. Tudo por uma boa causa. A pegadinha de Emilia foi divulgada pela Omaze, uma plataforma criada para apoiar campanhas beneficentes, e tem o objetivo de oferecer a chance para um fã assistir ao último episódio de “Game of Thrones” ao lado da atriz, em troca de doações para a SameYou, fundação que ajuda na reabilitação de pacientes que perderam movimentos em função de lesões cerebrais ou derrames. Os episódios da 8ª e última temporada de “Game of Thrones” estão sendo exibidos aos domingos pelo canal pago HBO. E o capítulo final vai ao ar no dia 19 de maio.
Vingadores Ultimato é marco do entretenimento do século 21
Após o final surpreendente de “Vingadores: Guerra Infinita”, temos a conclusão não só dessa história, mas também da saga dos primeiros 11 anos (e 22 filmes) da Marvel Studios. Se o anterior deixou o público de queixo caído pela ousadia, “Vingadores: Ultimato” substitui o choque pela carga emocional mais intensa que você já viu em um filme de super-heróis. Enfim, leve uma caixa de lenços. Ao mesmo tempo em que se completam, “Guerra Infinita” e “Ultimato” se apresentam como filmes bem diferentes em tom e ritmo. Antes, os Vingadores foram pegos de surpresa e sem tempo algum para planejar um contra-ataque, uma resistência ou qualquer outra coisa capaz de fazer frente ao desespero. O que justifica um filme mais dinâmico, direto ao ponto, com soluções urgentes. Agora, chegou o momento de sentar e conversar para ver o que é possível ser feito. E o clima não é dos melhores, afinal os heróis lidam com o peso das consequências de “Guerra Infinita”. O que justifica um tom melancólico e praticamente sem um pingo de esperança. Mas é um gancho e tanto para os irmãos Anthony e Joe Russo trabalharem a importância do mito e a existência de heróis entre nós. Tema repetido e reciclado pelo cinema americano ao longo dos tempos, incluindo a ênfase nos pais e mentores como nossos heróis de carne e osso, algo que ganha força neste filme porque “Ultimato” significa o fim de um ciclo, uma virada de página, uma passagem para a próxima geração. Ou seja, uma jogada perfeita dos irmãos Russo e a razão pela qual é um filme movido pela catarse. Entretanto, a descrença e a lógica devem ficar do lado de fora do cinema, porque o filme é propositalmente confuso e talvez nem faça o menor sentido. São as emoções que fazem a trama fluir, não a história, que derrapa a cada tentativa de se ligar os pontos durante a projeção. O filme faz ainda menos sentido para quem não viu os 21 lançamentos anteriores da Marvel. Diferente de “Guerra Infinita”, que situa até mesmo os leigos na busca pelas Joias, é preciso conhecer a saga (ou a maior parte dela) para embarcar de cabeça em “Ultimato”. Na verdade, é um milagre que tudo se encaixe em “Vingadores: Ultimato”, e isso é mérito da direção dos irmãos Russo – aumentando a curiosidade sobre o que eles podem fazer fora desse universo. Eles conseguem tornar o drama tão intenso quanto a ação – e até o humor. Ao final, tudo funciona, dando maior sentido, inclusive, aos filmes que o precederam. Mais que um filme, temos um evento. O cinema não precisa ser sempre, mas pode ser divertido quando encarado como espetáculo. Ou seja, é possível ficar encantando sem se deparar com um Martin Scorsese, Stanley Kubrick ou Federico Fellini. O filme é grandioso não só pela longa duração (você cortaria qualquer cena das 3 horas?), mas pela escala que direciona os eventos para uma batalha final gigantesca que aproveita a tela inteira do cinema para se manifestar. E é incrível notar, durante o conflito, o quanto a trilogia “O Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson, influenciou o cinema das duas últimas décadas. “Vingadores: Ultimato” gera uma comparação imediata com “O Retorno do Rei” em termos de ato final, despedidas, escopo da ação e o quanto as cenas grandiosas são do mesmo tamanho dos dilemas, motivações e laços entre os personagens. E é por isso que é tão dolorido dizer adeus para essa fase da Marvel. Às vezes é isso que conta: entregue um final emocionante e o público esquecerá qualquer furo e todo o resto. E que final, pessoal! É apoteótico, com toneladas de CGI, mas os atores não são esquecidos. Pelo contrário, eles são bastante valorizados. Se a maioria do elenco não teve momentos para brilhar em “Guerra Infinita”, “Ultimato” dá esse espaço a eles. E é incrível como todos evoluíram nos últimos 11 anos, especialmente Chris Hemsworth (Thor), Scarlett Johansson (Natasha/Viúva Negra) e Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), porque Robert Downey Jr já era um monstro quando essa brincadeira começou. “Vingadores: Ultimato” também é um agradecimento da Marvel a Downey e uma declaração de amor ao Homem de Ferro. Com o filme, a Marvel se torna definitivamente referência para o cinema de entretenimento e os Vingadores se torna a franquia mais influente de Hollywood neste século. Será difícil a Marvel superar esse feito, mas a tarefa é ainda mais árdua para a concorrência, que terá que apresentar algo tão ou mais relevante daqui para frente.
Sobibor recria com realismo levante histórico da 2ª Guerra Mundial
Sobibor foi um campo de concentração conduzido pela Alemanha nazista na Polônia, nos anos de 1942 e 1943, que chegou a exterminar cerca de 250 mil prisioneiros judeus, de diversas nacionalidades. Entre eles, os russos. Foi um prisioneiro de guerra soviético, o oficial Alexander Pechersky, que conseguiu realizar o impensável: organizar um motim de detentos que assassinou os 12 principais comandantes alemães do campo e resultou numa fuga em massa, de 300 pessoas, na única ação desse tipo bem sucedida durante toda a 2ª Guerra Mundial. Ainda que muitos dos fugitivos tenham sido mais tarde capturados e mortos, foi um feito e tanto. Os compatriotas de Pechersky que sobreviveram engrossaram as linhas defensivas russas na guerra. Não surpreende que Alexander Pechersky tenha se tornado um grande herói russo, postumamente premiado com a Ordem de Bravura, e que hoje é celebrado nos livros escolares de História, dá nome a uma Fundação, teve um busto inaugurado em 2017, uma exposição no Museu da Vitória e inspirou vários livros publicados sobre os fatos. Um poema “Luca“ dedicado à rebelião deu origem a uma campanha internacional de resgate dessa memória e dos atos corajosos, heroicos, de todo o grupo comandado por Pechersky. Uma ação que conseguiu ser realizada apesar do estrito controle de uma prisão tenebrosa, envolvendo diferentes idiomas. Neste filme russo “Sobibor”, de 2018, dedicado ao 75º aniversário da rebelião no campo de concentração nazista, o elenco representa essa diversidade de línguas – os personagens falam russo, alemão, polonês, holandês e iídiche. Um trabalho de peso, em busca da autenticidade, que exigiu bastante do diretor e também protagonista do filme, Konstantin Khabenskiy – que estreia como diretor de longas. O processo de criação e reconstrução desse episódio foi especialmente complicado, apesar da existência de objetos, fotos, informações escritas e outras. Sobibor foi inteiramente destruído, para que nada de sua estrutura física restasse, e o terreno recebeu o plantio de muitas árvores. O filme consegue recuperar essa estrutura física histórica, o que é importante para que o espectador tenha a dimensão dos fatos nos espaços correspondentes. Direção de arte, fotografia e um elenco talentoso dão à produção grande sustentação. “Sobibor” é eficiente, ao mostrar o cotidiano, a realidade do campo de extermínio, os sentimentos dos personagens, e alcança bom resultado em termos de ação e suspense, ao mostrar como a revolta se formou e se desenvolveu. A questão do heroísmo numa luta para combater o mal escapa ao clichê, na medida em que o nazismo conseguiu ser pior do que a mais cruel das ficções poderia imaginar. Assim, esse movimento político de extrema direita, variante requintada do fascismo, acabou virando a própria representação desse mal. Os que conseguiram combatê-lo e vencê-lo, ainda que parcialmente, certamente merecem a designação de heróis. O filme foi baseado no livro “Alexander Pechersky: Breakthrough to Imortality”, de Ilya Vasilyev, que inclui as memórias de Pechersky e o poema “Luca”, de Mark Geylikman. O autor é chefe da Fundação Pechersky e produtor criativo do filme. Apesar de o assunto ser pouco conhecido e difundido internacionalmente, “Sobibor” não é o primeiro filme sobre o tema. Em 1987, Rutger Hauer protagonizou o telefilme britânico–iugoslavo “Fuga de Sobibor”, que chegou ao mercado internacional em DVD. Agora, com “Sobibor” tendo representado a Rússia na disputa do Oscar de filme estrangeiro, a história conquista uma parcela do público mundial mais expressiva.
Clint Eastwood vira cowboy do asfalto em A Mula
Clint Eastwood construiu boa parte da sua carreira em cima da figura do cowboy solitário. Filmes como a trilogia dos dólares ajudaram a estabelecer essa aura em torno do ator. Embora o gênero de western tenha passado por um revisionismo, do qual o próprio Eastwood participou – com o ótimo “Os Imperdoáveis” –, a iconografia do cowboy permanece no nosso imaginário até hoje. Em “A Mula”, seu mais recente trabalho como ator e diretor, Clint Eastwood oferece uma nova revisão do gênero, removendo o vaqueiro do velho oeste e colocando-o nas estradas asfaltadas. Escrito por Nick Schenk (de “Gran Torino”) com base numa história real, o roteiro acompanha Earl (Eastwood), um florista veterano cuja vida foi gasta na estrada, vendendo seus produtos para clientes regulares e participando de convenções, das quais normalmente sai premiado. Earl se sente à vontade nesses ambientes. Ele caminha sorridente pelos corredores, conversa com todo mundo e todos querem conversar com ele. E no bar, é ele quem paga as bebidas. Em contrapartida, sua família precisou se acostumar com a sua ausência. Ele perdeu aniversários, casamentos e outros eventos importantes. Criou um ressentimento grande em todos os seus familiares, com exceção da neta Ginny (Taissa Farmiga), a única com quem ainda mantém contato. Como um tubarão, Earl precisa se manter em constante movimento. E enxerga a família como uma ancora cujo único intuito é mantê-lo em um único lugar, matando-o aos poucos. As semelhanças entre o protagonista de “A Mula” e os demais personagens interpretados por Eastwood são visíveis. Tanto os vaqueiros durões do velho oeste quanto o florista idoso buscam a solidão. E assim como aconteceu com o cowboy quando a lei chegou ao Oeste, não há mais lugar para este florista analógico em um mundo digital. Tudo muda quando um conhecido da sua neta lhe faz uma proposta. Interessado no fato de Earl nunca ter tido uma multa, o sujeito lhe indica alguém disposto a pagá-lo apenas para dirigir. Mais especificamente, para transportar grandes carregamentos de drogas. Da mesma maneira como o cowboy cansado das matanças não hesitava em puxar o gatilho mais uma vez, o florista não pensa duas vezes antes de entrar na sua camionete e pegar a estrada, usando a necessidade de sustentar a família como justificativa para tal. Sua real motivação, porém, é outra. Antes afundado em dívidas e despejado da sua casa, ele encontra no transporte de drogas uma forma de retomar a sua antiga glória. Torna-se uma mula para o cartel, e toma gosto por isso. Agora, Earl recebe agradecimentos por ter reformado o salão de festas da sua comunidade, e pode pagar pelo casamento e pelos estudos da neta. Mantém-se, portanto, a alcunha do sujeito heroico que salva a cidade e cavalga em direção ao pôr-do-sol. A imensidão desértica do velho oeste é substituída por uma estrada reta e asfaltada. Embora Earl faça caminhos diferentes, a jornada sempre converge ao mesmo local (um hotel onde ele entrega sua encomenda e recebe o pagamento). A rotina da mula é repetitiva, assim como a do cowboy. Mas o cowboy era jovem. E a mula é velha. Por mais que tente arrancar resquícios de virilidade de seu personagem (colocando-o a participar não de um, mas de dois ménage a trois), Eastwood encarna bem a figura do velhinho simpático e supostamente alheio ao seu entorno. Algumas mudanças na sua personalidade, porém, são bem-vindas. Agora, ele acolhe os estrangeiros, em vez de enfrenta-los. Até trabalha para um. E mesmo apresentando sinais de racismo, mostra-se disposto a aprender e a mudar. O mesmo não pode ser dito dos policiais. Estes continuam a propagar os estereótipos, parando apenas as pessoas que eles consideravam mais suspeitas, ou seja, imigrantes e minorias. Por ser alguém acima de qualquer suspeita, Earl viaja tranquilamente. Eastwood procura manter a câmera próxima de si na maior parte do tempo, causando uma cumplicidade entre público e protagonista. Sua atuação, aliás, é o ponto alto do filme. De resto, o longa é bastante esquemático na sua execução. Há pouco desenvolvimento dos personagens coadjuvantes. Estes funcionam única e exclusivamente em função do protagonista (o agente interpretado por Bradley Cooper chega a mencionar a esposa em certo momento, mas esta nunca aparece). O roteiro também aposta em muitas coincidências para movimentar a trama, como o fato de Earl ter desviado do caminho justo quando a polícia o esperava. Apesar dos problemas, a mensagem fica intacta: nunca é tarde demais para aprender com seus erros e mudar. Este é o ensinamento trazido pela maturidade de Eastwood. E é a diferença entre Earl, o cowboy do asfalto, e os outros personagens do passado do ator/cineasta Clint Eastwood.












