Netflix negocia se juntar a Hollywood na Associação de Cinema dos EUA



A Netflix está em negociações avançadas para se tornar membro da Associação de Cinema dos EUA (Motion Picture Association of America, conhecida pela sigla MPAA), entidade de comércio e lobby que representa os seis principais estúdios de Hollywood.

A movimentação foi noticiada pelo site americano Politico Pro e confirmada pelas publicações especializadas na indústria cinematográfica. E acontece após a empresa de streaming conseguir 15 indicações ao Oscar 2019, superando os estúdios tradicionais.

A decisão sobre a filiação pode representar uma guinada, já que seria a primeira vez na história que uma empresa de tecnologia se tornaria membro da MPAA.

O chefe da Netflix, Reed Hastings, e o diretor de conteúdo, Ted Sarandos, estão empenhados em elevar o perfil da empresa como uma força legítima no setor cinematográfico, e a adesão à MPAA cumpriria esse objetivo.

Além disso, assim que a Fox for fundida com a Disney, a MPAA terá um membro a menos, o que significa uma perda financeira de até US$ 12 milhões em contribuições anuais.



Fontes ouvidas pela revista The Hollywood Reporter dizem que a MPAA está cortejando outros novos membros com o mesmo perfil, citando a Amazon como candidata em potencial.

A Netflix e a MPAA já trabalharam juntos em campanhas de proteção de direitos autorais, uma prioridade para os estúdios de Hollywood e também para a empresa de streaming, que consideram a pirataria um inimigo em comum.

No entanto, a filiação da Netflix na MPAA tem potencial para irritar os proprietários de cinemas, já que a empresa é contra a manutenção das janelas de exibição tradicionais – janelas são o período de tempo que separa o lançamento de um filme no cinema da sua disponibilização em streaming ou vídeo.

A MPAA e a Associação Nacional de Proprietários de Cinema administram em conjunto o sistema de classificação etária dos filmes lançados nos Estados Unidos.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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