Ator de Cidade de Deus vira motorista de Uber e descoberta viraliza



Uma usuária do aplicativo de transportes Uber foi surpreendida ao utilizar o serviço na última quarta-feira (12/12) e se deparar com um motorista conhecido.

Giovanna Mazzaferro, de 19 anos, publicou no Twitter uma foto com o motorista. Ninguém menos que ator Alexandre Rodrigues, que viveu o personagem Buscapé em “Cidade de Deus” (2002).

Para quem não lembra, Buscapé era um dos protagonistas do longa de Fernando Meirelles, que se torna fotógrafo e registra as imagens do traficante Zé Pequeno.

“Mano! acabei de pegar um Uber com o Buscapé de ‘Cidade de Deus’”, escreveu Giovanna e a publicação viralizou.

Após ultrapassar os 25 mil comentários, a nova profissão de Alexandre Rodrigues virou assunto na imprensa.

Em entrevista para o jornal O Globo, ele comentou que sempre tira fotos com os passageiros que o reconhecem, mas não imaginava que alguma pudesse ter tanta repercussão. “Costumo dizer que nem a novela teve essa repercussão toda. O Brasil inteiro ficou assim por causa de uma foto que eu tirei porque estou na Uber”, disse o artista, que também trabalhou na novela “O Outro Lado do Paraíso”, da Globo.

Alexandre Rodrigues contou que não dá para sobreviver apenas como artista no Brasil, apesar do sucesso de “Cidade de Deus” dentro e fora do país – foi indicado a quatro Oscars em 2004. Por isso, decidiu dirigir para o aplicativo e tem conseguido sustentar a família com nove horas dirigindo por São Paulo, cidade onde mora há três anos.

“Se eu tivesse alguma peça de teatro para poder dirigir, eu iria, mas só me sobrou o carro para dirigir”, brincou o ator.

O ator pretende mostrar um pouco de sua rotina como motorista de aplicativo em suas redes sociais e valoriza seu trabalho honesto enquanto não se firma na carreira artística em São Paulo. Apesar disso, tem conseguido testes de personagens, o que tem deixado Alexandre esperançoso.


“Eu, como um cidadão normal, procuro trabalhar e sustentar minha casa da forma mais digna possível. Como não estava aparecendo trabalho dentro da minha profissão, no que eu estudei para poder fazer minha vida quase toda, precisei fazer Uber, né? Fazer o quê. Preciso trabalhar. Quantos cidadãos, engenheiros, médicos, perdendo seus trabalhos e estão dirigindo dignamente no aplicativo? É uma coisa, para mim, muito simples”, afirmou.

A história de Alexandre lembra o recente caso do americano Geoffrey Owens, que foi descoberto trabalhando como caixa de supermercado em setembro passado. Entretanto, a repercussão do caso foi bem diferente, já que começou como uma tentativa de humilhação do ator, perpetrada pela rede de notícias Fox News, o jornal Daily Mail e sites de fofoca. Conhecido pelo papel de Elvin Tibideaux, o marido da filha mais velha de Bill Cosby na série “The Cosby Show” entre 1985 e 1992, Owens foi ridicularizado por aparecer num uniforme sujo, atendendo clientes num mercadinho de Nova Jersey.

Mas a cobertura causou comoção nacional. Após a notícia viralizar em sites de fofoca, diversos artistas famosos manifestaram-se em solidariedade a Owens e em protesto contra um novo tipo de bullying: “humilhação de trabalhador”. Detalhe: para aumentar o equívoco de julgamento, a reportagem foi ao ar na semana do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

O final dessa história foi que Owens recebeu diversas ofertas de trabalhos em séries e filmes.

Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos de Alexandre.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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