O Predador tem estreia anêmica, mas supera A Freira na América do Norte



Quem estava esfregando as mãos para escrever que “O Predador” massacrou a concorrência em sua estreia na América do Norte ficou com câimbras. O filme abriu em 1º lugar, mas sem mostrar os dentes. Fez anêmicos US$ 24m (milhões), bilheteria de terror barato, que não corresponde ao investimento de US$ 88m da Fox em sua produção nem à distribuição em mais de 4 mil salas.

Para se ter ideia, o valor é US$ 700 mil mais baixo que a abertura do filme anterior da franquia, “Predadores”, há oito anos.

O lançamento teve que lidar, na véspera da estreia, com a publicidade negativa trazida à tona pela atriz Olivia Munn, que denunciou ter contracenado com um pedófilo condenado numa cena, posteriormente cortada pelo estúdio. O amigo obscuro do diretor Shane Black apareceu até em “Homem de Ferro 3” sem que ninguém percebesse de quem se tratava.

Isto também pode ter influenciado o tom negativo nas críticas da imprensa norte-americanas. Conforme a história de pânico nos bastidores foi crescendo, pior foi se tornando a avaliação registrada no site Rotten Tomatoes. De 41% de aprovação na quinta, o filme fechou o domingo com apenas 34%. E não passou de mediano na opinião do público, com uma nota C+ na pesquisa do CinemaScore, compilada com os espectadores da estreia.

Mas Chris Aronson, diretor de distribuição doméstica da Fox, disse à revista Variety que o escândalo não teria influenciado os números de bilheteria do fim de semana. “Eu não acho que isso dissuadiu quem estava pensando em ir. Acho que teve um impacto mínimo, se é que teve algum”, afirmou.

E talvez ele tenha razão. Mais distante das notícias de Hollywood, o mercado internacional poderia representar uma salvação para a contabilidade do estúdio, mas qualquer esperança se desfez diante dos US$ 30,7m arrecadados em 72 mercados diferentes. O fraco desempenho evidencia que o fiasco foi global.

Ao todo, o filme atingiu US$ 54,7m de bilheteria mundial, e como seu break even é de cerca de US$ 300m, já projeta prejuízo.

O horroroso “A Freira” caiu para o 2º lugar com US$ 18m em seu segundo fim de semana em cartaz, mas fez mais que “O Predador” no exterior, US$ 33,1m em 62 países. O total mundial do longa, que foi filmado por US$ 22m, já está em US$ 228,6m, marcando um novo sucesso do universo barato de “Invocação do Mal”.

O detalhe é que se “O Predador” teve desempenho abaixo das expectativas, as demais estreias da semana beiraram o abismo. A comédia de suspense “Um Pequeno Favor”, estrelada por Anna Kendrick e Blake Lively, estreou com apenas US$ 16m, a 3ª maior arrecadação, num lançamento em 3,1 mil salas. E “White Boy Rick”, com Matthew McConaughey, fez pouco mais da metade disso, US$ 8,8m, em 4º lugar.

Os críticos também valorizaram mais o suspense de humor feminino, com 86% de aprovação, contra o drama criminal masculino, cotado em 64%. Mas “Um Pequeno Favor” assinalou uma marca negativa na carreira do diretor Paul Feig, como a segunda pior bilheteria de estreia ampla de sua carreira, superada apenas pelos US$ 5m de “Menores Desacompanhados” em 2005, antes dele virar um cineasta de comédias bem-sucedidas estreladas por Melissa McCarthy. “Um Pequeno Favor” também é seu primeiro filme sem a atriz desde “Missão Madrinha de Casamento” em 2011.

O filme chega ao Brasil em 27 de setembro, enquanto “White Boy Rick” tem lançamento nacional marcado apenas para janeiro de 2019.

Por fim, “Unbroken: Path to Redemption”, produção do estúdio de filmes evangélicos Pureflix, abriu em 9º com US$ 2,3m. O filme é uma continuação não oficial e de baixo orçamento do épico “Invencível” (2014), dirigido por Angelina Jolie, que conta o que aconteceu com Louis Zamperini após sair do campo de concentração japonês. Sem guerra, olimpíada e história edificante de superação, o filme narra apenas sua conversão cristã e recebeu a pior nota da semana, 25% de “aprovação” no Rotten Tomatoes. Sem previsão para o Brasil.



Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção.

BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte

1. O Predador
Fim de semana: US$ 24m
Total EUA e Canadá: 24m
Total Mundo: US$ 54,7m

2. A Freira
Fim de semana: US$ 18,2m
Total EUA e Canadá: US$ 85m
Total Mundo: US$ 228,6m

3. Um Pequeno Favor
Fim de semana: US$ 16m
Total EUA e Canadá: US$ 16m
Total Mundo: US$ 19,5m

4. White Boy Rick
Fim de semana: US$ 8,8m
Total EUA e Canadá: US$ 8,8m
Total Mundo: US$ 8,8m

5. Podres de Ricos
Fim de semana: US$ 8,7m
Total EUA e Canadá: US$ 149,5m
Total Mundo: US$ 187,4m

6. A Justiceira
Fim de semana: US$ 6m
Total EUA e Canadá: US$ 24,2m
Total Mundo: US$ 25,6m

7. Megatubarão
Fim de semana: US$ 3,8m
Total EUA e Canadá: US$ 137m
Total Mundo: US$ 505,2m

8. Buscando…
Fim de semana: US$ 3,2m
Total EUA e Canadá: US$ 19,6m
Total Mundo: US$ 45,8m

9. Unbroken: Path to Redemption
Fim de semana: US$ 2,3m
Total EUA e Canadá: US$ 2,3m
Total Mundo: US$ 2,3m

10. Missão: Impossível – Efeito Fallout
Fim de semana: US$ 2,3m
Total EUA e Canadá: US$ 216,1m
Total Mundo: US$ 760,9m


Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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