YouTuber Júlio Cocielo perde patrocínios após repercussão de tuíte racista



O YouTuber Júlio Cocielo, um dos mais populares representantes de sua geração, perdeu a maioria dos patrocinadores após um tuíte considerado racista no fim de semana. Ao mencionar o veloz craque francês de 19 anos Kylian Mbappé, ele escreveu: “Mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia hein.”

O tuíte foi ao ar no sábado (30/1), causou repulsa generalizada e foi apagado logo em seguida, junto com um impressionante número de outros tuítes ofensivos de Cocielo – nada menos que 50 mil. A explicação para tantos “comentários infelizes” foi que na época “tinham uma interpretação totalmente diferente de hoje, um momento delicado”. A íntegra de seu comunicado pode ser lida abaixo.

Exemplos do que Cocielo achava que tinha “uma interpretação totalmente diferente de hoje” incluem um tuíte de 2013, em que ele escreveu: “Gritei vai macaca pela janela e a vizinha negra bateu no portão de casa pra me dar bronca”.

Outro comentário do mesmo ano abordava justamente esse tipo de problema com uma solução exemplar: “O Brasil seria mais lindo se não houvesse frescura com piadas racistas. Mas já que é proibido, a única solução é exterminar os negros”.

O momento é realmente delicado para manifestações racistas, que deixam de valer a pena para os comediantes quando empresas de peso buscam estabelecer exemplos de responsabilidade social. Como a rede americana ABC, que decidiu cancelar “Roseanne”, sua série de maior audiência, justamente devido a um tuíte racista da protagonista e criadora da atração, a comediante Roseanne Barr.

No caso de Cocielo, o comediante se viu pressionado por seus patrocinadores – empresas como Adidas, McDonald’s e Coca-Cola, patrocinadoras oficiais da Fifa, além de Submarino, Itaú, Tic-Tac e Foster. Algumas dessas empresas emitiram comunicados oficiais.

A Adidas afirmou que, por repudiar “todo e qualquer tipo de discriminação, decidiu suspender a parceria com o youtuber Júlio Cocielo”. A Coca-Cola afirmou que não pretende ter mais ligação com Cocielo e completou: “O respeito à diversidade é um dos principais valores da nossa companhia, em nossas campanhas celebramos as diferenças e promovemos a união. Manifestações preconceituosas não são toleradas. Repudiamos qualquer forma de racismo, machismo, misoginia ou homofobia”. O site Submarino também afirmou que “repudia veementemente qualquer manifestação racista e que tomará as providências necessárias”. E o Itaú, que exibiu até sábado um vídeo para a Copa com Cocielo, comunicou que o youtuber “não faz mais parte” de qualquer ação publicitária” e “repudia toda e qualquer forma de discriminação e preconceito. Esperamos que o respeito à diversidade sempre prevaleça”. Além disso, o banco também tirou do ar a peça publicitária com o YouTuber.



O jovem que dava seus primeiros passos como ator, após estrelar “Internet – O Filme” e “Os Penetras 2” no ano passado, acabou virando a maior vítima de si mesmo. Mas vale lembrar que não foi o primeiro YouTuber a revoltar o público com piadas irresponsáveis. O mais popular de todos, Whindersson Nunes, também causou com piadas machistas, ao desdenhar uma campanha feminista em vídeo de 2014 e num tuíte, que descreveu estupro como “uma palavra muito forte, vamos chamar de sexo sem aviso prévio”.

Veja a íntegra do post que originou a polêmica e aquele em que Júlio Cocielo se desculpa:



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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