Diretor argentino defende-se da acusação de fazer pornografia infantil para a Netflix


Incluído no catálogo da Netflix, o suspense sexual argentino “Desejarás o Noivo da Sua Irmã” precisou ser defendido por seu diretor, após causar polêmica entre o público conservador dos Estados Unidos. Alguns espectadores acusaram a produção de veicular pornografia infantil, por conta de sua primeira cena.

A sequência que provocou reações envolve uma adolescente experimentando um orgasmo de forma inconsciente, depois de assistir a um filme de cowboy de John Ford com uma amiga e usar uma almofada entre as pernas para fingir andar a cavalo – o que vira um ato de masturbação. Sua irmã, que observou a “brincadeira”, interpreta que ela simplesmente “passou mal”.

A comentarista conservadora Megan Fox escreveu um post no blog da PJ Media dizendo que ela havia reportado a Netflix ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas. “A Netflix está violando a lei com a distribuição de pornografia infantil, porque a criança em questão está claramente envolvida no ato sexual da masturbação”, escreveu ela, “e isso excede o requisito mínimo de ser meramente sugestivo”.

Os grupos de pressão conservadores têm usado as redes sociais para pedir à Netflix que tire o filme de seu catálogo e ameaçando boicotar o serviço de streaming caso isso não aconteça.

Diante da polêmica, o diretor Diego Kaplan divulgou um comunicado defendendo seu suspense e contestando a categorização. Ele ainda disse ao site Indiewire que as filmagens das cenas foram feitas “sob a cuidadosa vigilância das mães das meninas” e nenhuma das garotas estava ciente do que elas estavam representando. Elas foram apenas orientadas a imitar o caubói. E há filmagens dos bastidores para comprovar.

Para completar, a garota está vestida durante toda a cena e a insinuação do orgasmo é obtida por meio de artifícios como câmera lenta e closes no rosto ofegante da garotinha. Para ele, a polêmica está apenas na cabeça de certos espectadores, que veem o que querem ver, dependendo do “seu nível de depravação” – palavras do diretor.



O filme foi lançado na Argentina em 2017, sob o título original “Desearás Al Hombre de Tu Hermana”, e chegou ao catálogo internacional da Netflix em dezembro, com classificação indicativa de 18 anos. Como de costume, a companhia não se posicionou sobre a controvérsia.

Esta não é a primeira vez que a Netflix sofre ataques de grupos conservadores. Outros militantes norte-americanos da moral e dos bons costumes fizeram a mesma ameaça de boicote contra o serviço por causa da série “13 Reasons Why” e até a animação brasileira, ainda inédita, “Super Drags”. A plataforma também enfrentou grupos políticos em vários países por conta de sua programação internacional, como petistas que apelaram ao mesmo pedido de boicote da direita por conta da série “O Mecanismo”. Em todos os casos, a Netflix capitalizou as polêmicas como propagandas de seus produtos e aumentou ainda mais sua audiência, sem ceder às pressões.

Confira abaixo a íntegra do comunicado do diretor Diego Kaplan:

“‘Desejarás o Noivo da Sua Irmã’ é um filme. Quando você vê um tubarão devorando uma mulher em um filme, ninguém pensa que a mulher realmente morreu ou que o tubarão era real. Nós trabalhamos com um mundo de ficção; e, para mim, antes de ser um diretor, eu sou um pai.

É claro que a cena do filme foi gravada usando um truque, no qual as meninas estavam copiando uma cena de caubói de um filme de John Ford. Elas nunca entenderam o que estavam fazendo, elas simplesmente copiaram o que viram na tela. Nenhum adulto interagiu com as meninas além do diretor de atuação infantil. Tudo foi feito sob a vigilância cuidadosa das mães das meninas. Como eu sabia que a cena poderia causar certa polêmica, existe uma gravação dos bastidores da filmagem de toda a cena.

Tudo acontece dentro da cabeça do espectador, e como você acha que a cena foi filmada vai depender do seu nível de depravação.”


Pedro Prado é cinéfilo, fã de séries e quadrinhos, fotógrafo amador e bom amigo da vizinhança.



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