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Série|23 de maio de 2018

Damon Lindelof anuncia atores de Watchmen e promete série diferente dos quadrinhos

O roteirista-produtor Damon Lindelof anunciou nas redes sociais os primeiros atores da série baseada em “Watchmen”, quadrinhos de Alan Moore e Dave Gibbons que marcaram a história da DC Comics por ocasião de sua publicação em 1986.

O elenco inclui Regina King (série “American Crime”), Don Johnson (“Do Jeito que Elas Querem”), Tim Blake Nelson (“Colossal”), Louis Gossett Jr. (série “Extant”), Andrew Howard (série “Bates Motel”) e Adelaide Clemens (“O Grande Gatsby”).

Seus personagens não foram divulgados, mas chama atenção a idade avançada dos escolhidos. À exceção da australiana Adelaide Clemens, de 29 anos, trata-se de uma relação de atores de meia ou terceira idade – que vai dos 47 de Regina King aos 82 de Louis Gossett Jr. Regina, inclusive, foi apontada como protagonista.

Caso a série decidisse ser fiel aos quadrinhos, poderia-se imaginar que a lista inclui intérpretes dos Minutemen, o grupo de heróis veteranos dos anos 1940.

Mas o criador da atração também usou as redes sociais para dizer que a série não será fiel.

Num longo post, de cinco páginas de papel ofício, ele decidiu explicar o que pretende com a produção, mas a seu modo, sem explicar absolutamente nada. Num texto similar a seus roteiros, escreveu uma porção de generalizações que apontam um fio de ideia, embrulhada em intenções tão misteriosas quanto as tramas de “Lost” e “The Leftovers”, de sua autoria – e que não foram totalmente esclarecidas até hoje.

“Não temos a intenção de ‘adaptar’ as doze edições que os senhores Moore e Gibbons criaram 30 anos atrás”, escreveu Lindelof, em suma. “Essas edições são terreno sagrado e não serão retrabalhadas, nem recriadas, nem reproduzidas e nem reiniciadas.”

Os personagens serão, inclusive, inéditos. Mas, então, porque a série não se chama Chicomen ou Chicawomen? Ele introduz o tema, justificando o uso de “Watchmen”. Aprofunda, sem sair da superfície, a relação com o material original.

“Os doze volumes originais são como o nosso Velho Testamento. Quando o Novo Testamento chegou, não anulou o que veio antes. Criação. O Jardim do Éden. Abraão e Isaac. O Dilúvio. Tudo isso aconteceu – e assim será com ‘Watchmen’. O Comediante morreu. Dan e Laurie se apaixonaram. Ozymandias salvou o mundo e o Dr. Manhattan o deixou após explodir Rorschach em pedaços no frio gélido da Antártica”, escreveu.

Ou seja, a série será uma continuação dos quadrinhos e, portanto, também do filme feito por Zack Snyder em 2009. Certo? Só que não.

“Também não estamos fazendo uma ‘continuação’. A história será ambientada no mundo que seus criadores construíram com tanto sofrimento… mas na tradição do trabalho que os inspirou, a nova história deve ser original. Tem que vibrar na imprevisibilidade de suas próprias placas tectônicas. Deve fazer novos questionamentos e explorar o mundo com novas perspectivas. Mais importante, deve ser contemporânea”.

Ou seja, não é uma continuação, mas é uma história original contemporânea passada após os eventos dos quadrinhos. Em outras palavras, a definição básica do que é uma “continuação” – o que demonstra que seu texto faz tanto sentido quanto o final de “Lost”.

A palavra “contemporânea”, entretanto, preocupa. Seria uma trama ambientada no século 21? Os quadrinhos publicados nos anos 1980 abordavam a história alternativa do mundo, após a vitória dos Estados Unidos na guerra do Vietnã. O filme manteve a cronologia. E a série?

Será que a ideia é exibir uma nova geração de heróis, após o que houve nos anos 1980? Ou transportar a história dos Minutemen para os anos 1980 e mostrar a trama original dos Watchmen nos dias de hoje?

“Alguns dos personagens serão desconhecidos”, escreveu Lindelof, sugerindo a primeira hipótese. “Novas caras. Novas máscaras para cobri-las”.

Ao final, ele sugere que a trama pode realmente se passar nos dias atuais, mas conter flashbacks para o passado, provavelmente para os anos 1980, por meio de personagens familiares. “Nós também queremos revisitar o século passado de aventuras mascaradas por meio de um surpreendente, ainda que familiar, par de olhares… e é aqui que vamos assumir nossos maiores riscos.”

Pelo texto, Lindelof parece surgir que sua abordagem de “Watchmen” é análoga ao que fez Alan Moore, posicionando a trama no presente e trazendo flashes da história passada. No caso de Moore, o passado era representado pelos Minutemen dos anos 1940. No caso de Lindelof, o passado pode ser os Watchmen dos anos 1980.

Caso seja realmente isso, não deixa de ser uma forma criativa de lidar com a franquia, capaz de combinar reverência com evolução.

Vale reparar, ainda, que o elenco contém dois atores negros. Nos quadrinhos e nos filmes, todos os personagens centrais são brancos. Uma mudança étnica seria uma forma de entender a frase que inclui a palavra “surpreendente” no contexto da familiaridade de um par de olhares supostamente conhecido, cuja escalação pode representar os riscos aludidos.

No fim do texto, Lindelof se dirige diretamente aos fãs: “Eu me importo profundamente com o que você pensa. (…) Então, espero que essa não seja a nossa última conversa, queridos fãs. Afinal de contas, é apenas um piloto e é melhor não nos precipitarmos”.

Veja a íntegra abaixo, além do post com os integrantes do elenco.

Day 140.

Uma publicação compartilhada por Damon (@damonlindelof) em 22 de Mai, 2018 às 11:00 PDT

New faces. New masks to cover them. And more to come…

Uma publicação compartilhada por Damon (@damonlindelof) em 23 de Mai, 2018 às 1:33 PDT

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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