Hap & Leonard é cancelada após a 3ª temporada
O canal pago americano Sundance TV cancelou “Hap & Leonard”, após três temporadas. A adaptação televisiva dos livros de Joe R. Lansdale era sucesso de crítica e uma das melhores audiências do canal. O próprio Lansdale e o produtor John Wirth anunciaram o cancelamento no Twitter, sem explicar o que levou o canal a interromper a produção. A série foi criada pelo diretor Jim Mickle e o roteirista Nick Damici, responsáveis pelo terror “Somos o que Somos” (2013), e adapta a coleção literária homônima, iniciada em 1990 por Landsdale (que foi roteirista da série animada do “Batman”). Vale lembrar que a mais recente parceria da dupla foi o suspense “Julho Sangrento” (2014), que por sinal também é uma adaptação de livro de Landsdale. Passada nos anos 1980, “Hap and Leonard” girava em torno da improvável amizade entre Hap Collins (James Purefoy, da série “The Following”), um homem branco da classe operária que é enviado para a prisão por se recusar a prestar o serviço militar, e Leonard Pine (Michael Kenneth Williams, de “Boardwalk Empire”), um gay negro e veterano da guerra do Vietnã com problemas para controlar sua raiva. Ambos são experts em artes marciais e se unem para solucionar crimes brutais na cidade fictícia de LaBorde, no Texas. Cada temporada da série adaptou um livro diferente de Landsdale – “Mucho Mojo”, “Savage Season” e “The Two-Bear Mambo”, respectivamente. A 3ª temporada tinha 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes e exibiu seu último episódio em 11 de abril diante de 174 mil telespectadores ao vivo. Parece pouco, mas é mais que os 149 mil que acompanharam o final de “Rectify”, a série de maior repercussão do Sundance TV, que durou cinco temporadas nos Estados Unidos.
Spin-off de Pretty Little Liars ganha fotos e o primeiro trailer
O canal pago Freeform divulgou duas imagens e o primeiro trailer de “Pretty Little Liars: The Perfectionists”, título oficial do novo spin-off de “Pretty Little Liars”. A prévia enfatiza a participação de Sasha Pieterse e Janel Parrish, intérpretes de Alison DiLaurentis e Mona Vanderwaal, enquanto introduz rapidamente os novos personagens e o mistério da atração, que novamente girará em torno de um “quem matou?”. O projeto foi desenvolvido por I. Marlene King, criadora de “Pretty Little Liars”, e tem inspiração em outro livro de Sara Shepard, autora de “Maldosas – Pretty Little Liars”, que foi adaptada na série original. Trata-se de “As Perfeccionistas”, que ganhará mudanças para integrar Alison e Mona na trama, já que o livro não tem relação com as personagens de “Pretty Little Liars”. A história se passa em outra cidadezinha fictícia, Beacon Heights, em Washington, onde cinco amigas frequentam o último ano do ensino médio. Enquanto planejam seu futuro e lidam com suas próprias questões pessoais e familiares, elas descobrem que não precisam ser boas para serem perfeitas, além de perceber que odeiam o mesmo garoto, o rico e convencido Nolan. Mas quando Nolan aparece morto, exatamente do jeito que brincaram que aconteceria, elas precisarão provar que não são culpadas, enquanto suas vidas – e segredos – desmoronam ao seu redor. Uma das fotos abaixo apresenta Sofia Carson (a Evie de “Descendentes”) como Ava, Sydney Park (Cyndie em “The Walking Dead”) como Caitlin e o novato Eli Brown como Dylan. Pelo que indica a prévia, Alison e Mona entram nesta história como professoras. Só não está claro o que isso significa para o final feliz de Alison e Emily (Shay Mitchell) na série original, sem esquecer das bebês gêmeas! Vale lembrar que “Pretty Little Liars” já teve um spin-off, mas não deu muito certo. Em 2013, King lançou “Ravenswood”, que era focada em Caleb (Tyler Blackburn) e suas conexões sobrenaturais com a cidade fictícia de Ravenswood. A série teve apenas 10 episódios e Caleb acabou voltando para Rosewood, a cidade onde se passava “Pretty Little Liars”. Maior sucesso do antigo canal ABC Family, que virou o Freeform em 2016, “Pretty Little Liars” foi encerrada há um ano, em junho de 2017, após sete temporadas.
The Last Ship vai acabar em sua 5ª temporada
O canal pago americano TNT confirmou que “The Last Ship” vai acabar em sua 5ª temporada, que estreia no segundo semestre de 2018. Os rumores sobre o cancelamento começaram a circular em setembro de 2017, quando o ator Travis Van Winkle, que interpreta Danny Green, anunciou “fim das filmagens da série” em um post no Instagram que foi posteriormente deletado. A série foi renovada para a 5ª temporada em 2016, antes da estreia do quarto ano da produção e ainda durante a exibição da 3ª temporada. Na época, já se comentava que isso poderia ajudar a apressar a conclusão da trama. Agora, o chefão dos canais TNT e TBS, Kevin Reilly, confirmou ao site Deadline que o final de “The Last Ship” é oficial. Produzida pelo cineasta Michael Bay (“Transformers”), a série acompanhava a tripulação de um destroyer da Marinha dos EUA durante uma pandemia, que dizimou a maioria da população mundial. Mas após encontrar a cura na 1ª temporada e iniciar a vacinação dos sobreviventes na 2ª temporada, a tripulação do comandante Tom Chandler (Eric Dane, ex-“Grey’s Anatomy”) perdeu o rumo, passando a lidar com conspirações mundiais, sem contar mais com o elemento apocalíptico que a diferenciava de outras séries militares atualmente no ar. Desenvolvida por Hank Steinberg (criador da série “Desaparecidos/Without a Trace”), “The Last Ship” também é estrelada por Adam Baldwin (série “Cuck”), Marissa Neitling (“Terremoto: A Falha de San Andreas”), Travis Van Winkle (“Transformers”), Charles Parnell (série “Os Irmãos Aventura”), Tania Raymonde (“O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua”), Maximiliano Hernández (“Os Vingadores”), Jocko Sims (“Planeta dos Macacos: O Confronto”), Bren Foster (“Operações Especiais”) e John Pyper-Ferguson (“Alphas”). Ainda não há data estabelecida para a exibição da 5ª e última temporada da série.
Tom Ellis revela a existência de negociações para o resgate de Lucifer
A resposta dos fãs ao cancelamento de “Lucifer”, com a campanha #SaveLucifer ganhando cada vez mais adeptos nas redes sociais, impressionou até o ator inglês Tom Ellis, que interpretava o personagem-título. Após se assumir em “estado de choque” com o cancelamento da série pela rede Fox, ele revelou ter viajado para Los Angeles, atendendo uma convocação do showrunner Joe Henderson e do produtor Jerry Bruckheimer, para participar de conversas entre os executivos da WBTV (Warner Bros. Television) e serviços de streaming para salvar a série. “Honestamente, fiquei um pouco chocado. Eu entrei em um estado de choque estranho. Eu realmente não estava esperando e fui pego de surpresa. E bateu em mim o quanto eu me importava com a série, e fiquei muito, muito triste. Eu não conseguia acreditar”, confessou o ator ao site TVLine. Mas seu humor mudou com a resposta “incrivelmente apaixonada” dos fãs. “Desde que comecei a fazer ‘Lucifer’, eu participei de divulgação em várias partes do mundo e estou ciente de que esse programa é muito mais popular do que parece ser na Fox. Nossos números sugerem que muitas pessoas assistem ao programa, mas não necessariamente na Fox. Então, de uma maneira estranha, não estou surpreso que as pessoas estejam com raiva. Eu só não estava preparado para este tsunami de amor que veio”. Após as primeiras reuniões para negociar uma ressurreição para a série, o ator se diz animado. “Não quero prometer nada para ninguém, porque há muitas coisas que precisam ser alinhadas para que isso aconteça. Mas eu não tive esperança antes, e agora tenho esperança. E enquanto houver esperança, continuarei lutando. Porque acho que é isso que nossos fãs querem que façamos”. E os fãs permanecem incansáveis. Em novo desdobramento para salvar a série, estão agora fazendo campanha para “Lucifer” ser indicada ao Teen Choice, algo que nunca aconteceu antes. A votação do Teen Choice Award 2018 é aberta ao público e se encerra na segunda (21/5). Veja abaixo. Caso “Lucifer” consiga emplacar alguma indicação, conquistará maior visibilidade e um argumento a mais para seu resgate. O último episódio da 3ª temporada de “Lucifer”, que marcou o final da série na Fox, foi ao ar no dia 14 de maio, deixando um grande gancho para a continuação. Boatos sugerem que a série pode ser resgatada pelo novo serviço de streaming da Warner focado em adaptações de suas publicações em quadrinhos, o DC Universe, que deve ser lançado ainda no final deste ano. Mas a WBTV prioriza uma parceria com a plataforma Hulu, que já tem direitos de exibição da série em streaming nos Estados Unidos, ou a Netflix, que possui os direitos internacionais.
Globo renova Carcereiros, Sob Pressão e a inédita Ilha de Ferro
A rede Globo anunciou a renovação das séries dramáticas “Carcereiros”, “Sob Pressão” e “Ilha de Ferro”. As duas primeiras tiveram confirmação da 3ª temporada, um ano antes da estreia da segunda leva de episódios, enquanto “Ilha de Ferro” ainda nem começou a ser exibida. No caso de “Carcereiros”, trata-se de uma reviravolta completa, já que a série passou 15 meses aguardando para estrear na TV, desde que foi anunciada pela primeira vez em 2016. Apesar de ter vencido um prêmio internacional, a Globo preferiu guardá-la para lançamento em streaming, onde não teve a repercussão que atingiu ao estrear na TV neste ano, onde se tornou um sucesso de audiência. A série atualmente está gravando sua 2ª temporada em uma fábrica desativada em São Paulo, mas ainda não há previsão de estreia para os capítulos inéditos. Já o drama médico “Sob Pressão” estreia sua 2ª temporada no próximo semestre. Por sua vez, “Ilha de Ferro” deve ser lançada apenas em 2019, após ser disponibilizada em streaming na plataforma Globo Play. A renovação antecipada das três produções mostra um investimento da Globo no formato de séries, popular entre o público mais jovem. E acontece após “Sob Pressão” bater até a audiência da novela “A Lei do Amor” no ano passado. Por sua vez, o primeiro episódio de “Carcereiros” representou a melhor audiência de uma série desde o fenômeno “A Grande Família”. Além disso, as séries também renderam repercussão no mercado internacional. “Sob Pressão” foi destacada pela revista americana Variety por apresentar qualidade de cinema e “Carcereiros” venceu o MIPTV 2017, na França.
Deadpool 2 acaba com reinado dos Vingadores nas bilheterias
Após três fins de semana como o filme mais visto da América do Norte – e do mundo – , “Vingadores: Guerra Infinita” perdeu o topo do ranking para um novo filme de super-herói. “Deadpool 2” abriu com US$ 125M (milhões) nos cinemas dos Estados Unidos e Canadá, a segunda maior estreia de um filme com classificação etária “R” em todos os tempos – atrás apenas do primeiro “Deadpool”, que fez US$ 132,4M há dois anos. Mas não ficou nisso. O filme do herói tagarela quebrou o recorde da Fox no mercado internacional, com estimados US$ 176,3M de arrecadação, superando os US$ 174M de “X-Men: Dias de um Futuro Passado”. A diferença é que, ao contrário do filme do grupo mutante, “Deadpool 2” não estreou na China. O valor também representa recorde internacional de lançamento classificado como “R” nos Estados Unidos, superando outra produção da Fox, “Logan” (abriu com US$ 160M em 2017). As maiores bilheterias vieram do Reino Unido (US$ 18M), Coreia do Sul (US$ 17M), Rússia (US$ 11,8M), Austrália (US$ 11,7M) e México (US$ 10,1M). Graças a este desempenho, a soma de “Deadpool 2” atingiu impressionantes US$ 301,3M em todo o mundo. Apesar de perder a liderança, “Vingadores: Guerra Infinita” continua aumentando sua fortuna. Foram mais US$ 28,7M nos últimos três dias na América do Norte, o que lhe rendeu o 2º lugar no ranking semanal. Com a soma das bilheterias deste fim de semana, o terceiro “Vingadores” também atingiu US$ 1,8B (bilhão) de arrecadação mundial, aproximando-se da marca mítica dos US$ 2B que apenas três filmes conseguiram cruzar – “Star Wars: O Despertar da Força”, “Titanic” e “Avatar”. O 3º lugar doméstico ficou com outra estreia do fim de semana na América do Norte, a comédia “Do Jeito que Elas Querem” (Book Club), com Jane Fonda, Diane Keaton, Candice Bergen e humor sexual da Terceira Idade. Fez US$ 12,5M, mas não eletrizou a crítica, com 58% de aprovação na média do Rotten Tomatoes. A estreia está marcada para 16 de junho no Brasil. De todo modo, foi o dobro do conquistado pela outra estreia, “Show Dogs”, mais uma comédia sem graça da temporada, que abriu em 6º lugar com US$ 6M e apenas 26% de aprovação da crítica. O humor canino não tem previsão de lançamento no Brasil. Confira abaixo os rendimentos dos 10 filmes mais vistos no final de semana nos Estados Unidos e no Canadá, e clique nos títulos para saber mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Deadpool 2 Fim de semana: US$ 125M Total EUA e Canadá: US$ 125M Total Mundo: US$ 301,3M 2. Vingadores: Guerra Infinita Fim de semana: US$ 28,6M Total EUA e Canadá: US$ 595M Total Mundo: US$ 1,8B 3. Do Jeito que Elas Querem Fim de semana: US$ 12,5M Total EUA e Canadá: 12,5M Total Mundo: 12,5M 4. Alma da Festa Fim de semana: US$ 7,7M Total EUA e Canadá: US$ 31M Total Mundo: US$ 36,8M 5. Breaking In Fim de semana: US$ 6,4M Total EUA e Canadá: US$ 28,7M Total Mundo: US$ 30,4M 6. Show Dogs Fim de semana: US$ 6M Total EUA e Canadá: US$ 6M Total Mundo: US$ 6,7M 7. Overboard Fim de semana: US$ 4,7M Total EUA e Canadá: US$ 36,9M Total Mundo: US$ 49M 8. Um Lugar Silencioso Fim de semana: US$ 4M Total EUA e Canadá: US$ 176,1M Total Mundo: US$ 296,4M 9. Rampage Fim de semana: US$ 1,5M Total EUA e Canadá: US$ 92,4M Total Mundo: US$ 406,9M 10. RBG Fim de semana: US$ 1,2M Total EUA e Canadá: US$ 3,8M Total Mundo: US$ 3,8M
Vídeo de Han Solo revela que Chewbacca odeia spoilers
Chewbacca, quem diria, pode ser tão perigoso quanto Thanos. Pelo menos, em relação à divulgação de spoilers. Um novo vídeo de “Han Solo: Uma História Star Wars” demonstra a reação do wookie grandão à possibilidade de vazamentos da trama, apesar da maioria já saber o que o filme vai mostrar. A ideia, claro, remete à ameaça de Thanos contra spoilers de “Vingadores: Guerra Infinita”. Sincronicidade? Sinergia? Sinema da Disney! Próximo blockbuster do estúdio responsável por muitos blocksbusters para enumerar, “Han Solo: Uma História Star Wars” estreia na próxima quinta (24/5) nesta galáxia.
Meghan Markle fez referências históricas com seu vestido de noiva
O casamento da atriz Meghan Markle com o príncipe Harry, que aconteceu no sábado (19/5) na Inglaterra, continua dando o que falar. Não mais pela festa digna de princesa, mas pelo verdadeiro manifesto fashion que representou o figurino da noiva, repleto de referências históricas. Meghan usou uma tiara de brilhantes da Rainha Mary, avó da Rainha Elizabeth II, emprestada por sua agora sogra. Mas buscou uma referência em outra monarquia para definir seu traje. O elegante vestido branco da grife Givenchy seria uma alusão histórica à primeira noiva negra de uma monarquia ocidental. Muitos repararam nas semelhanças da peça com o vestido usada por Angela de Liechtenstein em seu casamento com o príncipe Maximiliano de Liechtenstein, que aconteceu em 2000. As semelhanças incluem detalhes como o decote ombro a ombro e o fato de ser totalmente desprovido de renda. Além disso, o buquê que Meghan carregou na cerimônia trazia Não-me-esqueças, as flores favoritas da princesa Diana, a mãe de Harry, que cativou o Reino Unido ao romper com tradições. Após a cerimônia, a noiva também apareceu com uma joia do acervo pessoal de Diana: um anel azul de água-marinha. A joia foi identifica pela imprensa inglesa quando Meghan acenou ao lado de Harry, a bordo de um Jaguar, a caminho do palácio de Frogmore, para a recepção noturna do longo dia de seu casamento. Como Diana, ela também não pronunciou a palavra “obedecer” em seus votos de casamento. No cerimonial britânico, a noiva costuma prometer “love, cherish and obey” (amar, cuidar e obedecer, em português) ao marido. Meghan, no entanto, disse apenas “amar e cuidar”, perpetuando uma nova postura, deflagrada pela princesa Diana e que também foi seguida por Kate Middleton em seu casamento com o príncipe William em 2011.
Diretor francês Luc Besson é acusado de estupro
O cineasta Luc Besson está sendo investigado pela polícia na França, devido a uma acusação de estupro, feita por uma atriz de 27 anos, cujo nome não foi divulgado. A acusação e o inquérito foram revelados pela estação de rádio francesa Europe 1. “Luc Besson nega categoricamente essas acusações fantasiosas”, disse à agência de notícias AFP o advogado do diretor de 59 anos, Thierry Marembert. A pessoa que apresentou a denúncia “é alguém que ele conhece, com quem nunca teve qualquer comportamento desrespeitoso”, assegurou o advogado. A acusação não é um ajuste de contas por transgressão antiga, como a maioria dos casos trazidos à tona após a eclosão do movimento #MeToo nas redes sociais. A vítima teria sido estuprada na última quinta-feira (16/5), no Hotel Le Bristol, em Paris. A atriz contou que, durante um encontro marcado com o diretor no hotel, ele teria adicionado alguma substância desconhecida em seu chá, fazendo-a perder a consciência. Quando ela acordou, ele estava tocando seu corpo e a penetrando. Após o ocorrido, Besson teria deixado o hotel antes da atriz, que se refugiou na casa de uma amiga. O diretor ainda não foi interrogado pela polícia porque está no exterior, segundo uma fonte próxima ao caso, ouvida pela AFP. Realizador de sucessos como “Nikita” (1990), “O Quinto Elemento” (1997) e “Lucy” (2014) e proprietário da produtora EuropaCorp, responsável por franquias como “Busca Frenética” e “Carga Explosiva”, Besson é o primeiro grande nome da indústria cinematográfica francesa envolvido num escândalo sexual desde que as acusações contra o produtor Harvey Weinstein vieram à tona, desencadeando denúncias que encerraram décadas de impunidade em Hollywood. O filme mais recente do diretor, “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” (2017), foi a produção mais cara já realizada na Europa e seu fracasso deixou a EuropaCorp em situação financeira precária. Por isso, a denúncia contra Besson pode quebrar a produtora.
Festival de Cannes consagra filmes sobre crianças abandonadas
O novo drama do cineasta japonês Hirokazu Kore-eda venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2018. O longa, que será lançado no Brasil com o título “Assunto de Família”, foi um dos muitos filmes a tratar de crianças rejeitadas no festival, resultado de uma seleção “família”, e por isso mesmo menos impactante que o costume. Kore-eda havia vencido o Prêmio do Júri em 2013 com outro filme do gênero, “Pais e Filhos”, que questionava a noção de paternidade biológica por meio da troca de bebês. Agora vai além, ao apresentar uma trama de adoção de uma criança abandonada, que é adotada por uma família de trambiqueiros pobres. É humanista e comoveu o júri presidido pela atriz australiana Cate Blanchett. Mas não deixa de evocar o clássico “Oliver Twist”, de Charles Dickens. O título em inglês é “Shoplifters”, escolhido para destacar que o pai ensina seus filhos a roubar e realizar pequenos trambiques, como o vilão Fagin na obra do começo do século 19. Entretanto, nesta fábula do século 21, os maus exemplos buscam resultado oposto, projetando empatia e solidariedade. O clima maternal também prevaleceu em outras premiações. Como “Capharnaüm”, da libanesa Nadine Labaki, sobre um menino de 12 anos que processa os próprios pais por negligência, vencedor do Prêmio do Júri, considerado a “medalha de bronze” do festival. Em seu agradecimento, Nadine dedicou o prêmio às criancinhas. “Espero que ele ajude de alguma forma a sanar o drama das crianças desprotegidas”. Mais um drama sobre crianças abandonadas, “Ayka”, do kazaque Sergei Dvortsevoy, que gira em torno de uma imigrante ilegal em Moscou obrigada a abandonar o filho que acaba de nascer, rendeu o troféu de Melhor Atriz para a intérprete da mãe, Samal Yeslyamova. Um dos poucos filmes sem sofrimento de crianças reconhecido pela premiação foi “BlacKkKlansman”, de Spike Lee, que ficou com o Grande Prêmio do Júri, a “medalha de prata”. A obra conta como um policial negro conseguiu se infiltrar, com ajuda de um policial judeu, na organização racista Ku Klux Klan nos anos 1970, mas, além de resgatar a história real, traça paralelos com os Estados Unidos de Donald Trump, confundindo slogans da KKK com os bordões que elegeram o atual presidente americano. Cate Blanchett fez questão de salientar que, apesar da pauta de reivindicações urgente que o mundo real impôs ao festival, o júri se comprometeu a julgar os filmes por suas qualidades e não pelas causas que defendiam. Vai ver que foi por isso que Spike Lee não venceu a Palma de Ouro, o que teria colocado o festival em outro tom, menos próximo das novelas. Apesar desse discurso, porém, um prêmio dois-em-um sugeriu uma certa homenagem às causas políticas descortinadas pelo evento. O troféu de Melhor Roteiro foi compartilhado pela italiana Alice Rohrwacher, uma das três mulheres entre os 21 diretores na disputa pela Palma, pela parábola bíblica “Lazzaro Felice”, e o iraniano Jafar Panahi, um dos dois cineastas presos da seleção, por “3 Faces”. O troféu de Melhor Ator ficou com o italiano Marcello Fonte, como o dono de uma pet shop em “Dogman”, de Matteo Garrone, que se vê obrigado a tomar uma atitude contra um arruaceiro violento. Completando a premiação tradicional, o troféu de Melhor Direção foi concedido ao polonês Pawel Pawlikowski por “Cold War”, trabalho de enquadramentos rigorosos e elipses temporais, que conta uma história de amor entre dois músicos. Trata-se de mais uma obra-prima em preto-e-branco do diretor de “Ida”, vencedor do Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2015. Por fim, sem saber o que fazer com Jean-Luc Godard, que já não faz mais cinema, mas lançou um “filme” no festival, o júri inventou um prêmio inédito, chamado de Palma de Ouro Especial, como forma de homenagear o velho iconoclasta, que embora não fosse um dos dois diretores presos, foi um dos três ausentes do evento, realizando sua entrevista coletiva por celular. Já o juri da Câmera de Ouro, presidido pela cineasta francesa Ursula Meier, concebeu o troféu de melhor filme de estreante a “Girl”, do belga Lukas Dhont. Exibido na seção Um Certo Olhar, conta a história de um adolescente trans que nasceu menino e sonha se tornar uma bailarina. A obra já tinha vencido o troféu Palma Queer, de melhor filme de temática LGBT do festival. Antes de conferir abaixo a lista dos vencedores da mostra competitiva, vale lembrar que, apesar de ausentes da mostra competitiva, representantes do cinema brasileiro brilharam nos eventos paralelos, conquistando quatro prêmios. Único filme 100% brasileiro, “O Órfão”, de Carolina Markowicz, exibido na mostra Quinzena dos Realizadores, ganhou a Palma Queer de melhor curta. E, vejam só, também trata de criança rejeitada. “Skip Day”, documentário codirigido pelo americano Patrick Bresnan e a brasileira Ivete Lucas, venceu o prêmio de Melhor Curta da Quinzena dos Realizadores. “Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos”, longa sobre índios brasileiros, codirigido pelo português João Salaviza e a brasileira Renée Nader Messora, venceu o Prêmio Especial do Júri da mostra Um Certo Olhar. Por fim, “Diamantino”, coprodução de Brasil, Portugal e França, dirigida pelos portugueses Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, conquistou o Grande Prêmio da Semana da Crítica de Cannes. E, para constar, sua história surreal sobre um craque de futebol, envolve planos de adoção de crianças abandonadas em meio à crise de refugiados. Vinde a Cannes as criancinhas. Premiados na competição oficial do Festival de Cannes 2018 Palma de Ouro: “Assunto de Família” (Shoplifters), de Hirokazu Kore-eda Palma de Ouro Especial: Jean-Luc Godard, por “Le Livre d’Image” Grand Prix: “BlackKklansman”, de Spike Lee Prêmio Especial do Júri: “Capharnaüm”, de Nadine Labaki Melhor Direção: Pawel Pawlikowski, por “Cold War” Melhor Atriz: Samal Yesyamova, por “Ayka” Melhor Ator: Marcello Fonte, por “Dogman” Melhor Roteiro: Alice Rohrwacher, por “Lazzaro Felice”, e Nader Saeivar e Jafar Panahi, por “3 Faces” Câmera de Ouro (filme de estreia): “Girl”, de Lukas Dhont Olho de Ouro (documentário): “Samouni Road”, de Stefano Savona
Deadpool 2 zoa tudo, o tempo inteiro, e isso não é para todos
Não há como negar o quanto “Deadpool”, o primeiro filme do mercenário tagarela, foi importante para trazer um pouco mais de ousadia aos lançamentos de super-heróis recentes. Dirigida por David Leitch, de “Atômica”, a sequência não tem mais a obrigação de contar a origem de seu anti-herói. Mas até quem desconhece o personagem vai se sentir à vontade com seu senso de humor ácido e pop, graças às inúmeras piadas internas envolvendo filmes de super-heróis, quadrinhos, a consciência da música diegética e até mesmo a própria carreira de Ryan Reynolds. As brincadeiras com o fato de Deadpool ser uma franquia que utiliza heróis do segundo escalão, mesmo tendo o direito de trazer os personagens dos filmes dos X-Men, continuam valendo neste longa, apesar da trama incluir Cable, herói muito querido dos leitores dos heróis mutantes na década de 1990. Josh Brolin interpreta o homem que veio do futuro para matar um mutante adolescente que matará sua família. Claro, Deadpool não deixa passar batida a semelhança dessa missão com o enredo de “O Exterminador do Futuro”. Ainda que inicialmente inimigos, Cable e Deadpool têm algo muito doloroso em comum e já se prevê que no final ambos serão aliados. O divertido é acompanhar o processo desta aventura despretensiosa até a sua conclusão. A própria criação do grupo X-Force, que Deadpool reúne para enfrentar Cable, é divertidíssima. Não só a criação como o destino de seus membros logo na primeira missão. A boa surpresa do grupo é Dominó, a mulher cujo superpoder é ter sorte, vivida por Zazie Beetz, conhecida de quem acompanha a série “Atlanta”. Por sinal, o humor da produção é justamente um dos elementos que mais divide o público entre gostar e odiar esta franquia, mas a verdade é que isso vale para os filmes dos estúdios Marvel também. Nem é nem a questão de se entender ou não as piadas, mas de não achá-las boas o suficiente para rir. A proposta do roteiro de Rhett Reese, Paul Wernick e do próprio Ryan Reynolds é zoar tudo, o tempo inteiro, e isso não é para todos. Claro que, no fim das contas, mesmo com conteúdo sexual e violento, tudo passa por um filtro dentro de uma época mais politicamente correta. Aliás, há até uma piada a respeito disso, que envolve a fixação um tanto estranha do taxista amigo do protagonista pela personagem de Kirsten Dunst em “Entrevista com o Vampiro”, uma vampira de dez anos de idade. Mas nem tudo é zoação. Há também um pouco de tragédia que invade a vida do herói e que muda um bocado a dinâmica e o clima em relação ao que o público espera encontrar. E isso é muito bom. Ainda mais para um personagem que é praticamente imortal. No final, não deixem de ver as duas cenas extras pós-créditos. Elas são ótimas e importantes para a verdadeira conclusão da história. Assim como são muito bons os poucos momentos de cena com a bela Morena Baccarin e a nova versão de “Take on Me”, do A-Ha, que vai acompanhar o público até em casa ao final da sessão – melhor do que ficar na cabeça com a música de Celine Dion, feita especialmente para a abertura, mas, se isso acontecer, considere como outra zoeira do Deadpool.
A Cidade do Futuro encontra amor em meio ao ódio e outras heranças da ditadura
O município de Serra do Ramalho foi criado durante a Ditadura Militar brasileira para abrigar as cerca de 73 mil pessoas deslocadas dos seus lares para dar lugar à represa de Sobradinho. Essa é a tal “cidade do futuro” do título, prometida pelos militares nos anos 1970, localizada no interior da Bahia, no Vale do São Francisco. Um filme oficial do regime militar na época entra em cena e promete dias melhores para os moradores removidos, mais uma prova real da falácia dos milicos, já que a nova cidade seria deixada à própria sorte, as perdas dos moradores seriam incontáveis (“Os militares chegavam, olhavam a casa e diziam: ‘Vale R$ 10 mil’. E nós: ‘Moço, ela vale no mínimo R$ 20 mil’. E eles: ‘É melhor você aceitar os R$ 10 mil ou então vai ser encoberto de água junto com a casa’”) e o destrato público uma nova regra social. É nesse ambiente de abandono que vivem os professores Gilmar (Gilmar Araújo) e Milla (Milla Suzart) mais o jovem Igor (Igor Santos). Gilmar e Igor vivem um romance enquanto Milla logo depois estará aos beijos e promessas com uma garota. Milla, porém, está grávida de Gilmar, e esse novo bebê, o futuro, irá causar várias reviravoltas na rotina da pequena Serra do Ramalho, já que o trio (Gilmar, Igor e Milla) decidirá assumir o bebê como deles, o que dispara uma onda de preconceitos – faz com que a família de Milla a coloque para fora de casa, com que ela perca o emprego na escola e com que Igor seja constantemente assediado nas ruas, culminando em uma forte agressão de ex-amigos vaqueiros em uma fazenda. Em determinado momento, o romance de Gilmar e Igor caminha em direção do destino cruel retratado por Ang Lee em “O Segredo de Brokeback Mountain”, mas Marília Hughes e Cláudio Marques enveredam por outro caminho numa relação pansexual que poderá fazer de Serra do Ramalho não a cidade do futuro que os militares mentiram, mas a cidade do futuro em que o amor (a igualdade, a fraternidade, a bondade) irá vencer qualquer barreira. Um belo filme que segue no nível da boa estreia da dupla, “Depois da Chuva” (2013).
A Noite do Jogo marca o resgate das comédias americanas engraçadas
Já reparou que Hollywood não faz mais tantas comédias como há alguns anos atrás? Entre umas e outras baladas cinematográficas, sempre tinha aquele descanso merecido para rir com Katie Hudson, Anne Hathaway e Matthew McConaughey, além de Sandra Bullock, Hugh Grant e Julia Roberts antes deles. Talvez esses filmes tenham abusado demais da fórmula, deixando o público cansado. Hollywood é assim. Mesmo quando acham algo original como “Se Beber, Não Case!” e “Missão Madrinha de Casamento”, a mina de ouro é explorada excessivamente em continuações ou imitações desnecessárias até não sobrar mais nada. É por isso que as comédias de grandes estúdios protagonizadas por atores famosos se tornaram cada vez mais raras. Mas Hollywood também tenta se reciclar de tempos em tempos e um filme como “A Noite do Jogo”, mesmo com seus prós e contras, precisa ser notado simplesmente porque, às vezes, é bom rir à toa. E “A Noite do Jogo” ainda oferecer algo a mais, o que é louvável e a faz terminar com um saldo positivo. Vamos começar pela maior força do filme: o casal principal interpretado por Rachel McAdams e Jason Bateman, que são eufóricos e carismáticos na medida certa; daqueles que adoramos ver na tela e nos identificamos rapidamente. Bateman e McAdams podem tentar qualquer gênero, porque são bons atores, mas não há como fugir do fato de que são exímios comediantes. Bateman se projetou a partir da série “Arrested Development”, com seu jeito ponderado, porém exalando ironias e um olhar que dispensa palavras para se comunicar com o público. Ele nasceu pra isso. Da mesma forma que Rachel McAdams, que se destacou como a melhor arma de “Meninas Malvadas” (depois do roteiro de Tina Fey). Juntos, eles são perfeitos em “A Noite do Jogo”, lembrando os bons tempos das comédias com Goldie Hawn, Steve Martin ou Chevy Chase. Mas talvez tenha sido “Uma Noite de Aventuras”, dirigido por Chris Columbus e estrelado por Elisabeth Shue em 1987, a maior influência da jornada noite adentro do casal e seus amigos – um elenco maravilhoso, com destaque para o mulherengo e cérebro de azeitona vivido por Billy Magnussem e, principalmente, o policial solitário do fantástico Jesse Plemons, que rouba todas as cenas em que aparece. “A Noite do Jogo” é mais ou menos assim: Rachel McAdams e Jason Bateman vivem um casal viciado em jogos. A maior diversão é reunir amigos e brincar de mímicas, adivinhações e outras atividades ramificadas dessas ideias. Tanto que uma delas leva a uma aventura que mistura realidade e ficção, como uma versão cômica daquele filme pouco visto de David Fincher com Michael Douglas, “Vidas em Jogo”. Tudo bem que os mistérios não se seguram por muito tempo, mas o filme caminha imprevisível mais pelas reações dos atores que o roteiro em si. E isso já está de bom tamanho, porque algumas cenas arrancam risadas magníficas, como a que Rachel tenta tirar uma bala do braço de Jason Bateman (o efeito sonoro emitido pelo brinquedinho enquanto ela faz o corte me fez chorar de rir). E, cara, tem uma piada com Denzel Washington que é impagável. Espere pra ver. Melhor ainda: é um filme que não precisa se apoiar em piadas apelativas e bater em minorias. Sim, “A Noite do Jogo” é um saudável besteirol à moda antiga, devidamente atualizado para o público carente de risadas. E se dá ao luxo de contar com uma ótima direção – coisa rara nesse tipo de filme –, com direito até mesmo a um plano sequência muito bem orquestrado quando os personagens tentam capturar um “ovo”. John Francis Daley e Jonathan Goldstein fizeram antes disso aquele reboot frustrante de “Férias Frustradas”, mas mostram que são capazes de muito mais, com um humor herdado de tanto assistir o “Férias Frustradas” original e outros filmes da época. Não por acaso, a trilha sonora faz bom uso de sintetizadores, meio oitentista, em referência à era dos arcades, a era de John Carpenter. Os diretores também demonstram talento para criar concepções cenográficas originais, ao entregar cenas visualmente incríveis, que muitas vezes emulam jogos, como a perspectiva em terceira pessoa ao posicionar as câmeras atrás de alguns personagens, e a transformação de uma vizinhança inteira numa espécie de plataforma de game. Há um corte logo no começo que é brilhante, acompanhando a queda do casal ao chão que se torna um tabuleiro num passe de mágica da edição. É verdade que o ato final exagera na dose, com a barreira entre o que é realidade e o que é ficção extrapolando os limites do bom senso, conforme o roteiro de Mark Perez tenta ligar os pontos. Mas tudo bem, porque a esta altura a trama e seus heróis já conquistaram com seu bom humor. Além disso, a moral da história é ótima, ao ensinar que só envelhecemos quando queremos; conceito que se mistura com a escolha ousada nos dias de hoje de um elenco adulto, não adolescente, para um filme baseado em brincadeiras de criança. Enfim, “A Noite do Jogo” pode ser indício de uma volta das grandes comédias. E pelo resultado do público a este filme nos Estados Unidos a tendência é que Hollywood se estimule a lançar outras ainda melhores.












