Selma Blair quer ver James Toback preso, após passar 17 anos com medo do diretor



Selma Blair deu mais detalhes de sua decisão de revelar o assédio que sofreu do diretor James Toback. Em entrevista ao programa The Talk, ela contou que espera ver o diretor na prisão, após passar “17 anos com medo de James Toback”, que a ameaçou de morte. “Ele disse que me colocaria num sapato de cimento e furaria meus olhos com canetas se eu contasse para alguém”, ela afirmou.

A atriz confirmou que sentiu muito medo de denunciá-lo, mas depois que surgiram as primeiras acusações contra ele, tomou coragem. “Acreditei que surgiriam ainda mais mulheres, algumas muito mais famosas do que eu, que seriam levadas a sério, com denúncias claras, fazendo as pessoas realmente prestarem atenção, e isto aconteceu. Está realmente acontecendo. E será melhor para todos nós”.

Blair fez sua denúncia originalmente à revista Vanity Fair, revelando como, durante uma reunião num hotel em 2000, para discutir sua participação no filme “O Garoto de Harvard”, Toback teria lhe pedido para que tirasse a roupa e recitasse um monólogo. Ainda insatisfeito, disse que iria se masturbar e a impediu de sair, intimidando-a com ameaças. “Há uma garota que foi contra mim”, Blair afirma que ele lhe disse. “Ela ia falar sobre algo que fiz. Mas vou te dizer, e isso é uma promessa, não importa o quanto tempo tenha passado, eu tenho pessoas que podem raptar quem falar e jogar no rio Hudson com blocos de cimento nos pés. Você entende do que estou falando, certo?”

Além dela, atrizes como Rachel McAdams, Julianne Moore e Natalie Morales também compartilharam denúncias contra James Toback. Mas a maioria das vítimas do diretor foram atrizes aspirantes. Ao todo, 359 mulheres o acusaram de assédio e abuso, de acordo com o repórter do jornal Los Angeles Times que escreveu o artigo original com denúncias de 30 vítimas, e que inspirou Blair e as demais a finalmente contarem suas histórias.


Uma investigação criminal foi aberta contra o diretor e Blair torce para que ele seja preso. “James Toback pertence à prisão”, ela apontou, considerando que este desdobramento será uma vitória “incrível”.

“Parece incrivel que isto esteja acontecendo. Para todos nós. Foi um momento que se transformou em um movimento”, disse a atriz, referindo-se ao movimento #Metoo, que iniciou como uma desabafo nas redes sociais, virou campanha de solidariedade e evoluiu para dar nomes aos abusadores.

Indicado ao Oscar pelo roteiro de “Bugsy” (1991), James Toback trabalha em Hollywood desde os anos 1970. Seu filme mais recente, “The Private Life of a Modern Woman”, tem Sienna Miller como protagonista e estreou no Festival de Veneza do ano passado.



Pedro Prado é cinéfilo, fã de séries e quadrinhos, fotógrafo amador e bom amigo da vizinhança.



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