A Noite dos Mortos-Vivos: Fotos raras e coloridas revelam bastidores desconhecidos do clássico zumbi



Fotos raras dos bastidores do clássico zumbi “A Noite dos Mortos Vivos” (1968) surgiram na internet. Até então desconhecidas, elas mostram pela primeira vez imagens coloridas da produção, que foi filmada em preto e branco por George A. Romero.

O filme já passou por processo de colorização na época do VHS, mas é a primeira vez que os atores são vistos usando as roupas da produção em suas cores originais. E o impacto é quase psicodélico, de tão vívidas que são as cores de seu figurino.

Romero, que faleceu em julho do ano passado, filmou o primeiro filme de apocalipse zumbi juntando todas as suas economias, conseguidas com trabalho em comerciais, num montante total de US$ 114 mil. Para economizar, optou pelo preto-e-branco, uma estética de documentário e apenas catchup e carne de açougue como efeito especial. O porão da fazenda, em que parte da trama acontecia, era o porão de seu próprio escritório. Amigos eram convidados a viver mortos-vivos. Tudo o que podia ser barateado, foi.

O impacto foi histórico. Até então, zumbis eram personagens de filmes sobre vudu, relacionados à sacerdotes sobrenaturais do Haiti – como Bela Lugosi em “Zumbi, A Legião dos Mortos” (1932). Romero tirou os elementos mágicos da história, trocando-os por ficção científica. Uma contaminação e não um ritual mágico transformava as pessoas em seu clássico. E a origem dessa contaminação era vaga – um satélite vindo do espaço?

O diretor nem sequer usa a palavra zumbi em seu filme, para evitar a comparação com o vudu. Eram mortos-vivos. E os protagonistas aprendiam os fatos básicos sobre as criaturas junto do público, via noticiário televisivo: os mortos-vivos eram lentos e famintos por carne humana, uma mordida ou arranhão podia transformar qualquer pessoa num deles, assim como a morte, e eles só paravam com um tiro na cabeça.



Além dos elementos de terror, a trama adentrava o inesperado terreno da crítica social, ao fazer de um negro e uma mulher branca seus principais protagonistas. A combinação era inusitada para a época, quando casais inter-raciais ainda eram vistos com reprovação no mundo real. A ideia tornava-se mais impactante pelo final, em que o personagem do ator Duane Jones era morto por um caipira.

Ele é um dos destaques da foto, ao lado de Judith O’Dea (Barbra), de vestido… azul! Além de Karl Hardman e Marilyn Eastman, intérpretes do casal Cooper, que se esconde no porão da fazenda cercada por zumbis.

Nas fotos que agora emergem, a filmagem parece um pic-nic.

As imagens foram inicialmente divulgadas no Twitter pelo fã e curtametragista Don Swaynos, mas o site Bloody Disgusting pesquisou mais e encontrou mais material. Veja na galeria abaixo.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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